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Mais de 50 jovens compareceram à Câmara na reunião de segunda-feira (14/03) para acompanhar a apresentação do projeto
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Anteprojeto de autoria do vereador Di-Gianne Nunes facilita o acesso ao primeiro emprego

A forte presença de jovens querendo atuar no mercado e se encaixar de alguma forma nas estatísticas de emprego fez com que o vereador Di-Gianne Nunes/PPS apresentasse na Câmara um Anteprojeto que ofereça mecanismos para dar a eles a oportunidade de conquistar o primeiro emprego.

O texto do Anteprojeto de Lei 06/2016 foi aprovado na reunião do Legislativo na última segunda-feira (14/03) e institui um incentivo fiscal destinado a estimular as empresas de Lagoa da Prata a contratarem jovens na faixa etária de 18 a 24 anos que buscam
o seu primeiro emprego. O plenário recebeu a presença de dezenas de adolescentes que ainda não conseguiram uma ocupação no mercado de trabalho. O texto do anteprojeto foi aprovado por todos os vereadores e agora segue para a análise do Poder Executivo.

Maicon e Thaís relatam o drama de encontrar as portas fechadas porque não possuem experiência profissional
Maicon e Thaís relatam o drama de encontrar as portas
fechadas porque não possuem experiência profissional
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Dentre os jovens que assistiram a votação estavam Maicon Vitor Silva Ribeiro e Thaís Souza Silva, ambos com 18 anos, já concluíram o Ensino Médio e ainda não conseguiram o primeiro emprego. Residente no bairro Maria Fernanda, Maicon diz que já
pensou em desistir de procurar trabalho após inúmeras recusas dos empregadores. “Todos nos dão as costas. Já bati em mais ou menos 15 portas. Eles dizem que é preciso ter experiência, que sou muito novo, que acabei de sair da escola agora e para eu ter calma, que minha hora irá chegar. Cheguei a pensar em desistir, mas minha mãe me incentiva a continuar procurando.
Aceito qualquer tipo de emprego”.

Além de concluir Ensino Médio, Thaís tem curso de informática e técnico em administração. Ela diz que também fez inscrição no Programa Jovem Aprendiz, mas nem assim conseguiu uma ocupação no mercado de trabalho. “Já distribuí currículos para todas as áreas. Tive uma oportunidade de fazer entrevista, mas não me aceitaram por não ter experiência. No Jovem Aprendiz, me foi dito que seria disponibilizada uma vaga, mas até agora, nada. Como vou ter experiência se as empresas não dão nem a oportunidade de mostrarmos nosso potencial?”, questiona.

A garota deixou de cursar uma faculdade em 2016 por não ter emprego. “Quero fazer engenharia civil ou ciências contábeis. Prestei o Enem e passei em alguns vestibulares, mas como vou pagar as despesas se não tenho trabalho, lamenta a jovem.

Empresário apoia

O fotógrafo e empresário Lindomar Rodrigues, diretor do estúdio Lindomar Fotógrafo, avalia positivamente a proposta de um incentivo municipal para incentivar o primeiro emprego

Empresário Lindomar Rodrigues avalia que a iniciativa também poderá beneficiar os empresários
Empresário Lindomar Rodrigues
avalia que a iniciativa
também poderá beneficiar
os empresários

dos jovens. Ele possui 7 funcionários, dos quais 5 estão tendo
a primeira oportunidade do mercado de trabalho. “Inclusive estou contratando outro jovem. Digo para eles que estou fazendo uma aposta. Eu aposto na competência deles e eles apostam na empresa. Digo para fazerem o melhor que puderem com essa oportunidade, e tem funcionado bem. Tenho colaborador que está conosco há 6 anos. Este é o primeiro emprego dele”, comemora Lindomar. “Ele aprendeu a fazer vídeos, fotos, edição e hoje tem plano de saúde e recebeu melhoria no salário, tudo registrado
em carteira”.

