Com a alta de casos de covid, ausência de profissionais de saúde para contratação preocupa

Com a alta de casos de covid, ausência de profissionais de saúde para contratação preocupa

Dentre todos os hospitais da região, o Hospital São Carlos foi o segundo em número de internações de pacientes com covid-19 confirmado ou suspeito. Sozinho, o hospital admitiu 11% de todos os pacientes da Macro Oeste e está a frente, inclusive, do Hospital São João de Deus, em Divinópolis, que é a maior referência da região.

Rhaiane Carvalho

Hospitais da região estão vivendo um verdadeiro caos para dar conta da demanda de pacientes com covid-19. Já conhecido por receber pacientes de toda a região, o Hospital São Carlos (HSC) de Lagoa da Prata, não é exclusivo para covid-19, mas recebe paciente de toda a região para tratamento e tornou-se uma referência na Macrorregião Oeste para tratamento dos casos mais graves da doença. Dentre todos os hospitais da região o Hospital São Carlos foi o segundo em número de internações de pacientes com covid-19 confirmado ou suspeito. Sozinho, o hospital admitiu 11% de todos os pacientes da Macro Oeste e está a frente, inclusive, do Hospital São João de Deus, em Divinópolis, que é a maior referência da região.

Foto: Rhaiane Carvalho/Jornal Cidade

Segundo o HSC, em Lagoa da Prata até o mês de fevereiro de 2021, foram 642 internações no Hospital São Carlos, destes 311 (48,44%) foram do sexo feminino e 331 (51,55%), sendo positivos 362 (56,38%) e negativos (42,36), salienta-se que esse número pode ter sofrido alterações se o teste for realizado fora do período ideal, o risco para falso negativo para covid aumenta. A taxa de mortalidade hospitalar dos pacientes covid-19 internados na enfermaria foi de 7,32% (Média de mortalidade em Minas Gerais: 20%) e na UTI-covid-19 de 24% (Média de mortalidade em Minas Gerais: 48,8%), tais números são muito inferiores as taxas de mortalidade estadual e federal.

Segundo a enfermeira do Hospital São Carlos, Paula Lacerda de Castro, o local ainda não enfrenta falta de funcionários para a linha de frente, mas convive com a necessidade do aumento do quadro destes. “O Hospital São Carlos, assim como a maioria dos hospitais do Brasil, vem aumentando gradativamente o contingente de colaboradores, sendo eles enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, auxiliares de limpeza dentre outras profissionais”.

Ela ainda acrescentou que a taxa de contaminação dos funcionários é baixa, graças aos planos de contingência estabelecidos pela instituição junta a sua equipe médica e Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), seguindo todas as normas da Anvisa.

Em Santo Antônio do Monte, a secretária de Saúde, Bruna Filgueira, informou no dia 25 de março, que a Santa Casa de Misericórdia do município passou a receber pacientes de covid-19. No total, dez leitos de UTI e 14 leitos de enfermaria serão disponibilizados para a macrorregião. “Esses leitos não são somente para Santo Antônio do Monte, mas para toda a região. Isso é um enorme ganho para o município. Contamos com o apoio de todos, se cuidem, usem máscara, não se aglomerem e higienizem as mãos”.

Em entrevista, o médico Eduardo Nardy que atua em Samonte, explicou como tem sido feito os atendimentos na cidade. “A orientação é procurar a UPA em casos de necessidade. Temos aí, os postos de saúde que funcionam muito bem, diminuímos agora as consultas agendadas para aumentar a demanda nos postos de saúde para receber esses pacientes com uma lombalgia, uma dor no joelho. Esses pacientes que não sejam covid, que não sejam pacientes graves e que não necessitem de atendimento urgente na UPA, descentralizamos esses pacientes para os postos de saúde, para não entrarem com uma queixa pouco grave e saírem contaminados por covid”, explicou.

Foto: Prefeitura Municipal de Formiga/ Divulgação

Em Formiga, mesmo após tentativas governamentais para torná-la exclusiva para a doença, a Santa Casa continua atendendo outras patologias do município e de mais outras cidades. A Santa Casa de Formiga é um hospital referência da microrregião e faz atendimentos de pessoas com diversos problemas de saúde, como traumas, infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), dengue hemorrágica e outras doenças. Atualmente, o município enfrenta um verdadeiro caos no sistema de saúde, chegando a abrir leitos, mas que foram insuficientes, devido a tamanha demanda, chegando a ter três pacientes que não resistiram a espera; além da dificuldade em encontrar profissionais para suprir essa necessidade. Com a alta demanda, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Formiga, passará a atender somente casos exclusivos de Covid-19.

