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Ilustração
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Tempo de escola é um tempo “bão”. Os meninos eram muito custosos, mas eu não ficava muito para trás não. Eu também era custoso para danar. Eu era meio “brabim”, era daqueles meninos “ranhento”, baixinho que só você vendo. Se mexesse comigo estava no “sal”.

A gente já saía da Escola Dr. Waldomiro de Magalhães fazendo gracinha, principalmente os meninos que queriam aparecer para as meninas. Naquela época a maioria das ruas não tinham calçamento. Comigo, sempre iam meus irmãos Zé Paulo, Lena e Lourdes, mas um belo dia andando pela rua Antônio Carlos Bernardes as minhas irmãs se desentenderam com a Tânia e Chica, que eram suas amigas, e deram uns “peteleques” umas nas outras. Eu vi aquilo ali e pensei: – Não posso deixar as minhas irmãs apanharem. Foi aí que entrei no meio da briga, e elas “andaram coçando meus piolhos também”, e aí que eu fiquei mais bravo e “com a vó atrás do toco”. Esse “trem” de apanhar de mulher está errado.

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O meu pai tinha uma faca “pacua”, era “tretar” comigo na rua, que eu ia lá em casa e buscava essa faca e costumava por uns três ou quatro para correr. Esse dia eu pensei: –  Vou ter que ir lá buscar essa faca. Aí desci aquela Travessa Ferreira sentido ao Beco do Acácio rapidinho e quando cheguei lá em casa já tava quase que voando, entrei na porta da sala minha mãe falou assim: – Que isso Zé Antônio, o que aconteceu? Eu perguntei: – Mamãe, a senhora tem feijão frito nas panelas? Ela me respondeu: – Feijão frito não, mas tem feijão pagão aí ainda.

Lá em casa esse feijão ficava cozinhando em fogão à lenha. Foi então que eu peguei e coloquei uma colher de feijão no prato. Depois fui lá na lata de banha e coloquei duas colheres de banha nesse feijão quente que já derreteu a banha e botei uma farinha de milho por “riba” e coloquei umas três pitadas de sal, esse era o feijão frito que a gente comia naquela ocasião. E ali eu comi aquele “trem” e dei uma sustentada no estômago, e pensei: agora eu pego aquela faca subo lá em “riba” e resolvo esse trem.

Essa faca ficava entre a lata de arroz e a tal lata de banha, debaixo de um banquinho velho. Quem conhece faca “Pacua” sabe é uma faca grande. Eu subi ali a rua Travessa Ferreira e cheguei na rua Carlos Bernardes de novo, e ainda tava aquela “indaca”  no meio da rua. Eu cheguei “brabo” demais e já puxei essa faca, que era quase maior que eu, e quando eu caminhei para o lado da Tânia e da Chica, o irmão dela, o conhecido Dinico, veio para o meu lado, pois estava me esperando. Ele veio para o meu lado, cata aqui, cata ali, e eu querendo correr acabei  escorregando na poça de água.

Gente, mas ele me tomou essa faca e esfregou minha cara nessa poça de água, esfregou a cara das minhas irmãs também. Nós descemos numa sem graceza, sem faca, tudo “lameado” e o povo ainda rindo da gente.

No mesmo dia meu pai chegou do serviço e ainda tinha uma intimação para ele ir à Delegacia. Na época o delegado era o “Seu Nê”, a Delegacia era perto de onde funciona a Socomasa hoje, na rua Coronel Amâncio Bernardes. Assim que eu cheguei lá o delegado “Seu Nê” falou assim: – Oh, Zé Antônio, eu vou arrumar para você um livrinho de catecismo, para você poder entrar na religião.

Eu não esqueço disso, essa foi a punição do delegado e eu nem achei ruim . Peguei firme no catecismo e fiz a primeira comunhão. Depois dessa esfrega da poça de água, eu e minhas irmãs tomamos jeito. Ô passagem dolorosa essa!

José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM E- mail: bandeirantes@isimples.com.br
José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM
E- mail: [email protected]

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