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Tradição conta que Verônica limpou o rosto de Jesus ao carregar a cruz. Intérpretes explicam como é entoar canto em Santo Antônio do Monte.

 

“Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor?”. Assim começa o canto entoado por Verônica enquanto desenrola e exibe a face de Jesus em um pano durante a encenação da Paixão de Cristo em Santo Antônio do Monte. A cidade mantém viva a tradição de transformar a Praça da Matriz e a Paróquia São José em palco para a encenação da Paixão de Cristo na Semana Santa. Segundo a tradição, Verônica correu até Jesus enquanto ele carregava a cruz e limpou o rosto dele cheio de sangue e suor. Ao retirar a toalha, o rosto de Jesus teria ficado marcado no pano.

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O nome Verônica teria vindo da palavra em latim “vero”, que significa verdade. O canto, ou o grito de lamentação, tinha o intuito de anunciar que o homem que seria crucificado era o verdadeiro Cristo. “Na época ninguém parou para ouvir aquela mulher gritando e continuaram andando e chicoteando Jesus. Hoje, durante a encenação, o canto é após a crucificação, é uma forma de anunciar ao público a morte de Cristo e expor a dor”, explicou Maria Raimunda Borges Alves, que interpreta Verônica há 34 anos.

Desde os 14 anos, Maria Raimunda dá vida à personagem. “Quando criança, meus pais me traziam para ver a procissão e, quando a Verônica cantava, eu me emocionava e pensava: quando eu crescer eu quero interpretá-la. Sinto que nasci com o dom para entoar esse canto”, afirmou. Ela lembra que foi preciso provar que conseguia cantar o tom agudo, mesmo com a pouca idade, mas que a fé e determinação contribuíram para que ela alcançasse esse sonho. “Mostrei que eu podia e desde então busco interpretá-la todos os anos. Esse é um momento muito emocionante, quando me sinto a verdadeira Verônica, sinto as dores de Jesus em cada verso entoado”, destacou.

A dedicação da intérprete é tanta que ela espera ser reconhecida como Verônica por toda a vida. “No dia que Deus me chamar, eu quero ser enterrada com a minha roupa de Verônica. Eu sempre tive o sonho de interpretá-la e espero cantar muito nos próximos anos. Eu sou conhecida como a Raimunda, aquela que canta e interpreta a Verônica”, enfatizou.

Outra intérprete foi Teresinha Tavares e Fraga, que há cerca de 50 anos também emocionou o público na Sexta-Feira da Paixão. Filha de músico e muito religiosa, Teresinha também sonhava em participar da encenação. “Fui Verônica duas vezes. Meu pai era músico na banda da igreja, além de ser bastante religioso, e eu acabei herdando esse lado musical dele. Quando você sobe no palco e vira para o público para mostrar o rosto de Cristo ao povo e canta, essa é uma hora muito emocionante”, recordou.

 

Fonte: G1

 

 

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