Casais enfrentam os desafios em relação à pandemia da Covid-19

Casais enfrentam os desafios em relação à pandemia da Covid-19

Apesar do número de divórcios ter crescido no país, alguns casais solidificaram ainda mais as relação com o isolamento social.

Reportagem: Karine Pires

Nesta sexta-feira (12) é celebrado no Brasil o Dia dos Namorados. Data em que para muitos casais, é o dia oficial para se declarar e também ter um dia especial ao lado da pessoa amada. Pensando nisso, o Jornal Cidade conversou com alguns casais para saber como está a relação deles nesta época, já que muitas pessoas estão convivendo por mais tempo e outros estão isolados separadamente.

Apesar do tempo em casa parecer uma ideia boa para alguns, a presença do companheiro pode ocasionar uma ruptura no relacionamento irreparável, principalmente, aos casais que estão casados.Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação, a advogada Débora Guelman, afirmou que cresceu o número de divórcios no país.

No entanto, muitos casais ainda estão descobrindo durante a pandemia que a escolha de se relacionar com o companheiro ou companheira foi uma decisão acertada.

Para Mariana Ângela e Adalberto Lério, casados há 32 anos a realidade atual não abalou na convivência do casal.

Foto: Arquivo pessoal/Mariana Ângela e Adalberto Lério)

“A pandemia, a quarentena, vieram só pra gente confirmar o que já deveríamos ter certeza, o amor. Hoje apenas nos reinventamos, dividimos as tarefas, cozinhamos juntos e temos longas conversas sobre tudo. O que antes não tínhamos tempo pra fazer.”

Para Wagner Cardoso e Cristina Assis, a pandemia também não afetou o amor de ambos e também não modificou a qualidade de vida dos dois, pois agora há mais tempo para se dedicar ao relacionamento.

Foto: (Arquivo Pessoal/Wagner Cardoso e Cristina Assis.)

“Hoje temos mais tempo um com o outro. O que nos faz ter a certeza de que nossa escolha foi certa. Mas não tivemos grandes mudanças, pois sempre prezamos pela nossa qualidade de vida. Assistimos séries, cozinhamos juntos, trabalhamos e cuidamos de nós como seres individuais e coletivo.”

Para Carlos Souza e Aparecida Souza, não foi diferente. O relacionamento foi reafirmado em tempos de pandemia e a hiper convivência não abalou a relação, pois de acordo com o casal, caso isso ocorresse, algo estaria errado há muito tempo.

“Temos anos e anos de relacionamento, então, a quarentena veio pra gente reafirmar nosso sentimento um pelo outro. Se nessa altura do campeonato a gente separasse por ficar junto, teria algo errado há muito tempo. Nosso filho está criado, então, agora temos a nós, e temos que nos cuidar da melhor forma.”

Dicas para lidar com a nova realidade 

Os casais que conversamos, estão convivendo na pandemia e, apesar de terem relatado que estão reafirmando o amor em que ambos sentem um pelo outro, às vezes pode haver desentendimentos ou mesmo, a dificuldade de administrar a saudade do companheiro ou companheira se estiverem separados devido ao isolamento social. O Jornal Cidade conversou com a psicóloga Luciene Morais, para dar dicas para os casais lidarem com as novas realidades.

Em relação aos casais que estão distantes, Luciene reforça que a distância física pode ser aliviada por meio de contatos telefônicos e vídeo chamadas, porque ver e ouvir a voz de quem se ama pode ser um conforto para ama, mesmo que seja virtualmente.

A distância física não significa distância afetiva e o envio cotidiano de mensagens carinhos e “selfies”, são boas opções para aproximar afetivamente o casal. Outra maneira de fortalecer o relacionamento, seria o compartilhamento de assuntos em comum entre os casais, para que haja aproximação. Uma alternativa seria combinarem de assistir a séries juntos virtualmente, através de ferramentas e redes sociais e seguida conversarem sobre o que foi assistido.

Já em relação aos casais que estão hiper convivendo, a psicóloga destaca que é preciso que cada um mantenha seu espaço mesmo estando no mesmo ambiente.

 Estar no mesmo ambiente não significa ficar “grudado” um no outro o tempo todo. É importante separarem um período do dia para estarem em espaços físicos diferentes, por exemplo, um no quarto e outro na sala. Neste período devem aproveitar para fazerem atividades diferentes. Enquanto um lê um livro, o outro pode assistir o programa de TV favorito.

Luciene, afirma que a proximidade excessiva pode fazer com  que as diferenças fiquem mais evidentes.

“Com a proximidade excessiva as diferenças ficam mais evidentes. Ficar o tempo todo dando ordens ao outro sobre o que ele deve fazer ou ficar reclamando ou criticando pode desgastar a relação e gerar conflitos. Respirar fundo e acalmar-se antes de sair chutando o balde é um exercício a ser praticado diariamente. Após acalmar-se converse claramente sobre seus sentimentos e expectativas quanto à situação que lhe incomodou.” Destaca a psicóloga.”

E para finalizar, a proximidade física não significa proximidade afetiva. A presença constante do outro não significa que gestos de carinho e amor devem ser esquecidos, pois pode abalar o relacionamento.

Proximidade física não significa proximidade afetiva. Por incrível que pareça, estar junto o tempo todo pode favorecer para que ocorra negligência afetiva. Manifestar carinho por gestos e palavras pode aproximar afetivamente o casal, reduzindo inclusive situações de conflito. Conclui, Luciene.

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