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Artigo: Quando os pais invadem o casamento dos filhos

Quando os pais invadem o casamento dos filhos, quando invadem essa fronteira invisível, ou quando os filhos não conseguem se distanciar emocionalmente dos seus pais, problemas de relacionamento costumam aparecer.

Existem fronteiras invisíveis que distinguem as relações que estabelecemos. O casal, por exemplo, quando se casa, cria uma fronteira que o distingue como uma nova família. Em outras palavras, as duas pessoas que se unem se distanciam emocionalmente das suas famílias de origem para consolidar a união. Assim, o maior vínculo de pertencimento do casal não é mais com os seus pais, mas sim com a sua nova família, com a sua própria família. Pelo menos, é assim que normalmente percebemos as famílias saudáveis. Quando os pais invadem o casamento dos filhos, quando invadem essa fronteira invisível, ou quando os filhos não conseguem se distanciar emocionalmente dos seus pais, problemas de relacionamento costumam aparecer.

As fronteiras invisíveis protegem o relacionamento. O novo casal possui o desafio de se fortalecer enquanto casal. Isso significa construir um vínculo de pertencimento no qual os dois se reconheçam como uma família. Os dois se unem para compartilhar a vida. Sem essa proteção, o casal fica mais vulnerável a invasões externas. Decisões importantes para a nova família podem ser compartilhadas primeiro com os pais, como se a aprovação deles fosse mais importante que a do cônjuge. Problemas no casamento podem ser compartilhados com os pais, que costumam “ficar do lado” do filho, minimizando os seus erros e, assim, mantendo o conflito conjugal. O apoio emocional necessário em um casamento pode ser buscado mais nos pais que no cônjuge, fortalecendo assim mais a união maternal ou paternal que a conjugal. A opinião dos pais pode ter mais importância que a do cônjuge, limitando assim a capacidade do casal de criar o necessário vínculo de pertencimento. Inúmeros outros padrões problemáticos podem aparecer.

Quando os pais invadem o casamento dos filhos, essa invasão acontece em uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que os pais invadem uma relação que não os pertence, o filho permite essa invasão. Em outras palavras, o filho não consegue se distanciar emocionalmente dos seus pais para criar uma união conjugal e um novo vínculo de pertencimento. Frequentemente, o filho se sente culpado quando enfrenta os pais. Culpa-se por se colocar em oposição a quem o criou e amou e, não raro, por ser pressionado a colocar o cônjuge na frente deles. A culpa o paralisa e o mantém na relação de dependência emocional dos pais.

Rodrigo Tavares Mendonça é psicólogo e especialista em psicoterapia de família e casal. Contato: (37) 9.9924-2528,

Os pais querem o melhor para o filho, então não percebem que a sua invasão prejudica o casamento dele. Eles acreditam que precisam proteger o filho dos abusos do cônjuge. Geralmente, o padrão mais comum é o da mãe superprotetora que quer proteger o filho da nora abusiva. As duas, então, rivalizam-se para ganhar a preferência do filho/marido. O filho/marido, espremido entre as duas exigências opostas, incapaz de atender a essas duas expectativas, pode adoecer mentalmente, ou seja, desenvolver um transtorno ansioso ou depressivo, por exemplo, quando não consegue equilibrar a situação. A mãe, querendo o melhor para o filho, não percebe que o mantém em uma posição infantil de dependência emocional dela.

Distanciar-se emocionalmente dos pais significa se aproximar mais do cônjuge para construir um vínculo de pertencimento, para construir a sua própria família. Quando não existe esse distanciamento, o que aparece é uma dependência emocional dos pais. Os filhos, quando crianças, são dependentes dos pais. Contudo, faz parte do crescimento psicológico das crianças conseguir se distanciar emocionalmente dos pais para ser adulto e independente. Em outras palavras, ser responsável por si mesmo e pelos outros. Essa conquista da fase adulta, a conquista da independência emocional dos pais, é fundamental para que esse novo adulto consiga criar um vínculo de amor e pertencimento e construir a sua família. Assim, distanciar-se emocionalmente dos pais não significa não estar próximo emocionalmente deles ou não existir uma relação de amor e carinho com eles. Significa apenas que se conseguiu a distância necessária para se vincular amorosamente com uma nova pessoa.

Frequentemente, os casais, ou pelo menos o cônjuge mais dependente emocionalmente dos pais, não percebe como essa aliança com os pais prejudica o seu casamento. O marido, por exemplo, costuma considerar como implicância ou exagero da esposa a reação de oposição que se criou entre ela e a sogra. Não percebe como o vínculo de pertencimento com os pais o impede de se aliar à esposa. Quando essa aliança não acontece com a força suficiente para criar o vínculo de pertencimento entre o casal, os dois começam a entrar em conflito por pequenas discordâncias, a primeira reação de um passa a ser se colocar em oposição ao outro. Quando um fala, o outro discorda primeiro para pensar depois. Eles entram em conflitos constantes e não percebem que o problema, no fundo, não está nas discordâncias, que são naturais em casais, mas na falta de aliança entre eles, de vínculo de pertencimento, pois a proximidade emocional exagerada com os pais de um deles está prejudicando essa união.

 

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