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Atraso na vacinação e ausência de cuidados: covid-19 segue fazendo vítimas no Centro-Oeste MG

Sete meses após as primeiras aplicações das vacinas contra a covid-19, cidades da região ainda continuam registrando óbitos.

Rhaiane Carvalho


Que a vacinação chegou tarde no país isso todos já sabem e muitos sofreram na pele perdendo parentes e amigos, sendo afetados em seus trabalhos, estudantes sem poder voltar às aulas; muitas pessoas, que puderam, se viram e veem fechadas em casa enquanto boa parte da população teve que seguir para se manter. O país ainda vive o caos da morte assolando diversas famílias mesmo com a vacinação em andamento. Mas o fato é que ela não chegou para muitas pessoas. Em Lagoa da Prata, por exemplo, quando a primeira dose foi aplicada, em 19 de janeiro de 2021, mais de 30 famílias já tinham perdido alguém para a doença. Em Moema, na mesma data, o município já contabilizava 3 óbitos. Em Arcos, quando a primeira dose também foi aplicada, já havia quase 20 óbitos. Em Japaraíba, no dia 20 de janeiro, era registrado 3 óbitos.

De lá pra cá, a região viveu um caos, sendo necessário até toque de recolher e diversas medidas restritivas como o fechamento do comércio. Mas as mortes não pararam. Sete meses após as primeiras aplicações das vacinas contra a covid-19, cidades da região ainda continuam registrando óbitos.

Vacina e esperança

A vacinação tem sido grande alento para muitas pessoas. A imunização é conhecida como uma das ações em saúde de maior eficiência, tendo grande impacto na redução da mortalidade e aumento no número de anos vividos. De acordo com a médica Tatiana Guimarães de Noronha, a vacinação é uma forma segura e eficaz de prevenir doenças e salvar vidas.

“Graças às vacinas foi possível erradicar a varíola do mundo e controlar doenças como a poliomielite, as sequelas da rubéola em recém-nascidos e surtos de febre amarela, por exemplo. Segundo a OMS, hoje, existem vacinas contra cerca de 20 doenças, as quais salvam a vida de até 3 milhões de pessoas por ano. Não podemos fechar os olhos para o avanço da ciência na prevenção de doenças infecciosas a partir do desenvolvimento de vacinas com tecnologias cada vez mais avançadas. Acredito que a importância das vacinas para a sociedade ficou ainda mais evidente com a pandemia da covid-19”.

Confira como está a vacinação em algumas cidades da região Centro-Oeste de Minas:

Cidade

Óbitos

Tomaram a 1ª dose

Tomaram a 2ª dose Tomaram dose única
Japaraíba          8      2.819        924       153
Arcos       148    26.752      9.939     1.438
Lagoa da Prata      164     26.256    11.217    1.075
Samonte       89    18.007     5.328      537

Moema

      14

    4.064

    2.019

    131

*Dados coletados em 22 de agosto de 2021 no site Vacinômetro, do Governo Estadual.

Mas se hoje a vacinação está andando então por quais motivos ainda há pessoas morrendo?

Segundo a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) mesmo que as pessoas se vacinem ainda é necessário que se tomem os devidos cuidados até que a doença tenha, de fato, sido erradicada ou controlada.

“Nenhuma vacina disponível no Brasil, a da Pfizer, a Janssen, AstraZeneca ou a CoronaVac asseguram 100% de proteção. As pessoas continuam precisando de cuidados, como uso de máscara e distanciamento social. Mas a efetividade das vacinas é indiscutível. Basta ver que nos países com vacinação avançada, como Israel e Inglaterra, mesmo com aumento de casos por causa da variante Delta, o número de internações e mortes são proporcionalmente muito menores, resultado direto da imunização”.

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) avaliou o efeito das vacinas contra o novo coronavírus na população brasileira e concluiu que 91,49% das pessoas que morreram pela infecção, entre maio e julho deste ano, não tinham tomado vacina ou não estavam totalmente vacinadas com as duas doses ou dose única, no caso do imunizante da Janssen.

A mesma pesquisa demonstrou que 84,9% das pessoas imunizadas que morreram no país tinham algum fator de risco para a covid-19 e 87,6% tinham 70 anos ou mais. A incidência de agravamento de quadros em pessoas idosas, mesmo que vacinadas, tem uma explicação biológica. A imunossenescência é o processo de envelhecimento e desregulação da função imunológica nos organismos de idosos, o que contribui para o aumento da suscetibilidade a infecções por vírus e bactérias, além do desenvolvimento de doenças como o câncer e a redução da resposta vacinal imunológica. “Se a gente estiver numa guerra, com homens treinados, a chance de a gente ganhar é muito maior do que chamar pessoas da reserva que não foram treinadas para vencer o combate”, disse a médica.

Para ganhar essa guerra, no entanto, a cobertura vacinal na maior parte da população é fundamental.

“A vacina em si é somente um produto. A estratégia mesmo é a vacinação. Vacina sem vacinação não adianta nada. Não adianta apenas você se vacinar, as outras pessoas também precisam disso para gerar proteção coletiva”, ressalta Isabella Ballalai.

A médica lembra, por exemplo, o caso do vírus do sarampo. A doença que foi considerada erradicada no Brasil em 2016, com direito a certificação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), voltou a atingir a população em 2019, revertendo esse status. O motivo foi a vacinação abaixo do esperado.

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