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Muitas pessoas buscam realizar um objetivo profissional que elas próprias não sabem se é isto mesmo que desejam. E isso não é nada bom, pois, estão sempre se perdendo pelos caminhos da vida.

“Deixa a vida me levar”. É assim que muitas pessoas vivem suas vidas, deixando as coisas acontecerem para depois adaptar-se a elas, sobrevivendo conforme a melodia do destino. O refrão da música de Zeca Pagodinho é rotina de muitos homens e mulheres indecisos, que não sabem o que querem. E isso está longe de ser o ideal, visto que a felicidade está ligada aos nossos projetos de vida, bem como aos nossos trabalhos, empreendimentos e profissões. Para nos capacitarmos a algo é importante que a queiramos. Assim, estaremos gastando as nossas energias na forma e lugar certo.

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Há cerca de duas décadas o mineiro Leandro Pinto recebeu uma proposta para comprar uma granja de galinhas completamente falida, cujas instalações estavam totalmente precárias. Ele vendeu um caminhão velho e seu Fiat Uno – seu único patrimônio – para levantar o dinheiro e assim fazer a aquisição. Mas, o que passou pela cabeça deste homem? Tratava-se de uma combalida granja de galinhas que aos olhos de muitos, não sobreviveria o próximo mês. Porque ele então encarou o negócio? O tempo passou e as suas granjas hoje, conforme reportagem da Exame PME, faturam algumas centenas de milhões de reais, sendo o maior produtor de ovos da América do Sul.

Indo um pouco mais longe, saindo de Minas Gerais para a América do Norte, trago a bela e promissora história do lendário Walt Elias Disney. Suas primeiras criações – os personagens Alice e o Coelho Oswald – quando alcançaram o sucesso e começaria a lhe render um bom dinheiro, lhe foram roubados, juntamente com a sua equipe de desenhista e todas as encomendas recebidas dos filmes. Seu próprio sócio e parceiro aproveitou que o contrato omitia os direitos de Walt Disney sobre os personagens e o tirou fora do promissor empreendimento. Mas, Walt Disney ao tomar conhecimento da traição, ao invés de ficar abatido e enviar um telegrama ao seu irmão contando o fato, ele enviou sim um telegrama, mas para comunicar que tinha um personagem espetacular em sua cabeça. Ele havia acabado de criar o Mickey Mouse, o personagem que viria conquistar o mundo, tornando-se ícone da maior indústria do entretenimento do planeta. Naquele momento, foi fundamental Walt Disney saber o que queria. Pois, se tivesse dúvida, ele poderia ter mudado o rumo da sua vida indo fazer outra coisa. O fato de saber que queria ser empreendedor da indústria do entretenimento, o fez superar este e muitos outros obstáculos que surgiram em sua carreira profissional.

Saindo dos Estados Unidos para a África do Sul, encontramos uma das mais belas histórias políticas mundial. Estou falando dele mesmo, Nelson Rolihlahla Mandela.  Desde cedo, já sabendo o que queria para a sua vida, veio a liderar o movimento contra o apartheid, um regime de segregação racial implementado em 1948 para separar brancos, negros, indianos e outras raças. Na ocasião, saúde, educação e serviços públicos prestados aos negros eram bem inferiores aos oferecidos aos brancos. Formado em Direito, Nelson Mandela se comprometeu a lutar pela igualdade, paz e liberdade dos povos negros da África do Sul. Mais tarde, como líder do CNA (Congresso Nacional Africano) foi acusado de comunista e terrorista, sendo condenado em 1964 a prisão perpétua. Quase três décadas depois, em 1990, Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, foi libertado pelo Presidente Frederik Willem de Klerk. Em 1993 ganhou o Prêmio Nobel da Paz e em 1994 foi eleito o primeiro Presidente negro da África do Sul, do qual governou o país até o ano de 1999. Durante seu mandato muitos esperavam que ele viesse a perseguir seus opressores, mas sua missão foi unificar o país, constituir a paz e igualizar os direitos. Por saber o que queria, Mandela passou uma vida inteira buscando um ideal, não se dispersou perante os obstáculos encontrados pelos caminhos e resistiu 27 anos de terror e solidão.

