Como a segunda onda da covid-19 tem afetado as cidades da região

Como a segunda onda da covid-19 tem afetado as cidades da região

Até o dia 24 de março, Minas Gerais ultrapassou a marca de 1 milhão de casos por coronavírus.

Foto: Portal Cio/ Reprodução
Rhaiane Carvalho

Um cenário de caos está instalado na região Centro-Oeste Mineira, assim como no restante do estado e de todo o país. Profissionais trabalhando exaustivamente, pacientes aguardando leitos e transferência, familiares com medo; faltam insumos, medicamentos para entubar pacientes, faltam equipamentos de proteção individual.

Em Lagoa da Prata, no dia 22 de março, o Hospital São Carlos lançou um vídeo relatando que os medicamentos para intubação de pacientes iriam se esgotar em menos de 3 dias. A entidade divulgou em nota um apelo para que a Secretaria Municipal de Saúde de Lagoa da Prata e a Gerência da Regional de Saúde de Divinópolis pudessem ajudá-los. Em nota, a entidade afirmou, na mesma data, que o percentual de ocupação de leitos chegou à taxa de 131% e que devido a este aumento, há uma demanda maior pelo consumo de medicamentos que são imprescindíveis no tratamento de pacientes e estes por sua vez, estão em escassez no mercado.
Em relação à possível falta de medicamentos, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) informou que houve aumento nos medicamentos utilizados em terapia intensiva, mais especificamente de itens necessários à intubação de pacientes – indicando cenário de escassez, como noticiado em várias regiões do país. “Há, também, maior dificuldade no abastecimento desses medicamentos pelos fornecedores, em razão da alta demanda.

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A SES-MG também conta com rede solidária, cujo fornecimento desses medicamentos é compartilhado para as unidades de saúde que possuem baixo estoque, de modo a evitar que se esgotem. A SES-MG ainda esclarece que o consumo da maioria dos medicamentos em questão cresceu mais de 50%, chegando em alguns casos, como do Atracúrio 10mg/ml (amp 5ML), a um aumento de 229,24%. Por esse motivo, a SES-MG realiza levantamentos periódicos de estoque para medidas de abastecimento das unidades hospitalares; e fez, ainda, ata de registro de preço, por meio da qual segue solicitando os medicamentos. Também efetuou planejamento extraordinário para aquisição de itens de uso hospitalar de terapia intensiva. Para os próximos dias está previsto, por parte do Ministério da Saúde, o abastecimento desses insumos para os estados que se encontram em situação de estresse e Minas Gerais está contemplada nessa demanda”, diz a nota.

Ainda no dia 22 de março, havia completado um ano do primeiro registro da doença no município e o cenário está ainda mais caótico desde o início, quando ainda pouco se sabia sobre o vírus. Segundo o médico regulador do município de Lagoa da Prata, Amarílio Fernandes, o perfil epidemiológico do município mudou. “Muito provavelmente em decorrência das novas variantes, que estão circulando no estado: a variante P1, que veio de Manaus e a P2, do Rio de Janeiro. Estas variantes trouxeram para nós um covid mais potente que, infelizmente, está infectando e matando mis pessoas, principalmente os jovens. Hoje nós temos casos de internação de jovens de 21 e 24 anos o que a gente não tinha no ano passado, explicou. Até no dia 30 de março a cidade tinha 425 casos ativos, 3.263 confirmados e 54 óbitos. Durante uma entrevista realizada no dia 30 de março, o prefeito Di Gianne Nunes afirmou que seguirá o que for determinado no protocolo da Onda Roxa.

Em Santo Antônio do Monte, o município tem feito manobras para atender a alta demanda de pacientes que aguardam por leitos. “A situação é muito preocupante, pacientes estão ficando na UPA entre 24 a 48h. Eu tenho aqui um mapa de leitos da macrorregião, e estamos com 97% de leitos ocupados. De 148 leitos disponíveis, temos apenas 4 leitos livres para internação. Pacientes de enfermaria em toda região tem 248 vagas e apenas 9 vagas livres para internação de clínica”, disse o médico Eduardo Nardy. No dia 26 de março, a Santa Casa de Misericórdia passou a atender vítimas da covid-19 do município e de outras cidades, ampliando dez leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 14 leitos na enfermaria. De acordo com o boletim epidemiológico, no dia 30 de março a cidade 1.833 exames positivos, 1.617 curados e 26 óbitos confirmados.

O município segue com as ações de combate ao coronavírus, intensificando a fiscalizações de aglomerações, mantendo a adoção do protocolo da Onda Roxa. Em Formiga, 3 pacientes morreram à espera por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Atualmente, Formiga conta com 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O mês de março tem sido o pior mês desde o início da pandemia no município. Até o dia 24 de março, 29 pessoas já perderam a vida em decorrência da covid-19, o mesmo número somando os meses de janeiro e fevereiro. O colapso no sistema de saúde fez com que a Secretaria Municipal de Saúde adotasse novas medidas para que a situação não piore ainda mais. “Vamos transformar toda a nossa estrutura da UPA para pacientes com covid. Com essa mudança, a partir de hoje (24), todos os atendimentos serão direcionados para a UPA. “É importante ressaltar que em um momento tão delicado da pandemia a abertura de leitos em si não é uma estratégia eficaz quando é feita de forma isolada. A melhor estratégia é a população seguir as medidas e todas as recomendações que já demos. Só assim podemos vencer a pandemia”, informou o secretário de saúde Leandro Pimentel.