Para o fotógrafo, o Anteprojeto de estímulo ao primeiro
emprego fará os empresários a reavaliarem a situação. “O incentivo tributário é importante para as empresas, mas o jovem precisa ter consciência de que fará parte de uma iniciativa séria e precisará trabalhar com seriedade, pois já vi outros colegas empresários reclamarem que deram oportunidade e os contratados não levaram o trabalho a sério”, conclui.

Vereador explica detalhes do anteprojeto

Jornal Cidade: Qual foi a sua maior motivação ao apresentar este Anteprojeto?

Vereador Di-Gianne Nunes é o autor do Anteprojeto.
Vereador Di-Gianne Nunes é o autor do Anteprojeto.

Di-Gianne: Conviver com essa realidade. O fato de eu ser professor dos anos finais do Ensino Médio vejo no olhar de cada aluno a preocupação de não conseguir emprego ao concluir a formação. Até ex-alunos tem me relatado a dificuldade em encontrar uma vaga no mercado de trabalho, pois, na maioria das vezes, os empregadores pedem experiência comprovada e os jovens quase sempre estão com o currículo em branco.

Programas como o Jovem Aprendiz não atende esse público?
Di-Gianne: O Programa Jovem Aprendiz abre portas. É uma iniciativa do governo federal. Para você ter uma ideia, hoje temos em Lagoa da Prata 4.400 jovens na faixa etária de 15 a 19 anos. E cerca de 160 estão empregados por meio do Menor Aprendiz. É muito pouco. E ainda tem a questão de que muitas empresas contratam só porque são obrigadas pela lei. Algumas até preferiram pagar multa do que contratar jovens.

Qual a diferença do seu Anteprojeto com o Programa Menor Aprendiz?

Di-Gianne: Todos os Projetos e Anteprojetos que apresentei na Câmara foram elaborados após muito estudo. Analisei jurisdição e pesquisei em outras cidades iniciativas que já foram implantadas que deram certo. O Governo Federal já lançou outros projetos diferentes do Menor Aprendiz, com o Programa Nacional do Primeiro Emprego, que não funcionou e não saiu do papel porque não teve uma grande divulgação como outros programas do governo. Não existe benefícios para que as empresas contratem os jovens. O Anteprojeto que estou apresentando vai dar benefícios às empresas que fizerem a adesão e contratarem jovens que ainda não tiveram o seu primeiro emprego. Elas receberão descontos no ISSQN, IPTU e até no Alvará.

O Anteprojeto foi aprovado pelos demais vereadores. Qual é o próximo passo para que vire realidade?

Di-Gianne: O vereador pode apresentar um Anteprojeto que, se aprovado pelos vereadores, precisa ser aprovada pelo prefeito porque há uma renúncia nos tributos fiscais do Município. Gosto de citar o exemplo do Programa Bolsa Atleta, que nasceu como um Anteprojeto, que saiu da Câmara aprovado pelos nove vereadores. Depois ele foi muito discutido com os atletas, profissionais, Conselho de Esporte, assessoria jurídica da Prefeitura, com o prefeito. Depois de um ano e meio o projeto foi aprovado e no ano seguinte ainda foi melhorado. A aprovação dos vereadores e a divulgação do mesmo, mostrando os benefícios para Lagoa da Prata, e depois contar com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento e do Executivo para aprovar e colocar em prática.

A sua proposta é para jovens de 18 a 24 anos que ainda não conseguiram o primeiro emprego?

Di-Gianne: Sim. É para quem ainda está com a carteira de trabalho em branco. Os empresários exigem experiência comprovada para contratar, mas ninguém deu experiência para os jovens.

O espaço está aberto para as suas considerações
finais.
Di-Gianne: De acordo com o IBGE, cerca de 900 jovens completam 18 anos de idade anualmente em Lagoa da
Prata. Não podemos fechar os olhos para essas pessoas que precisam ser inseridas no mercado de trabalho. Esta nossa proposta também é muito boa para as empresas, que têm muitas vantagens também, como a redução dos impostos municipais.
Com esses jovens empregados, teremos uma circulação maior do dinheiro, mais recursos movimentando a economia local e acaba voltando para os cofres públicos em forma de impostos.

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