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Pipas presas na rede elétrica é algo comum em todo o Brasil.
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O período de férias escolares combinado com a temporada dos ventos. Mistura que agrada a crianças e adolescentes, que aproveitam para soltar pipas. A brincadeira, porém, deixa de ser saudável quando coloca vidas em risco. O Corpo de Bombeiros em Divinópolis alerta sobre o perigo de corte por cerol ou de eletrocussão por contato direto com a rede elétrica durante tentativas de remover esses brinquedos de fiações. Problema percebido também em Araxá, no Alto Paranaíba. De acordo com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), somente nos dois últimos anos, uma pessoa morreu e três tiveram ferimentos graves ao tentar remover pipas da rede elétrica no estado. A multa para quem solta pipas com cerol ou perto da rede elétrica varia de R$ 100 e R$ 1,5 mil.

O cerol é uma substância proibida feita à base de cola, pó de vidro e outros compostos que são bons condutores de eletricidade. Quem produz o cerol normalmente o faz para cortar linhas de outras pipas. Em contato com a pele, esse composto é capaz de provocar graves ferimentos e levar à morte.

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No dia 21 de agosto de 2012, um motociclista que transitava pela MG-050 em Divinópolis foi atingido por uma linha com cerol. Ele teve ferimentos no queixo e no pescoço. Bombeiros fizeram os primeiros socorros e recolheram a linha para evitar mais acidentes.

Bombeiros socorrem vítima de cerol (Foto: TV Integração/Reprodução)
Bombeiros socorrem vítima de cerol
(Foto: TV Integração/Reprodução)

Em Araxá, um motociclista foi ferido perto do nariz e olho. Isso levou a Polícia Militar a fazer uma campanha na cidade par alertar aos condutores de moto sobre o perigo desse tipo de acidente. Uma das orientações inclui a instalação de antenas no guidão da moto. Elas servem para barrar a linha, impedindo que toquem o corpo do condutor.

O tenente Carlos Alberto Ramos, do Corpo de Bombeiros em Divinópolis, afirma que a cidade registra, em média, 65 a 70 acidentes com motociclistas todos os meses e que a imprudência é uma das principais causas. A falta da antena que serve para proteger o motociclista é considerada uma imprudência. “A maioria dos envolvidos são jovens do sexo masculino e as partes mais atingidas são a cabeça e as extremidades”, informou.

Crime e multa
De acordo com a Polícia Militar (PM), soltar pipas com cerol é crime previsto em uma lei estadual. “A multa varia de R$ 100 e R$ 1,5 mil. Quem o comete também pode ser enquadrado no artigo 132 do Código Penal, que configura expor a vida ou a saúde dos outros a perigos. Há também um crime previsto aos pais de crianças e adolescentes que deixam os filhos manusear o cerol, o que consiste em permitir que menores utilizem substâncias perigosas”, disse o capitão Adriano Guimarães, da PM em Araxá.

Além disso, quando menores são flagrados usando cerol e o material provoca acidente, os pais podem ser penalizados por danos a pessoa física, ao patrimônio público ou à propriedade privada.

Motociclista teve pescoço e queixo feridos por (Foto: TV Integração/Reprodução)
Motociclista teve pescoço e queixo feridos por
(Foto: TV Integração/Reprodução)

Choque pode ser fatal
A Cemig afirma que somente nos dois últimos anos uma pessoa morreu e três ficaram gravemente feridas ao tentar remover pipas de redes elétricas.

De janeiro a maio deste ano, a empresa precisou interromper o fornecimento de energia por seis vezes em Divinópolis, após ser informada sobre brinquedos presos às redes de transmissão. Ainda nos cinco primeiros meses do ano foram registradas 851 interrupções no fornecimento de energia em Minas Gerais. A estimativa é de que 280 mil consumidores tenham sido prejudicados.

As linhas com cerol são capazes de romper cabos de energia, o que favorece a ocorrência de curtos circuitos e morte por eletrocussão. Demetrio Venicio Aguiar, engenheiro eletricista da companhia, explica que esse composto é fabricado com materiais que conduzem eletricidade. Além disso, muitas crianças amarram pipas com arames e fios metálicos.

“As pipas devem ser empinadas em locais abertos e afastados da rede elétrica. Jamais se deve usar fios metálicos ou cerol. Caso a pipa fique presa, o melhor a fazer é não tentar resgata-la”, ensinou.

Além do cerol, outro componente tem preocupado a Cemig. A chamada “linha chilena”, tipo de cabo cortante feito em escala industrial, mais refinado e com materiais mais abrasivos que o cerol. “Esse tipo de linha é muito mais cortante que o cerol comum”, acrescentou.

Feridos
O G1 procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e Hospital São João de Deus (HSJD), em Divinópolis, em busca de números sobre o atendimento a pacientes com feridos causados pelo contato com o cerol ou rede elétrica por meio de pipas. As duas unidades de saúde informaram que não possuem essas informações porque não classificam os pacientes de acordo com a forma como se feriram, mas com o tipo de ferimento – que, nestes casos, são por corte e eletrocussão, independente da causa.

Por: G1

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