Corpo de Bombeiros intensifica ações de combate aos incêndios em Lagoa da Prata

Corpo de Bombeiros intensifica ações de combate aos incêndios em Lagoa da Prata

Desde o fim de semana, focos de incêndios vem causando inúmeros transtornos à população. Prefeitura Municipal solicita ajuda ao Corpo de Bombeiros de Formiga e à BIOSEV para controlar queimadas.

Fumaça que incomoda toda a população desde o último final de semana, trazem a tona debate de que Lagoa da Prata precisa de um próprio Batalhão do Corpo de Bombeiros. (Foto: Alan Russel).

Reportagem: Alan Russel

A equipe do Corpo de Bombeiros da cidade de Formiga, atendendo solicitação da Prefeitura Municipal de Lagoa da Prata, está desde o fim da tarde desta quarta (18), nas proximidades do Bairro Palmeiras realizando ações para apagar os focos de queimadas, que vêm assolando a cidade desde o último domingo (15).

São muitos os locais que estão em chamas, a grande maioria se localiza nas proximidades do residencial Las Palmas. O residencial seria um condomínio de luxo no Bairro Palmeiras, mas o empreendimento está embargado pela justiça justamente por questões ambientais.

No passado recente, a região onde hoje é o Bairro Palmeiras e residencial Las Palmas, era uma área pantanosa de vereda, com o solo aerado e com existência de algumas nascentes de água. Com o boom do mercado imobiliário na região, empresários do setor realizaram intervenções no local com o intuito de ocupar a área com habitações. Para melhor utilização e compactação do solo para ocupação habitacional, foi necessário abrir drenos para escoamento d’água nas áreas pantanosas do Palmeiras. O terreno seco, com solo aerado e grande quantidade de matéria orgânica, são fatores que contribuem para que o fogo se espalhe pelo subsolo sendo difícil de ser controlado.

O tenente Cunha do Corpo de Bombeiros de Formiga, afirmou que em toda a região em que atua, essa ocorrência é única e exclusiva de Lagoa da Prata. “O que vemos aqui é uma característica única dessa região. Aqui era uma área de brejo que foi drenado. Isso torna o solo bem aerado e com muita presença de oxigênio. Quando acontece qualquer fogo de incêndio nessa área, o fogo consome as raízes da vegetação que está incorporada na área submersa do solo. E como a região de vereda é muita baixa, principalmente no início da noite a fumaça se concentra na região, causando todos esses transtornos para a população”, explicou o tenente.

Com relação ao que está sendo feito pelo Corpo de Bombeiros para o controle dos focos de incêndio, o tenente Cunha reiterou que o trabalho é contínuo e que só vão deixar o local quando o problema for solucionado. “Nós vamos alagar ao máximo esse terreno para que a água consiga infiltrar no solo e consequentemente eliminar os focos de incêndio subterrâneos. Estamos aqui desde ontem à noite e vamos continuar os trabalhos durante todo o dia. Se não for o suficiente, voltamos amanhã e trabalharemos até quando for necessário para controlar essa situação”, completou o oficial do Corpo de Bombeiros.

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A equipe do Jornal Cidade entrou em contato via telefone com a V8 Loteadora, responsável pelo projeto e execução habitacional do Bairro Palmeiras. Quem nos atendeu foi o gerente administrativo, Caio Costa. Indagado se a área que está sofrendo com os focos de queimada é de propriedade da empresa, Caio respondeu que o local é uma área verde e que não pertence à V8. Caio também salientou que durante as obras no Bairro Palmeiras, não houve drenagem na região onde estão as queimadas.

Lessandro Gabriel é secretário de Meio Ambiente do município e está acompanhando atentamente os trabalhos do Corpo de Bombeiros. Com relação à declaração da V8 Loteamentos, o secretário foi enfático a afirmou que a região é sim de propriedade da empresa do ramo imobiliário. “Essa área pertence sim à V8. Quando adquiriram o terreno do antigo proprietário, essa área também foi comprada. Eles são os donos do terrenos onde foi construído tanto o Bairro Palmeiras quanto os arredores do residencial Las Palmas”.

A reportagem do Jornal Cidade tentou novo contato com a V8 Loteamento, na figura do gerente administrativo, mas o mesmo não atendeu nem retornou as ligações.

O secretário de meio Ambiente também ressaltou que a Biosev tem sido uma grande parceira do município no combate a esses focos de incêndio. “De uns anos pra cá a Biosev se tornou uma forte aliada do município no que tange à questões ambientais e principalmente no combate aos incêndios. A empresa se colocou a disposição com caminhões pipa e sistema de irrigação para que, juntos com o Corpo de Bombeiros, possamos eliminar todos esses focos de queimadas nas turfas aqui da região do Bairro Palmeiras”.

Turfas e regiões  pantanosas

Muito se fala dos focos de incêndio em regiões pantanosas, turfas e em fogo subterrâneo; mas pouca gente entende de fato o que acontece. Lagoa da Prata é uma região que apresenta um relevo diferenciado em comparação com a grande maioria dos municípios de Minas Gerais. Habitamos uma região plana, à margem direita do Rio São Francisco e com inúmeras lagoas, brejos, pântanos e veredas em seu território. Muitas dessas regiões alagadas foram drenadas para dar lugar a expansão agrícola ou ocupação habitacional. Em decorrência da drenagem e secagem desses pântanos e veredas, o solo se torna aeroso e com grande quantidade de matéria orgânica. Quando ocorre qualquer foco de incêndio nessas regiões, o fogo atinge a matéria orgânica incorporada no solo, causando incêndio subterrâneo que queima por muitos dias e que é muito difícil de ser controlado.

Não é a primeira vez que incêndios do tipo vêm causando transtornos para a população de Lagoa da Prata. Especialistas em meio ambiente condenam a drenagem de áreas pantanosas e apontam que o ideal a ser feito é fechar os canais de drenagem para que o terreno volte a ser uma área encharcada. Realizando este trabalho, não haverá mais fogo nas turfas e principalmente não haverá mais problemas decorrentes da fumaça que atinge toda a população.

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