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Tradicionalmente, as vendas da indústria de fogos aumentamaproximadamente30% em época de eleições/Alisson J. Silva
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Nem mesmo as eleições e a Copa do Mundo no Brasil elevaram as vendas

Luciane Lisboa – Diário do Comércio

Embora a aposta em 2014 fosse no forte crescimento do setor de fogos de artifício, em função da Copa do Mundo e das eleições, a expectativa acabou não se confirmando e frustrou as empresas do Polo Industrial de Pirotecnia, que fica na cidade de Santo Antônio do Monte e engloba outros oito municípios da região Centro­Oeste de Minas.

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De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Explosivos do Estado de Minas Gerais (Sindiemg), Jorge Filho Lacerda, o ano passado foi muito ruim para o setor, que amargou queda de 30% no faturamento em relação a 2013. “Nós tínhamos perspectivas de crescimento, mas o fato de o Brasil ter perdido a Copa atrapalhou os negócios. Além disso, o período eleitoral foi decepcionante”, afirma.

Nós tínhamos perspectivas de crescimento, mas o fato de o Brasil ter perdido a Copa atrapalhou os negócios. Além disso, o período eleitoral foi decepcionante

Lacerda explica que, tradicionalmente, as vendas aumentam cerca de 30% em época de eleições. “Mas isso não aconteceu no ano passado. Não sei se as pessoas ficaram desapontadas ou se a economia do país já estava tão ruim que não permitiu gastos com fogos. A questão é que fizemos um estoque grande, esperando que a procura aumentasse, mas isso não ocorreu. Agora, muitas empresas não sabem o que fazer com esses estoques”, ressalta.

Mas isso não aconteceu no ano passado. Não sei se as pessoas ficaram desapontadas ou se a economia do país já estava tão ruim que não permitiu gastos com fogos. A questão é que fizemos um estoque grande, esperando que a procura aumentasse, mas isso não ocorreu. Agora, muitas empresas não sabem o que fazer com esses estoques

A situação no Polo Industrial de Pirotecnia, que reúne cerca de 76 empresas e emprega aproximadamente 10 mil pessoas, é tensa. Formado por empresas especializadas na fabricação de fogos de tiros e cores, estalos de salão, traques e bombinhas de riscar, entre outros produtos, ele corre o risco de fechar as portas caso não haja uma retomada nas vendas até o fim desse primeiro semestre.

“Até agora houve algumas demissões pontuais. O pessoal ainda está segurando. No entanto, se nada mudar em breve não haverá forma de manter os empregos”, alerta. Essas empresas, informa, respondem por todo o produto consumido no Estado e por cerca de 95% do país.

Alívio ­ Por outro lado, um dos problemas que assombraram o setor no ano passado foi solucionado. Um projeto de lei (PL 4908/2014), que tramitava na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com o intuito de proibir a comercialização “de rojões e outros artefatos” acabou arquivado na Casa. Já outro projeto de lei (PL 3.271/12), em tramitação no Congresso Nacional, ainda não foi votado. A proposta, apresentada em fevereiro de 2012 pelo deputado federal José Stédile (PSB­RS), restringe a venda de algumas classes de fogos de artifício a pessoas jurídicas, entre eles, foguetes, rojões e morteiros. A preocupação com a comercialização desses produtos se intensificou a partir de 2012, com a morte de mais de 200 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria (RS).

Porém, desde o ano passado, o projeto está parado na Câmara. Em virtude da apensação do PL­4950/2013, a proposta original terá que ser apreciada em Plenário. Até o momento, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ainda não se manifestou quanto ao mérito do projeto, assim como a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

 

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