Aumento de casos positivos de covid-19 entre jovens e adolescentes da região acende sinal de alerta

Aumento de casos positivos de covid-19 entre jovens e adolescentes da região acende sinal de alerta

Mesmo com os hospitais lotados e falta de vagas e materiais para intubação em UTIs, a população jovem continua se reunindo em festas clandestinas. O resultado é devastador.

Roberta de Oliveira

@betavox_13


Recentemente, começou a circular nas redes sociais de Lagoa da Prata a notícia da morte de um bebê, vítima do coronavírus. O caso aconteceu no fim de janeiro, mas somente na semana passada foi levantada a suspeita de que a causa da morte poderia ter sido covid-19. Segundo investigação da Secretaria Estadual de Saúde, divulgada no dia 12 de março, a criança faleceu devido à doença mitocondrial, uma doença genética que fez com que ela permanecesse a maior parte da vida no hospital, falecendo devido às sequelas dela. Ainda assim, o fato foi suficiente para, somado ao aumento considerável de casos na cidade, levar a população a pensar de que a nova variante do coronavírus pode estar rondando a nossa região.

Segundo informações oficiais do Governo de MG, a Secretaria Estadual de Saúde foi oficialmente comunicada, no início deste mês, sobre a confirmação laboratorial de novas variantes do covid-19 em Minas Gerais. No entanto, estes casos estão concentrados na região central do estado, sendo a maioria em Belo Horizonte. Não há relatos oficiais de casos confirmados da nova variante do coronavírus em outras regiões do estado.

Em entrevista para o Jornal Estado de Minas, a professora Santuza Teixeira, membro da equipe do CTVacinas e professora do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG, que coordena estudos sobre a nova variante do coronavírus na capital, as variantes surgem em locais onde há descontrole na transmissão, com uma explosão no número de casos. “Em outras regiões de Minas, as chances de ser encontrada a linhagem de Manaus pode ser maior”, afirma.

Segundo o Médico Regulador do Município de Lagoa da Prata, Amarílio Fernandes, o perfil epidemiológico do município mudou.

“Muito provavelmente em decorrência das novas variantes, que estão circulando no estado: a variante P1, que veio de Manaus e a P2, do Rio de Janeiro. Estas variantes trouxeram para nós um covid mais potente que, infelizmente, está infectando e matando mis pessoas, principalmente os jovens. Hoje nós temos casos de internação de jovens de 21 e 24 anos o que a gente não tinha no ano passado”.

Na primeira quinzena de março, o Brasil bateu recordes seguidos de mortes pela covid-19, com média móvel de mais de 2000 mortes por dia. O sistema de saúde, tanto público quanto privado, está em colapso. Não há vagas para internação. Prefeitos alertaram que os estoques de oxigênio e kit para intubação de pacientes estão acabando, sem previsão de uma solução no curto prazo.
Em um vídeo divulgado na noite do dia 18 de março, pelo Hospital São Carlos, funcionários alertaram que a entidade está no limite da capacidade, com 100% dos leitos de UTI ocupados. A Farmacêutica responsável pelo hospital, Ângela Helena, alertou:

Netwise

“Estamos em risco iminente de falta de medicamentos e insumos para intubação de pacientes. É uma situação generalizada, que ocorre no Brasil inteiro, pois os fornecedores não tem estoque para nos atender. A demanda por oxigênio no Hospital quadruplicou e os fornecedores não tem previsão de atender”.

Casos entre jovens aumentaram desde o início do ano

Os casos de crianças e adolescentes infectadas têm aparecido com mais frequência na região Centro-Oeste de Minas Gerais. No boletim epidemiológico divulgado na terça-feira (16), pela Secretaria de Saúde de Arcos, dos 67 casos positivos, quatro eram de crianças com idade de 1 a 6 anos e sete de adolescentes. Avaliando a idade entre jovens de 20 a 30 anos, temos 11 casos confirmados. Ou seja, cerca de 30% dos casos confirmados. A cidade criou um Hospital de Campanha para atender à população e, no momento, existem dezessete pessoas aguardando transferência para hospitais de MG.

Na cidade de Luz, houve a confirmação de infecção de um bebê, de um ano de idade, no boletim divulgado no dia 17. Em Lagoa da Prata, de janeiro até o boletim desta quinta (18), tivemos 14 casos confirmados para crianças e adolescentes (de 0 a 20 anos) e 23 casos de jovens com idade entre 20 e 30 anos. Em Samonte, na coletiva de imprensa sobre o Decreto Estadual da Onda Roxa, o diretor geral da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Eduardo Nardy, alertou sobre o aumento de casos de internação entre a população jovem, especialmente com idade entre 38 e 50 anos.
Muitas pessoas diminuíram os cuidados em relação às medidas de prevenção ao covid-19, principalmente após o início da vacinação no país. No entanto, apenas 1,9% da população receberam as duas doses da vacina, segundo dados divulgados pelo Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das Secretarias Estaduais de Saúde.

Segundo a Secretária Municipal de Saúde de Lagoa da Prata, Margarete Dias, o número de internações de pessoas com idade acima de 80 anos diminuiu após o início das vacinações. Mas, ao mesmo tempo, o número de casos e internações de pessoas com idade até 70 aumentou consideravelmente. Veja no gráfico a seguir, retirado do último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura.

Festas clandestinas

As festas clandestinas entre a população mais jovem continuam acontecendo, mesmo com o aumento da fiscalização. Com isso, o índice de internação e mortes entre os jovens tem aumentado em todo o Brasil. É preciso cuidado e, principalmente, empatia e respeito ao próximo. Estamos todos cansados, no limite. Não temos motivos para comemorar, festejar. Precisamos de mais amor e consciência. Vamos cuidar da nossa saúde e daqueles que amamos. Por favor, fiquem em casa!

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