Nesta mesma linha de pessoas que souberam o que queriam para suas vidas e para seus empreendimentos, eu não poderia deixar ausente a história de Romero Rodrigues, fundador e Chairman do Buscapé, o primeiro comparador de preços da internet brasileira. Sua grande ideia nasceu quando ele estudava engenharia na USP, bem no início da popularização da internet. Em sociedade com dois amigos ele criou o Buscapé para comparar preços dos produtos de empresas com vendas on-line, bem como relaciona-los na página do site para que os consumidores pudessem entrar e conferir. No início, os argumentos das empresas relacionadas foram unânimes, não permitindo que seus preços fossem expostos de tal maneira. Ainda assim, eles seguiram adiante no projeto. Logo, um executivo de uma destas empresas ligou para eles ameaçando-os processá-los, caso não tirassem os seus preços do site. Surgiu aí o primeiro grande obstáculo. E quando isso ocorre muitos normalmente desistem e ficam pelo caminho. Mas, como Romero sabia o que queria, ele enfrentou aquela ameaça e seguiu adiante. No decorrer dos anos seguintes, o Buscapé cresceu, incorporou outras empresas do segmento, se consolidou e se tornou um dos maiores negócios da internet brasileira. Em 2009, 91% do Buscapé foi vendido a multinacional Naspers, onde Romero veio permanecer como CEO até setembro de 2015.

Eloi D’Ávila tinha apenas 1 ano e 9 meses quando sua mãe morreu. Seu pai lhe deu para sua irmã casada, que tinha apenas 14 anos de idade. Aos seis anos eles foram morar em Porto Alegre. Sua irmã trabalhava fora e o marido dela era um alcoólatra, que ao invés de ajudar, só atrapalhava. Aos 8 anos, Eloi passou a vender pasteis nas ruas, num local próximo a cabeceira do aeroporto Salgado Filho. Lá, olhando em direção da pista ele dizia a si mesmo que um dia iria trabalhar naquele negócio. Quando voltava para casa, vendendo ou não os pasteis, ele apanhava da irmã, tornando sua vida ali um pesadelo. Além disso, quase todas as tardes, seu cunhado lhe obrigava a ir comprar bebida alcoólica e cigarros. Numa destas tardes ele decidiu fugir para São Paulo. Sem levar nada, a não ser a roupa do corpo, foi pegando caronas até chegar à capital paulista. Para sobreviver lavou carros, vendeu jornais, engraxou sapatos e dormiu em um albergue debaixo de um viaduto. Hoje ele ainda carrega as marcas de cigarros que os demais moradores de rua usavam para acordá-lo. Um certo dia, na praça da Sé, ele conheceu um aposentado que lhe ofereceu um emprego para trabalhar em sua casa. Tempos depois, ele arrumou um emprego numa loja de malas numa estação rodoviária. E lá ficou até os 12 anos de idade, quando então resolveu ir par o Rio de Janeiro, acompanhando dois jovens de 16 anos que havia conhecido. Chegando na cidade maravilhosa ele arrumou um emprego para lavar carros e voltou a dormir na rua, momento este que conheceu um guia turístico que lhe apresentou para uma senhora. Ela o levou para casa, cuidou da sua saúde e lhe deu estudos. Com o apoio dela, ele arrumou um emprego de office boy, onde trabalhou até os 17 anos de idade.  Foi nesta passagem da sua vida que Eloi encontrou no turismo a sua chance de virar o jogo, quando percebeu que as agências de turismo naquela época não “sabiam vender”. A partir deste momento ele confirmou o que queria para a sua vida. Trabalhar com aviões e viagens era algo que ele desejava fazer, desde a época que vendia pasteis na cabeceira do aeroporto em Porto Alegre. Eloi D’Ávila fundou a Flytour. Hoje o grupo Flytour é líder em emissões de bilhetes aéreos na América Latina e é a maior agência de business travel do Brasil. Tem mais de 2.600 colaboradores, mais de 220 unidades de negócios e faturou mais de 4 bilhões de reais em 2014.

