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Com a implantação da Casa de Apoio, lagopratenses desfrutam de um cantinho de Lagoa da Prata na capital mineira

A agente de epidemiologia Maiara Aparecida da Silva sofreu um acidente de trânsito em 2013 e foi necessária  a realização de uma cirurgia no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Os médicos implantaram vários parafusos no braço dela. Desde então, ela já voltou 8 vezes à capital mineira nos retornos. Ela lembra que em um deles saiu de Lagoa da Prata às 3h da madrugada e, após a consulta médica, ficou esperando até as 22h o veículo da prefeitura pegá-la no hospital e trazê-la de volta à sua casa. Em outra oportunidade, Maiara não tinha dinheiro e só se alimentou naquele dia porque a assistente social do Hospital Galba Velloso forneceu a ela um prato de comida. Na última segunda-feira, a agente de epidemiologia precisou voltar a Belo Horizonte marcar outra cirurgia no braço porque um dos parafusos quebrou. Dessa vez ela se surpreendeu com a experiência. O martírio que esperava enfrentar, como nas vezes anteriores, fora substituído por um atendimento humanizado prestado por funcionários da prefeitura de Lagoa da Prata que trabalham na Casa de Apoio,  inaugurada no mês de julho. Ela e o marido Ronaldo Santos Nascimento chegaram na casa às 13h15, quando o almoço já havia sido servido, mas uma funcionária fez questão de preparar  uma comida quentinha para eles. “Quando a consulta terminou, ligamos para o Preto e em menos de 10 minutos ele estava no hospital para nos trazer. Muitas vezes a pessoa vem e não tem dinheiro para se locomover ou até se alimentar. A prefeitura está beneficiando muitas pessoas. Ir a um hospital é muito ruim. E chegar nessa Casa de Apoio e ter o apoio de várias pessoas é muito importante”, disse Maiara.

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Localizada no bairro Barroca, os moradores de Lagoa da Prata podem contar com a Casa de Apoio durante tratamentos médicos na capital. Pacientes e acompanhantes podem ficar na casa durante todo o tempo gratuitamente. Três funcionários trabalham no local e são servidas alimentação e cuidados básicos. O motorista Olair Dias Castro (Preto) fica à disposição para levar e buscar os pacientes nas clínicas e hospitais. A residência possui 5 quartos, com 18 camas, 4 banheiros, sala de televisão e cozinha. Até uma videira, com uvas frescas, está à disposição dos usuários.

A reportagem do Jornal Cidade foi a Belo Horizonte na última segunda-feira conhecer de perto a realidade das pessoas que usam o serviço. Havia 11 pessoas que estavam dormindo na casa. Em média, 35 pessoas de Lagoa da Prata viajam diariamente a BH para tratamentos médicos. Na Casa de Apoio, elas recebem café da manhã, almoço, café da tarde, janta, telefone e transporte até as clínicas e hospitais, tudo pago pelo Município. Em média, são servidas 40 refeições todos os dias, mas em dias de maior movimentação 60 pessoas se alimentam no local.

Os pacientes que têm os seus tratamentos agendados para a parte da manhã, podem voltar a Lagoa da Prata no veículo que retorna no início da tarde.

COMO ERA ANTES

Os lagopratenses passavam pelo mesmo calvário que ainda é enfrentado por pessoas de centenas de municípios que viajam diariamente a Belo Horizonte em busca de um tratamento médico. Histórias de sofrimento e superação de gente que até passava fome. Muitos tinham consulta na parte da manhã e aguardavam até a noite, na Praça Hugo Wernek, na região hospitalar, para voltar para casa. Debaixo de sol escaldante, contavam com a solidariedade de comerciantes para usar o banheiro. É comum ver pessoas estiradas no gramado ou mães trocando fraldas de bebês nos bancos da praça e alimentando as crianças sentadas na calçada. Quando tinham sorte, o veículo da prefeitura recolhia os pacientes por volta das 19h, mas já teve casos de pessoas que ficaram esperando até 22h, à mercê de estranhos e bandidos na referida praça.

O município custeava a pernoite das pessoas que precisavam ficar na capital. Uma pensão era contratada para receber os lagopratenses, mas o atendimento deixava a desejar. “Faço tratamento em Belo Horizonte há mais de um ano. Na outra pensão não tínhamos um bom tratamento. Não tinha comida direito. Éramos mal  atendidos. A mulher era muito resmungona. Era difícil”, desabafa Aline Amaral da Silva, que a cada dois meses acompanha o pai a Belo Horizonte nos retornos de uma cirurgia de glaucoma e atualmente está hospedada há 21 dias na Casa de Apoio para acompanhar o sogro, que foi atropelado na avenida Brasil e teve fratura exposta. Ele está internado no Hospital João XXIII. “Hoje a prefeitura nos leva e busca. O Preto fica numa preocupação danada com a gente. Essas meninas aqui da casa são ótimas. Quem falar mal daqui está mentindo. A gente passava muita dificuldade. Tinha que ficar procurando restaurante, pegar táxis, ficar na praça o tempo todo, às vezes até não tínhamos condições de trazer dinheiro para se alimentar adequadamente. Aqui na Casa de Apoio é como se estivéssemos em nossa casa mesmo. Sem a Casa de Apoio seria muito difícil. Passaríamos muitas dificuldades. Só tenho a elogiar e agradecer o prefeito por ter criado esta casa”, disse Amaral.

Na Casa de Apoio de Lagoa da Prata é possível a criação de um laço afetivo e solidário entre as pessoas que padecem da mesma dificuldade, que é a enfermidade. Os lagopratenses desenvolvem, entre si, forças para se amparar  mutuamente e compartilhar o mesmo sentimento de esperança, conforto e fé. É comum um paciente chegar à casa trazendo de Lagoa da Prata um refrigerante, um pão diferente, uma quitanda e repartir com todos, como em uma família.

A aposentada Maria das Graças de Bessas está em Belo Horizonte há 21 dias acompanhando o filho, que está internado em estado de coma. Ele caiu de uma construção no dia 26 de setembro. O rapaz precisou de 25 doadores de sangue e uma das voluntárias foi Mariana Maia, a quem conheceu dentro da Casa de Apoio. Maia está acompanhando a sobrinha, que tem uma gravidez de alto risco. “Sinto que ela me tem como uma mãe e eu a tenho como uma filha. A gente sai juntas e voltamos para a casa juntas”, diz Maria das Graças visivelmente emocionada.

Mariana consolou a amiga. “Sinto que a Casa de Apoio aproxima as pessoas e oferece um conforto melhor. Às vezes, quando a dona Maria está mal, eu a consolo. Depois, quando outra pessoa está precisando de apoio, ela vai lá e consola. Isso é importante para o tratamento de todos”, finalizou.

 

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