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Padre José Ferreira e as escritoras Maria do Rosário Bessas e Adircilene Batista, da Acadelp
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A obra aborda questões afro-brasileiras e sua relação com a religiosidade. O lançamento reuniu cerca  de 200 pessoas

O padre José Ferreira da Silva lançou no dia 26 de setembro o livro “Raça, Religião e Nacionalidade: microvisão eclesial sobre o afro–brasileiro”. O evento aconteceu no auditório do Sicoob Crediprata e reuniu cerca de  200 pessoas.

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Padre Ferreira, como é conhecido, nasceu em Lassance, no Norte de Minas, em 12 de abril de 1942. Perdeu o pai um mês antes do seu nascimento e sua mãe ficou com 11 filhos para criar. “Fui chegando ao sacerdócio por tabelas. Tudo o que aconteceu foi pela providência Divina, porque dizem que ajudei a fechar quatro seminários. Passei por quatro e todos eles fecharam, isso foi na época da crise do Vaticano II. Com muita luta me tornei um sacerdote”, destacou o pároco.

Jornal Cidade: É a primeira vez que o senhor lança um livro?

Padre Ferreira: Sim. E nele falo sobre um assunto que muito me interessa, o afro-brasileiro e o africano em si. Eu não pretendia lançar. No início era um trabalho para a conclusão de um curso que fiz em Bruxelas, na Bélgica, na década de 1980. Para escrever o livro tive contato com vários africanos no Instituto Lumen Vitae, dos Jesuítas. Pude conversar com eles sobre a religião católica na vida dos africanos.

Jornal Cidade: Quanto tempo o livro demorou para ser escrito?

Padre Ferreira: O livro foi escrito por meio de pesqisas no Instituto Lúmen Vitae, também em Bruxelas. Com um acompanhante do próprio instituto levei um ano meio para escrevê-lo, pois o material disponível estava escrito em francês e latim.

Jornal Cidade: Com que objetivo o senhor explorou esse tema tão complexo?

Padre Ferreira: Desde pequeno eu fui criado em um ambiente onde havia muito da cultura negra. E mesmo naquele tempo nunca tive dificuldade em conviver com essas diferenças. Só então em 1972, quando passei a exercer o sacerdócio, pude conviver com pessoas de diferentes raças.

Jornal Cidade: Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Padre Ferreira: Fui fazer esse curso achando que seria um ouvinte. Quando descobri que teria que escolher um tema, defendê-lo, e que o mesmo ainda deveria ser aprovado, fui em outro mundo e voltei. Tive muita dificuldade de encontrar um assunto. Em uma visita ao Vaticano tive a oportunidade de ver o papa João Paulo II e foi quando ele passou do meu lado que a inspiração surgiu de fato.

Jornal Cidade: Qual a abordagem geral do livro?

 Padre Ferreira: O foco foi falar sobre a vida dos africanos que eram trazidos para o Brasil e vendidos como escravos. Através das pesquisas descobri que antes de saírem da África eram batizados, mesmo os seus “donos” tendo dúvidas se eles possuíam  alma. Por meio dos estudos descobri que a religiosidade popular no Brasil é herança dos afro-brasileiros, um exemplo é a força do Congado. Usei todo esse contexto para abordar esse tema Raça, Religião e Nacionalidade. A minha intenção não era tratar o racismo no Brasil, mas sim descobrir como esse povo foi entrando na nossa brasilidade.

Jornal Cidade: Qual a representatividade desse livro para o senhor?

 Padre Ferreira: Representa a minha gratidão à Diocese de Luz e aos padres. Além de poder ser considerado uma fonte segura de pesquisa.

O livro do padre Ferreira estará disponível em breve na secretaria paroquial e será vendido por 30 reais. Mais informações poderão ser adquiridas pelo telefone 3261-1247.

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