As histórias de Eloi D’Ávila, Romero Rodrigues, Walt Disney e do empresário mineiro servem aqui como exemplos de pessoas que conseguiram superar os seus obstáculos e vencerem na vida, se tornando bem-sucedidas. Todos eles reuniram uma série de qualidades e características – cada um à sua maneira e importância – que veio fazê-los chegarem lá. Mas, se relacionarmos estas qualidades e características, notaremos que todos eles tinham algo em comum, especificamente “o saber o que queriam”.

Quando eu falo “saber o que quer” fez a diferença para o sucesso, eu não estou dizendo que estas pessoas sabiam claramente o caminho a trilhar e que não tiveram dúvidas e incertezas no realizar de suas ações. Não é isso! Eu estou dizendo que quando um empreendedor não tem dúvida daquilo que ele quer, ele está mais preparado para reagir aos erros, aos fracassos e aos desafios encontrados. Saber claramente o que quer não significa que o jogo está ganho, significa que esta pessoa está disposta a fazer tudo, como conhecer o cenário a sua volta, capacitar-se, motivar-se, elaborar diagnósticos, fazer planos, criar estratégias, estabelecer foco, trabalhar muito e ser perseverante para vencer o jogo.

No entanto, sempre querendo encontrar um argumento ou uma desculpa para os fracassos, muitas pessoas acham que a sorte é a única ou a principal vertente para sucesso. Mas, eu acredito plenamente que não. Acredito que a sorte existe, mas que só tem relevância quando está associada às pessoas que trabalham sabendo o que quer. Já dizia Pablo Picasso: “Toda vez que a sorte me procurou ela me encontrou trabalhando”.

Embora o “saber o que quer” pareça não ter peso na conquista do sucesso e que muitos nem pensam sobre tal, pode-se afirmar que grande parte dos fracassos ocorre porque as pessoas buscam um objetivo na vida que elas próprias não sabem se é isto mesmo que desejam. Sendo assim, suas atitudes se tornam sem vigor e se dispersam com os desejos que surgem paralelamente.

Se passarmos a observar a questão, notaremos em nosso meio muito de tudo isso. Já vi, e você também já deve ter visto, jovens passarem no vestibular para medicina sem estar convicto de que quer ser um médico; jovens entrarem na faculdade de administração simplesmente para ter um diploma; empreendedores montarem uma empresa sem ter uma visão definida dos negócios. Contudo, quem pensa e age assim, certamente, se frustrará ao longo da caminhada, pois, o não “saber o que quer” o levará para um lugar distante do sucesso, para uma vida sem prazer, com pessimismo e baixa estima.

“Saber o que quer” parece ser um fator comum, corriqueiro na vida de todos. Mas, não é! Muitos de nós pagamos caro por embarcarmos em missões onde a dúvida nos acompanha e nos atormenta, dispersando os nossos esforços e minando as nossas energias. Daí vem à importância de buscarmos um controle ou pelo menos um entendimento sobre o tema. Faça uma análise própria antes de começar um empreendimento ou um projeto de vida. Procure conhecer seu verdadeiro desejo, saiba o que você quer para sua vida. Só depois desta etapa, você deve montar seus planos e trabalhar para a realização. É claro, nada virá de graça! Tudo deverá ser buscado com dedicação e perseverança. Porém, como você vai estar no caminho desejado, os obstáculos serão meros obstáculos, uma etapa natural do trajeto, um degrau necessário na escalada. Mesmo estando exausto, você se sentirá feliz e animado.

Enfim, não existe uma receita ou uma fórmula para se alcançar o sucesso. Mas quando sabemos o que queremos, tudo fica mais evidente, mais claro, mais real. E com isso, o sucesso pode ser um lugar não tão complexo, estando ao alcance de todos, dependendo somente da compreensão da forma de sentir e ver o mundo a nossa volta.

 

Nilson-Bessas-179x240Nilson Antonio Bessas

Escritor do livro “Tornando sua empresa um sucesso” com mais de 2.000 livros vendidos.

Pontos de vendas: Livraria Saraiva, Livraria Cultura, Amazon, Martins Fontes Paulista, Livraria da Folha e outros.

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