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Cidades da região Centro-Oeste de Minas têm amanhecido cobertas por fumaça

A fumaça é muito danosa à saúde, principalmente para crianças e idosos, além de prejudicar a atmosfera, por danificar a camada de ozônio.

Rhaiane Carvalho


A região Centro-Oeste de Minas, assim como boa parte do país, vem sofrendo com o alto índice de queimadas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 2020 foi pior em relação aos números de focos detectados por satélites, mas 2021 também está preocupante quando se trata dessa região. Em 2019, a região Centro-Oeste de Minas registrou em agosto 11.187 focos; já em 2020, 13.924 focos foram registrados; em 2021, 10.369 focos foram captados pelo satélite do Instituto.

O Jornal Cidade lançou uma enquete perguntando aos leitores se a região onde moram estavam sendo acometidas por queimadas e, 97% responderam que sim. Outra pergunta é se as queimadas do final de semana (de 11 a 12 de setembro) geraram incômodo e 95% responderam que sim.

Segundo o Corpo de Bombeiros, com unidade situada em Arcos, que atende as cidades de Arcos, Japaraíba, Lagoa da Prata, Bambuí e Iguatama, em 2020, considerando que a unidade foi instalada nesse mesmo ano então alguns meses não se tem registro, no mês de agosto se registrou 57 ocorrências de incêndios florestais, e em setembro foram 65. Em agosto do mesmo ano também foram registradas 8 ocorrências de vistoria em lote vagos e, em setembro 1. Já em 2021, em agosto, foram registrados 64 casos de incêndios florestais e, em setembro, ainda não tem dados completos. Em agosto do mesmo ano também foram registradas 7 ocorrências de vistoria em lotes vagos.

Confira o balanço completo do Centro-Oeste de Minas:

(Fonte: Anuário Estatístico do CBMMG – CINDS/BM2).
(Fonte: Anuário Estatístico do CBMMG – CINDS/BM2).

 

Cuidados

Conforme a corporação, alguns cuidados podem ser tomados para evitar um possível incêndio, como evitar limpar terrenos com fogo. Confira outras orientações:

 

  • Não deixar algo com fogo perto de áreas de vegetação;
  • Aos fumantes, evitar jogar o resto de cigarro aceso;
  • Tenha cuidado e oriente crianças a não brincar com fogo;
  • Evite fazer queimadas urbanas e florestais sem autorização;
  • Faça aceiro para queimadas controladas em roçados;
  • Terrenos com mato devem ser capinados, nunca queimados;
  • Denúncias e chamados.

Segundo a médica pneumologista, Eliana Setti Albuquerque Aguiar, quando inalada, a fumaça provoca irritação das vias aéreas principalmente porque ela contém materiais poluentes.

A população mais afetada são os extremos de idade: crianças, idosos além de pessoas com problemas cardíacos. Mas isto, segundo ela, não significa que ela não agrida outras pessoas, mesmo estando saudáveis.

“Quanto mais perto da fuligem, maior é o perigo”, explica a médica, lembrando inclusive o risco que correm os bombeiros e os agricultores que moram próximo aos locais dos incêndios. De acordo com Eliana, a fuligem pode bloquear o sistema de filtragem do ar que respiramos (que são os pelos das narinas). E este bloqueio, que comumente chamamos de nariz entupido, leva as pessoas a respirar pela boca levando o ar poluído diretamente para os pulmões.

Crime ambiental

Queimar é crime ambiental. A Lei nº 9.605, de 1998, prevê prisão e multa aos responsáveis. A fumaça é muito danosa à saúde, principalmente para crianças e idosos, além de prejudicar a atmosfera, por danificar a camada de ozônio. Órgãos ambientais defendem que não há necessidade de queimar, pois há alternativas corretas e legais que podem ser utilizadas.

Consequência das queimadas

As consequências das queimadas, de modo geral, são prejudiciais, tanto ao meio ambiente quanto à saúde humana. De forma direta, as queimadas geram destruição ambiental dos biomas e áreas que elas afetam, e elas também emitem gases poluentes e fumaça, que causam mal à saúde do ser humano, quando inalados imediatamente. Outras doenças respiratórias podem ser desenvolvidas pelo contato direto com esses gases, como bronquite, sinusite e rinite.

Essa emissão de gases e fumaça também afeta o meio ambiente e contribui para o chamado aquecimento global e efeito estufa. Esses gases desequilibram a temperatura do planeta Terra, aumentando-a, promovendo diversos efeitos negativos, como desequilíbrio do ciclo da água, com ausência de chuvas em diversas regiões do mundo e aumento do nível dos oceanos, em decorrência do derretimento das calotas polares.

Com a diminuição de chuvas, temos a diminuição de áreas de vegetação natural e consequente perda da biodiversidade (fauna e flora). Com a eliminação desses biomas, há o aumento das áreas de desertos ou de processos de formação de desertos. Em suma, haverá um constante desequilíbrio ambiental se nada for feito para combater essa prática humana tão agressiva.

Incêndio em vegetação na cidade de Lagoa da Prata. (Crédito: Isabela Rezende/divulgação).

 

Incêndio em vegetação na cidade de Formiga. (Crédito: Corpo de Bombeiros/divulgação).

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