O anúncio foi feito pela Prefeitura no dia 23 de março. Segundo a Administração, pacientes com outras demandas deverão procurar o Hospital Santa Marta. Com esta medida, mais 28 leitos de enfermaria serão usados no município para atender pacientes com a doença. Ao todo, a cidade passa a contar com 92 leitos de enfermaria disponíveis para o tratamento. Todos os pacientes que estavam na UPA, e que não estão com Covid, foram transferidos para o Hospital Santa Marta.

Em Arcos, a Santa Casa não é um hospital referência da macrorregião oeste, mas fez diversas manobras para conseguir atender a demanda do município e de pacientes de outras cidades. Recentemente, o local passou a receber somente pacientes que não estejam infectados por covid-19 e precisam tratar outras comorbidades. A Fundação Municipal de Saúde e Assistência de Arcos (Fumusa) – local, que está sendo utilizando como o hospital de campanha do município, e o Hospital São José (HSJ), estão atendendo os pacientes com covid-19. Os atendimentos na Santa Casa servirão tanto para pacientes que utilizam o sistema público de saúde como também o sistema privado.

O município também está construindo um Centro de Tratamento Intensivo (CTI) para providenciar o funcionamento de 10 leitos de CTI e mais de 30 leitos de enfermaria exclusivos para paciente com covid-19, que irão funcionar no novo bloco cirúrgico do hospital, com entrada pela Rua Messias Macedo. Os custos para funcionamento dos 10 leitos de CTI e também dos mais de 30 leitos de enfermaria para combate à covid, a princípio, serão assumidos pelo município e pela Câmara. Nesta fase, está havendo dificuldade na contratação de médicos. Diante desse fato, será reduzido de oito para quatro horas o período de funcionamento dos Programas de Saúde da Família (PSF’s), para que os médicos que atendem nessas unidades possam colaborar, também, no enfrentamento à covid na Fumusa e na ala de isolamento do Hospital São José.

Hospitais de campanha

Em Arcos, foi inaugurado no dia 6 de março um hospital de campanha para atender casos confirmados ou suspeitos de covid-19 com 18 leitos de enfermaria. Para o funcionamento do hospital de campanha houve a contratação de profissionais da saúde, mas conforme dito acima, o município já enfrenta dificuldades de contratações para ampliar o atendimento. A unidade vai funcionar no prédio da Fundação Municipal de Saúde, que fica na Rua Getúlio Vargas, nº149, no Centro. O prédio é do município e não gerará gastos extras para o Executivo.

Já em Lagoa da Prata, a secretária de Saúde apontou que não há como abrir outro local para atender pacientes com covid-19, como um hospital de campanha, pois não há profissionais suficientes para trabalhar e nem estrutura para montá-lo. “Equipe profissional está em falta no país, o próprio Zema falou em pronunciamento: Não adianta abrir leitos se eu não tenho quem vai trabalhar”, explicou.

Netwise

Devido à demanda por leitos, assim como outros municípios, Formiga decidiu construir um Hospital de Campanha para assistência de pacientes com covid-19 e com suspeita da doença. A Prefeitura informou que o atendimento médico em unidades de saúde foi suspenso pelos próximos 15 dias para que os profissionais trabalhem no Hospital de Campanha. A criação do hospital foi necessária decido ao aumento de circulação de pessoas na tenda de triagem criada para avaliar casos de covid-19, conforme informado pelo prefeito Eugênio Vilela. Desta forma, o município conta com mais 30 leitos clínicos disponíveis para o tratamento da covid-19. O prefeito ainda informou que o valor da montagem e manutenção do hospital custa cerca de R$ 15 mil por mês. Neste valor estão inclusos gastos com ampliação de efetivo e compra de insumos. Ao todo, a Prefeitura estima um gasto de R$ 30 mil por mês com o hospital.

► DEIXE ABAIXO SEU COMENTÁRIO ◄