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Advogada que presenciou a cena afirma: “Os policiais têm presunção da verdade, mas o vídeo não mente”.

Na madrugada de segunda-feira a Polícia Militar foi solicitada no cruzamento da rua Cirilo Maciel com avenida Getúlio Vargas, onde ocupantes de um bar colocaram mesas e cadeiras no meio da rotatória e faziam uso de bebidas alcoólicas. Os policiais deram ordem para que os indivíduos saíssem do local, mas eles desobedeceram e hostilizaram os militares com palavras de baixo nível, o que gerou um tumulto no local. De acordo com informações do Tenente Batista, divulgadas pelas emissoras de rádio locais nesta segunda-feira nos noticiários de 11h e 12h, um homem teria tentado pegar a pistola de um policial, que reagiu subitamente para evitar que a arma fosse levada, aplicando-lhe um golpe que o levou ao chão.

O cidadão em questão é Anderson Alves da Silva (Tequinho), de 44 anos, que desmaiou após o golpe e a queda, perdendo sangue, provavelmente da cabeça. O policial autor da ação ainda tentou algemar a vítima, mas desistiu quando percebeu que o homem estava desfalecido. Outros PMs se aglomeraram ao redor de Anderson, mas foram os amigos dele e outros frequentadores do bar que tomaram a iniciativa de colocá-lo na viatura policial e levá-lo à UPA, distante pouco mais de 150 metros do local.

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Tequinho deu entrada na UPA sem batimentos cardíacos e foi constatado pelo médico com traumatismo craniano. Ele foi encaminhado, em estado grave, para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

NOVO VÍDEO

Um novo vídeo divulgado na tarde de segunda-feira coloca em dúvida se o policial agiu em legítima defesa. Nele, os policiais fazem a imobilização de um indivíduo que está no chão, perto da calçada e das mesas do bar Spetim. Tequinho estava em pé, no passeio, quando se aproximou lentamente da aglomeração e parecia conversar de frente com o policial agressor, no momento em que sofreu o golpe e foi ao chão.

Está circulando nas redes sociais uma conversa de uma advogada com a reportagem da Rádio Divinal FM pelo aplicativo Whatsapp. Ela disse que os “rapazes realmente estavam na rotatória e a polícia já chegou agredindo. O rapaz que está entre a vida e a morte não estava na rotatória. É uma pessoa que não tem qualquer ocorrência… pessoa muito conhecida na cidade e de excelente comportamento… Chegou lá para apaziguar”, disse a advogada à emissora.

Ela ainda afirma que Tequinho “não esboça qualquer reação. Muito pelo contrário, é pego de surpresa com um golpe por um policial, vindo a cair com a cabeça no chão sem qualquer reação. E mesmo assim os policiais o viram para algemá-lo. Quando percebem que ele nem se mexe, ficam logo sem atitude diante da situação. Ainda como se não bastasse, não socorrem o agredido”.

A advogada disse que os funcionários da UPA não prestaram informações aos acompanhantes, deixando somente os policiais entrarem. “Ele deu entrada como morto segundo Dr. Felipe, que teve que fazer ressuscitação. Só tivemos notícia porque me apresentei como advogada. Somente eu entrei e o vi ali em coma. Os policiais têm presunção da verdade, mas o vídeo não mente”, afirmou a advogada.

PM VAI APURAR

Em entrevista ao repórter Luiz Francisco da rádio Veredas FM, no programa que foi ao ar na segunda- feira ao meio-dia, o Tenente Batista garantiu que os fatos serão apurados. Naquele momento, este novo vídeo ainda não havia sido divulgado nas redes sociais. “Cheguei a visualizar dois vídeos, mas essas imagens mostram só um momento e não toda a ação da polícia. Temos três linhas de informações. Primeiro, temos as informações dos policiais. Segundo, temos a versão de uma parte da população, que diz que a Polícia Militar estava errada. E também temos outra versão de outra parte da população que diz que a polícia está correta. Tiveram pessoas que ligaram no quartel e outras que publicaram no Facebook e Whatsapp, que presenciaram a ação policial e que viram que esses indivíduos estavam embriagados e que em hora nenhuma acataram as ordens dos policiais. Então, para chegarmos a uma conclusão, somente diante de apuração que será feita. Aí sim, poderemos falar quais foram os errados e quais foram os certos”.

Batista também falou sobre o abuso de autoridade. “Antes de chegarmos a uma conclusão, não podemos punir e nem tomar nenhuma  providência contra os policiais. Então, eles vão continuar trabalhando na rua da mesma forma. E depois dessa apuração serão tomadas as providências. Se os policiais estiverem errados e tiverem agido com desrespeito e abuso de autoridade, serão tomadas providências contra eles, sim. Agora, se a outra parte estiver errada também será tomada providência também”, garantiu o militar.

Na manhã de hoje, o Jornal Cidade tentou falar com Tenente Batista. Foram feitos contatos por telefone e Whatsapp, sem êxito.

A reportagem também ligou diversas vezes para a advogada e para o escritório dela, mas as ligações não foram atendidas. Também foi feito contato pelo Messenger, que não havia sido visualizado até o fechamento desta matéria.

O secretário de saúde Geraldo de Almeida foi contatado pelo Jornal Cidade para comentar sobre o caso, mas disse que somente o diretor clínica da UPA, o médico Felipe Felix, pode falar sobre o caso. A reportagem ligou na unidade, mas ele estará no local a partir das 19 horas. O atendente da UPA não forneceu o telefone celular do diretor.

PROTESTO

Nas redes sociais, amigos de Tequinho estão organizando uma passeata em protesto a ação policial. O evento está programado para ser realizado hoje (28) às 19 horas na praça da matriz de Lagoa da Prata.

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