Até o dia 29 de março a cidade tinha 6.088 casos confirmados, 2.943 curados e 113 óbitos. Ainda em Formiga desde o dia 29 de março, vale o Decreto 8730, que dispõe sobre a suspensão das atividades econômicas em de Formiga. Inicialmente, o novo documento tem prazo por sete dias e é o mais restritivo desde o início da pandemia do coronavírus. Dentre as novas regras, o funcionamento de todas as atividades econômicas de maneira presencial está proibido no município. O funcionamento das atividades no formato delivery, será autorizado somente para fornecimento de peças e suprimentos automotivos, insumos de informática e telefonia móvel, bem como de gêneros alimentícios, sendo proibida a retirada no local. O Decreto completo está disponível no site da prefeitura: www.formiga.mg.gov.br .

Em Arcos, a situação não está diferente. Com falta de leitos, um paciente morreu aguardando transferência. Para tentar abrir mais leitos, o município está construindo uma unidade de Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas encontra dificuldades na ausência de profissionais. Para evitar mais contaminações, no dia 19 de março, a Santa Casa de Arcos passou a fazer atendimentos de pacientes que não estão infectados por covid-19 e que precisam tratar outras comorbidades. A Fumusa – local, que está sendo utilizando como o hospital de campanha do município, e o hospital São José, vão atender os pacientes com covid-19.

Os atendimentos na Santa Casa servirão tanto para pacientes que utilizam o sistema público de saúde como também o sistema privado. O médico Antônio Carlos Silva, diretor clínico do Hospital São José, explica que além de centralizar os serviços, com as mudanças, vão se abrir no Hospital São José mais seis leitos de ventilação (onde ficam pacientes entubados) e mais 12 leitos de enfermaria. As internações no hospital também serão de pacientes do sistema público e de convênios.

No dia 22 de março, a prefeitura de Arcos também suspendeu os atendimentos presenciais em suas repartições, como medida de contenção da proliferação do vírus, voltando dia 31 de março.
Até o dia 30 de março a cidade tinha 3.657 casos confirmados, 2.936 curados e 73 óbitos confirmados. A cidade também adotou diversas medidas além do descrito no protocolo da Onda Roxa. De segunda a quinta-feira, os supermercados vão funcionar das 6 às 20h, ampliando o horário de atendimento para diminuir a aglomeração e compensar os três dias que ficarão fechados.

Sendo que entre 6 e 9h, o atendimento preferencial será para idosos e grupos de risco. Já na sexta, sábado e domingo, todos ficarão fechados. Também só poderá entrar no estabelecimento um membro por família para a realização de compras. Nas padarias, ficam proibidos os self-services, devendo os funcionários servirem os clientes. Açougues continuam normais. Hortifruti precisa ceder luvas descartáveis aos clientes. Restaurantes poderão atender somente no sistema delivery. As medidas valerão até o dia 4 de abril, podendo ser prorrogadas. Leia a matéria completa em: www.jornalcidademg.com.br.

Gráficos da matéria “Como a segunda onda da covid-19 tem afetado as cidades da região”. Fonte: Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES_MG). Dados coletados no dia 27 de março de 2021 até às 16h30.
Gráficos da matéria “Como a segunda onda da covid-19 tem afetado as cidades da região”. Foto: Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES_MG). Dados coletados no dia 27 de março de 2021 até às 16h30.
Gráficos da matéria “Como a segunda onda da covid-19 tem afetado as cidades da região”. Foto: Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES_MG). Dados coletados no dia 27 de março de 2021 até às 16h30.
Gráficos da matéria “Como a segunda onda da covid-19 tem afetado as cidades da região”. Foto: Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES_MG). Dados coletados no dia 27 de março de 2021 até às 16h30.

Ocupação de leitos na macrorregião Oeste

A Secretaria de Estado de Saúde Minas Gerais, por meio da Regional de Saúde de Divinópolis, informou que no dia 29 de março, 103,9% (158) leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para paciente com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) da Macrorregião Oeste, utilizadas para tratamento da pandemia de covid-19, estavam ocupados. Os de enfermaria, 117,5% (296). Aguardavam na fila por um leito de UTI 75 pessoas. Outras 105 por um leito de enfermaria. Segundo a Secretaria, os dados são retirados da Central de Regulação Assistencial do Estado da Macrorregião Oeste/SUS-Fácil.

Onda roxa

Em entrevista coletiva realizada no dia 24 de março, o novo secretário do estado de Saúde, informou que as restrições da Onda Roxa serão prorrogadas até 4 de abril. Além de anunciar a prorrogação da Onda Roxa, Fábio Baccharetti, informou que Minas Gerais ultrapassou a marca de 1 milhão de casos por coronavírus. “Foi definido hoje que a onda roxa será prolongada até o domingo de Páscoa para que possamos garantir que a incidência de casos no estado caia e que menos pacientes fiquem esperando leitos nas unidades hospitalares”, afirmou o secretário. O secretário pediu ainda o apoio de prefeitos de todos os 853 municípios do estado para que o estado supere esta situação na saúde. “É muito cedo que qualquer município faça flexibilização das medidas”. alertou Fábio.

No dia 17 de março, a Onda Roxa havia sido estendida para os 853 municípios mineiros, com previsão de valer, inicialmente, até 31 de março, mas em virtude do avanço, o estado resolveu prolongar a data. Entre as ações restritivas estão o toque de recolher (das 20h às 5h) e a instalação de barreiras sanitárias em áreas de grande circulação. Minas Gerais contabiliza até o momento, 22.497 mortes por COVID-19, além de 1.053.994 casos. Nas últimas 24 horas, foram 374 vidas perdidas e 13.796 infectados.

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