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Juliano Azevedo Jornalista, Professor Universitário, Escritor. Blog: www.julianoazevedo.blogspot.com.br Twitter e Facebook: @julianoazevedo E-mail: [email protected] Instagram: @julianoazevedo / @ondeeobanheiro
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Chegou a primavera. A estação mais bela, mais colorida. Cheia de vida. De nuances diferenciadas. De formatos delicados, de aromas doces, de cheiros inusitados. Período de vislumbre, de emoção e, sobretudo, de reflexão.

Onde florescem as mais bonitas? Um perfume, uma cor, uma textura, há flores únicas que exalam a beleza nos campos. Sementes espalhadas pelo vento que corta a montanha. Pólens que cortam a bravura dos rios, que carregam a simplicidade do tempo. Esperança da natureza que faz tudo ser perfeito nesta época, trazendo a chuva, no momento certo. Semente que gera vida. Semente que dá vida às sombras. Se germina, transforma uma pseudo morte em alegria.

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Um jardim florido seduz todos os olhares. Não há quem não se curve à exuberância do paisagismo do Palácio de Versalhes. Impossível esquecer a perfeita poda dos arbustos do pátio do Jardim Botânico, em Curitiba, que possui a conhecida estrutura arredondada ao fundo compondo o cenário de um quadro: a mão do jardineiro ali presente para fazer uma obra de arte. Hortênsias azuis, naturais da Ásia, por exemplo, são o símbolo de Gramado, no sul do Brasil. Plantadas nas encostas das estradas, parecem nativas da região, pois florescem em todos os cantos. Deixam a cidade mais encantadora do que é naturalmente. Tudo é muito belo, porém, jardins planejados, lagos artificiais, carpas japonesas trazidas do oriente encantam os olhos turísticos, e só. Mas, sinto que não trazem significado mais íntimo. Parece algo para turista ver.

Por isso, valorizo muito mais aquelas flores que nascem espontaneamente. Recolhidas em uma insignificância aparente. No entanto, surpreende é a bravura delas: das espécies incomuns. Daqueles seres pequeninos que fazem um pasto ser um jardim. Elas reinam absolutas.

Flores solitárias são destemidas. A semente que brotou no meio do nada. Brigou com a seca, a pedra, a chuva, o sol. As intempéries do clima. Lutou contra a força da natureza de outras plantas. Flores assim iluminam soberanas. Perfumam o que não tem cheiro de nada. São aparentemente frágeis, esquecidas ali no meio da multidão, de raízes, de troncos, de ervas daninhas. Portanto, a fragilidade as deixa menos tímidas. São de cores vivas para chamar a atenção do olhar. Intensas para escapar dos predadores. Iluminadas para atrair o carinho dos beija-flores.

São sozinhas sim. Só que isso não importa diante da beleza que trazem para lugares sombrios. Ali se destacam. Colocadas pela mão do criador que soprou delicadamente o pólen da vida. Esculpidas pela alma amorosa de Deus. Mestre em ensinar que apenas uma andorinha não faz a cantoria de um verão inteiro. Flores solitárias estão à frente de grandes caminhadas. Florescendo cor, simpatia, perfume, qualidades que aprenderam a ter duramente com o destino.

Flores de uma flor apenas. Que não espera uma estação para chegar. Nasce quando precisa estar ali para fazer a diferença. Bela, única, especial. E só… Uma salva de palmas à primavera.

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