Comerciantes organizam manifestação para reabertura do comércio em Lagoa da Prata

Comerciantes organizam manifestação para reabertura do comércio em Lagoa da Prata

Conforme os comerciantes, o ato será pelo direito de trabalhar e pela reabertura do comércio

Karine Pires

Atos em prol da reabertura do comércio têm acontecido em municípios do Centro-Oeste MG. Os comerciantes estão sendo afetados pela crise instalada pelo coronavírus, principalmente, aqueles com atendimento ao público, como salões de beleza. As medidas determinadas pela Onda Roxa do plano Minas Consciente, foram tomadas para impedir que o caos na saúde se estenda para os próximos meses. O Jornal Cidade está acompanhando como tem sido os atos que já foram realizados em Arcos, Formiga e nesta quarta-feira (7), será realizado em Lagoa da Prata.

Nossa redação conversou com 3 comerciantes que estão organizando o movimento e que explicaram porque o ato é importante para eles.  Entre as pautas da manifestação está a reabertura do comércio, o direito de trabalhar e o tratamento precoce — esta, é uma pauta que não é defendida por todos os comerciantes e por isso tem sido divulgada duas imagens de divulgação do ato nas redes sociais, segundo informações dos comerciantes.

Thaís de Souza Serapião, é profissional da área da beleza, e contou à redação que a manifestação foi organizada por um grupo de comerciantes no whatsapp. Eles consideram que está acontecendo muita injustiça no lockdown e que o fechamento não é justo. Thaís ainda relatou como tem sido difícil ficar sem trabalhar.

Minha maior dificuldade é não poder trabalhar, me sinto uma bandida, sempre com medo. Sendo que sou uma cidadã de bem que apenas precisa trabalhar para manter o meu negócio e sustentar minha família e contas.

Netwise

A profissional reforça também que seu estabelecimento foi denunciado sem estar trabalhando, o que dificulta a renda. “Não tenho feito minha renda, nem atendendo eu estava e a guarda civil foi lá após denúncia que o salão estava funcionando, eles viram que realmente não estávamos trabalhando, mas notificaram e se voltarem é multa. Então fico sem trabalhar com medo.”

Já o consultor de marketing e técnico de celulares, Henrique Ferreira, fala que o papel de fazer um plano de contingência deveria ser do governo que não prestou auxílio à categoria e considerou o decreto irresponsável. “Já tivemos 3 reuniões com o prefeito. Foram apresentadas propostas, mas nenhuma foi acatada. Quem tem o dever de ter um plano de contingência é o governo, pois eles simplesmente mandaram fechar tudo sem apresentar ajuda aos empresários e funcionários que não vão ter dinheiro para pagar as contas e talvez nem para por alimentos em casa. Foi um decreto irresponsável e covarde, em momento nenhum pensaram no bem da população, tiveram 1 ano desde do último fechando para montar infraestrutura para evitar o colapso da saúde, e nada fizeram.”

O consultor ainda explica que pode trabalhar de portas fechadas e vender pela internet, mas mesmo assim as vendas caíram muito e se continuar com o comércio fechado, a economia local vai morrer. Henrique também defende que o município adote o tratamento precoce ou kit covid, que não possui eficácia científica comprovada e não é eficaz contra a covid-19, conforme estudos de especialistas. “O foco principal é a reabertura dos comércios, eu, particularmente, conversei com alguns médicos fiz algumas pesquisas e em vários municípios que foi usado o tratamento precoce, os índices de internação é quase 0, por este motivo, eu, pessoalmente, defendo o tratamento precoce, mas há pessoas que não concordam (dentro do movimento), mas todos concordamos que o fechamento dos comércios vai matar literalmente a economia local“, finalizou.

A indignação e a dificuldade de manter a renda não são sentimentos diferentes na vida de Fernando Nogueira Viana, que é estudante de enfermagem e atendente no setor de terapia capilar. Fernando também falou sobre as propostas que foram apresentadas para a prefeitura e defendeu que a reabertura acontecesse, pois os atendimentos seriam agendados. “Nosso atendimento é somente com horários agendados uma pessoa por vez seguindo todos os cuidados,” explicou. Atualmente, ele agradece por não trabalhar só na área da beleza, pois estaria sem renda agora. “Minha área foi uma das mais afetadas e financeiramente, mas eu agradeço por ter outro serviço senão eu não saberia como fazer. Pois tenho aluguel do espaço onde trabalho pra pagar, faculdade e outros gastos que não pararam com o lockdown.”

Onda Roxa

A Onda Roxa foi decretada de forma impositiva pelo Governo Estadual, inicialmente até dia 4 de abril, no entanto, o estado não apresentou um melhora nos indicadores da covid-19, o que fez com que o Governo prorrogasse até 11 de abril. Nesta etapa do Minas Consciente, apenas serviços considerados essenciais podem funcionar. A manifestação está marcada para as 10h30 desta quarta-feira (7), e conforme os comerciantes, será através de carreata e de forma pacífica. Os comerciantes sairão da praça da matriz rumo à prefeitura para protestar. Nossa redação entrou em contato com a prefeitura para saber sua posição sobre o plano de contingência apresentando pelos comerciantes e sobre os questionamentos em relação à fiscalização. Até o momento, a Prefeitura não se manifestou, quando recebermos um retorno a matéria será atualizada.

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