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“Se houver alguma razão ou se a apuração estiver demorada ou ineficaz, temos condição de fazer uma apuração pela Promotoria”, disse Promotor.  

Anderson Alves da Silva foi agredido por um policial militar de Lagoa da Prata no último domingo (26), durante o atendimento de uma ocorrência. A reportagem do Jornal Cidade conversou com o Promotor de Justiça de Lagoa da Prata, Eduardo Almeida, que disse que mesmo sendo muito cedo, a ação é passível de sofrer intervenção do Ministério Público. “Mas por enquanto não tem nada formalizado. Tenho conhecimento porque todos da cidade têm e eu sei que existe procedimento policial instaurado para apuração do ocorrido. É muito cedo ainda pra falar se vai ter procedimento investigatório do Ministério Público, de qualquer maneira, o procedimento policial, quando estiver concluído, será encaminhado para a Promotoria. É passível de procedimento na Polícia Militar, Polícia Civil e se houver alguma razão especial para isso, se a apuração estiver demorada ou ineficaz por alguma razão, nós temos a condição de fazer uma apuração pela Promotoria. Agora, por enquanto, ainda não existe, mas pode ser que venha existir por alguma situação de necessidade de demonstrar”.

Promotor de Lagoa da Prata, Eduardo Almeida.

Eduardo Almeida também ressaltou que o decorrer das investigações pode gerar um processo criminal contra o policial. “Todos viram as imagens e são muitas, de vários ângulos, mas cada um vai ter a sua opinião e eu, naturalmente, tenho a minha também. Agora, eu prefiro não sair antecipando nenhum julgamento, até porque o ideal, neste caso, é pegar essas imagens e submetê-las à uma perícia da Polícia Civil para que sejam analisadas efetivamente sob vários ângulos, para que esta possa fazer um relatório. A opinião todo mundo tem, mas posso, eventualmente, instaurar procedimento ou pode até virar processo criminal contra o policial. Eu prefiro deixar para externar essas conclusões em um momento mais adequado e depois que eu tiver visto tudo. Por enquanto, estamos acompanhando. Nós temos conhecimento e se for necessário, logicamente, iremos instaurar procedimento e tomar as providências para apuração”.

Entenda o caso

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Na madrugada de segunda-feira a Polícia Militar foi solicitada no cruzamento da rua Cirilo Maciel com avenida Getúlio Vargas, onde ocupantes de um bar colocaram mesas e cadeiras no meio da rotatória e faziam uso de bebidas alcoólicas. Os policiais deram ordem para que os indivíduos saíssem do local, mas eles desobedeceram e hostilizaram os militares com palavras de baixo nível, o que gerou um tumulto no local. De acordo com informações do Tenente Batista, divulgadas pelas emissoras de rádio locais nesta segunda-feira nos noticiários de 11h e 12h, um homem teria tentado pegar a pistola de um policial, que reagiu subitamente para evitar que a arma fosse levada, aplicando-lhe um golpe que o levou ao chão.

O cidadão em questão é Anderson Alves da Silva (Tequinho), de 44 anos, que desmaiou após o golpe e a queda, perdendo sangue, provavelmente da cabeça. O policial autor da ação ainda tentou algemar a vítima, mas desistiu quando percebeu que o homem estava desfalecido. Outros PMs se aglomeraram ao redor de Anderson, mas foram os amigos dele e outros frequentadores do bar que tomaram a iniciativa de colocá-lo na viatura policial e levá-lo à UPA, distante pouco mais de 150 metros do local.

Tequinho deu entrada na UPA sem batimentos cardíacos e foi constatado pelo médico com traumatismo craniano. Ele foi encaminhado, em estado grave, para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Um novo vídeo divulgado na tarde de segunda-feira coloca em dúvida se o policial agiu em legítima defesa. Nele, os policiais fazem a imobilização de um indivíduo que está no chão, perto da calçada e das mesas do bar Spetim. Tequinho estava em pé, no passeio, quando se aproximou lentamente da aglomeração e parecia conversar de frente com o policial agressor, no momento em que sofreu o golpe e foi ao chão.

Está circulando nas redes sociais uma conversa de uma advogada com a reportagem da Rádio Divinal FM pelo aplicativo Whatsapp. Ela disse que os“rapazes realmente estavam na rotatória e a polícia já chegou agredindo. O rapaz que está entre a vida e a morte não estava na rotatória. É uma pessoa que não tem qualquer ocorrência… pessoa muito conhecida na cidade e de excelente comportamento… Chegou lá para apaziguar”, disse a advogada à emissora.

Ela ainda afirma que Tequinho “não esboça qualquer reação. Muito pelo contrário, é pego de surpresa com um golpe por um policial, vindo a cair com a cabeça no chão sem qualquer reação. E mesmo assim os policiais o viram para algemá-lo. Quando percebem que ele nem se mexe, ficam logo sem atitude diante da situação. Ainda como se não bastasse, não socorrem o agredido”.

 

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