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O Zé certa vez me passou um susto. Disse ele que o Samuel da Rádio havia batido as botas. E eu trabalhava na época na Rádio Tropical e fiquei atônito. Nossa: que notícia. Que sorte. Primeiro emprego e o patrão falece. Nem contei nada em casa. Todos lá gostavam muito do Samuel, principalmente a minha avó, Dona Fia, que sempre possuiu por ele grande estima e admiração.

Encontrei-me com o Sr. Osvaldo de Freitas saindo da Rádio, descendo as escadas. Calado, taciturno, como sempre, perguntei-o se tudo estava bem e ele me disse que sim. Logo em seguida perguntou a mim se eu estava bem, o que lhe respondi com emoção e lágrimas nos olhos, que não. Desculpei-me, dizendo que iria subir e ver como estavam as coisas. A Rádio pelo visto, estava funcionando em mais que perfeita ordem.

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Subi a escada encontrando com Adriana Cristina na recepção, muito sorridente, mostrando todos os dentes, com um grande e largo sorriso, coisa muito sua. Como eu sempre chegava em cima da hora quando não atrasado, abracei-a e disse que a notícia era muito ruim. O Cassiano estava saindo da sala do Vicente Martins rindo a toa. Tinha conseguido mais uma folga.

O Tiago estava tranquilo junto à máquina de escrever terminando de forma competente, como sempre, a redação do jornal do Meio Dia. O Weber com a sua cara ruim passava a todo momento de um lado a outro.

O Vilmar Pereira estava no estúdio apresentando o Esporte Livre, bem como o Iraci de Abreu, rindo a toa com as trapalhadas de um árbitro num jogo do dia anterior. Todos tranquilos.

O Ascânio de Andrade, percebendo que eu estava sem entender nada, perguntou se eu estava com algum problema, o que eu respondi que não. Perguntei o Vicente Martins se Samuel estava bem o que ele respondeu que “deveria estar”, que não saberia informar porque não “dormia com o Samuel”, rindo em seguida.

Fiz a locução do jornal, trabalhei como sonoplasta para a Andreia de Souza e saí, louco da vida para encontrar o Zé. Saí a procurá-lo. Na porta do Crediprata o “Mané Boi” e o “Adelson Pezão” disseram que não tinham visto o Zé.

O Luiz mecânico afirmou que ele estaria no bar do Zé Leiteiro. Me dirigindo para lá, encontrei-o no salão do Sô Rafael, agora Salão Popular, cortando o cabelo. De forma calma e tranquila, perguntou pelo meu pai e sorriu.

Perguntei-o se era realmente honesto mentir para as pessoas, fazendo troça de morte de gente que não havia acontecido. Disse a ele que não era boa coisa brincar com a morte das pessoas e o sofrimento de outras.

Ele retirou o pano de sobre o corpo, pedindo licença ao Sô Rafael para perguntar-me o que eu havia dito. Repeti que não era honesto, que não era elegante dizer que as pessoas haviam morrido. E que ele não fizesse mais isto, visto sua barba e cabelos brancos; que brincadeira tinha hora e outras coisas…

O Zé com um sorriso disse-me que não contara mentira alguma. Dissera que o Samuel havia batido as botas. E eu fiquei olhando pra ele, de forma grave e sentida. Ele, novamente sorrindo disse que o Samuel havia batido as botas na entrada da Rádio, visto que sujara de barro no sítio. Risadas para todos os lados.

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