Carlos Lúcio Gontijo - A culpa é da bola quadrada

Carlos Lúcio Gontijo – A culpa é da bola quadrada

Carlos Lúcio Gontijo é Poeta, escritor e jornalista | www.carlosluciogontijo.jor.br

Não compreendo bem o que se passa, apenas torço para que tudo termine logo, pois não estamos mais discutindo política, que é a arte do diálogo e do entendimento possível entre contrários. Os comentaristas de televisão e os articulistas dos jornais ficam numa disputa infantil, em busca de quem produz a melhor frase de efeito sobre o imbróglio, no qual todos agem como crianças, sob o desejo de destruir tanto o brinquedo quanto a brincadeira da politicagem em que se meteram e que a todos arrasta, semeando a discórdia Brasil afora.

A vida me ensinou que o desvario coletivo cria uma bola quadrada intangível, que não tem lado e, por não ter lado, independentemente da posição que ocupam, todos julgam estar do lado certo. O drama desse esporte nada desportivo, com esfera que não é redonda, advém da constatação de que ninguém consegue marcar gol e nem traçar qualquer regra, prevalecendo o jogo de empurra.

O planeta Terra, na visão derivada da luta renhida em torno da bola quadrada, não é mais uma esfera a girar no espaço sideral, mas um tamborete individual, onde cada um fica a planejar como tirar uma vantagenzinha dentro do grupo social em que vive. Há até quem peça a ajuda do divino espírito santo para afastar o colega de trabalho, rogando que lhe sejam enviadas poções diabólicas de infelicidade, em nome de um deus tão estranho quanto a bola quadrada, com a qual se tenta praticar o novo e moderno esporte, cuja filosofia está centrada na procura de que não haja vitoriosos, sob a premissa esdrúxula de que a derrota geral é mais palatável: não provoca inveja nem revanchismo!

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Ou seja, a política não está inventando nada, ela é apenas reflexo da sociedade materialista, embebida nas profundezas de um vale-tudo sem precedentes. Não mais tenho perdido tempo com as caras e bocas do jornalismo, onde tudo é editado conforme os tais interesses superiores, que se nos apresentam sempre acima dos anseios da população, que quanto mais humilde mais representante é da reserva moral da sociedade, que é vista pelos dirigentes constituídos como um conjunto de bonequinhos de videogame – facilmente deletado e descartado!

Estou com 62 anos e, como dizia o escritor mineiro Pedro Nava, “tenho mais luz na traseira que na dianteira”. Não viverei outros 60 anos e, por isso, não me disponho a perder tempo com o que não tem a mínima possiblidade de dar certo. Retornei, assim, aos artigos, aos meus livros e ao meu site, que estão sob o meu domínio. “O guarda-chuva do Simão”, minha terceira obra infantil, está impresso: são três mil exemplares guardados em apartamento de apoio no bairro Eldorado, em Contagem.

Na correria, tenho o livro “Tempo impresso” em trabalho de digitalização e diagramação. Minha busca, agora, é não perder o foco, que sem trocadilho me remete a duas cirurgias oftalmológicas que farei em janeiro de 2015, ainda como parte do processo da intervenção que sofri no olho esquerdo, no dia 4 de julho passado, para tratamento de “buraco na mácula”.

Enfim, parafraseando o saudoso compositor Zé Keti, se alguém perguntar por mim, diga que fui por aí, com um livro debaixo do braço (e guiado pelo vício de fazer literatura) num país de pouquíssimos leitores, o que nos conduz a administradores públicos insensíveis e que, mesmo ungidos pelas urnas, transformam a democracia naquela mesma supracitada bola quadrada, que só rola movida pela força, com a ditadura se mantendo rediviva e legitimada a cada eleição.

 

Carlos Lúcio Gontijo é Poeta, escritor e jornalista | www.carlosluciogontijo.jor.br
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