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Ele sempre foi um homem apaixonado pelo futebol. Toda a sua vida sempre ficou por ali, em torno dele, ora como goleiro, ora como atacante, ora como juiz, ora como roupeiro. Dependia do que o time estava precisando.

Com ele não havia corpo mole. Se faltasse jogador no time, ele vestia a camisa e dizia que era “amor demais” pelo clube. Cada dia da semana vestia uma camisa diferente, de times de futebol. Sempre foi apaixonado pelas camisas com cores fortes dos times italianos, as camisas e shorts bem feitos e acabados dos times ingleses.

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Sabia os nomes dos principais jogadores das décadas de 60 e 70 e recitava-os de cor, de cabeça. Assistiu o Santos e o Botafogo em suas fases mais ricas, em jogadores, títulos e gols. Sempre foi fascinado por futebol.

E por aqui na terrinha, ia de campo a campo assistir, jogar, auxiliar, não importa. O que interessava é que ele lá estava junto à sua verdadeira paixão: o campo, a bola. Dono de frases memoráveis, afirmava que “futebol é bola dentro do retângulo; o resto é fascismo!”; outra: “tesão bom mesmo é ver a bola passando por cima da barreira e morrendo no ângulo oposto do goleiro, com a galera gritando seu nome!”; “juiz bom é aquele que ao final do jogo, você nem se lembra do nome”. E iguais a estas temos várias.

A idade foi se aproximando e ele ganhou de presente a ‘diabetes’. Cuidou como pôde da saúde, mas nunca deixou de lado o futebol, principalmente o amador. Disse contudo que não jogou em grandes times, nem mesmo aqui em Lagoa da Prata.

Era mais um admirador mesmo. Vencido pela insistência das filhas em ir tratar-se no Rio de Janeiro com médicos especialistas na diabetes, para lá se mudou na tentativa de alcançar recursos que lhe pudessem auxiliar a vencer as constantes injeções de insulina. Pediu à filha mais velha para levá-lo a um campo de futebol existente nas proximidades de sua casa, em Realengo, no Rio.

Pediu à filha para deixá-lo sozinho um minuto. Ficou pensativo a olhar o campo de futebol, admirando-o, namorando aquelas quatro linhas que tantas histórias, tantas coisas boas lhe rendera. Quando a filha perguntou pelo pai, ele estava ali, em sua cadeira de rodas, com o rosto alegre, com um sorriso largo, prazeroso, mas infelizmente, sem vida.

E foi enterrado com a camisa da Seleção Brasileira, com bandeiras de times e cornetas, do jeito que ele queria, com a torcida, baixinho, gritando gooollll! E depois, seu nome: – “Descanse em paz, Zérzão!!!”

Descanse em paz!

Histórias que o povo conta!!!!

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