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A meditação está se tornando pop. Há dezenas de anos começou a sair dos mosteiros da Índia e região e a se infiltrar na cultura ocidental, tradicionalmente avessa ao ritmo oriental de viver. Um marco para a infiltração na cultura pop ocidental é o caso dos Beatles, que nos anos 60 imergiram em um retiro de dez dias para se dedicar à meditação transcendental, sob orientação do mestre indiano Maharishi Mahesh Yogi. Após a experiência, Paul disse: “Você não pode tomar drogas para sempre. Estamos procurando por algo mais natural”. George também comentou: “A meditação ajuda a encontrar realização na vida, a viver a vida ao máximo”.

Essa experiência poderia ser apenas mais uma maluquice de rockeiros famosos se a Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, não tivesse estudado os efeitos biológicos da meditação, após o médico Jon Kabat-Zinn assistir a uma palestra do mestre Yogi. Batizada de mindfulness (atenção plena, em português), a meditação ocidental se desvinculou da religião e ganhou um caráter laico e científico, características apreciadas por nossa cultura. Dessa forma, a prática conquistou até mesmo empresários de grandes multinacionais. Organizações como Ford, Nike, Google e Apple criaram programas de meditação para aumentar a concentração de seus funcionários.

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Uma das conclusões sobre o viver que está presente na filosofia da meditação é que precisamos viver o presente, e fazemos isso muito pouco. O único tempo que temos é o presente, mas nossa mente nos leva constantemente ao passado e ao futuro. Se estamos com problema no casamento, por exemplo, sofremos por isso no trabalho e no happy hour. Mas o casamento não está na empresa ou na mesa do bar, e não percebemos isso. O presente, assim, adquire um status inferior. Nós não percebemos o vento ao caminhar pela cidade ou apreciamos a respiração ao trabalhar. Nossa mente está constantemente em outro lugar. Ela se apega a eventos passados e antecipa acontecimentos futuros. Vivemos muito pouco o presente.

Uma das consequências imediatas de não viver o presente é intensificar excessivamente os problemas da vida. Carregar os problemas para todas as situações os tornam maiores do que são na realidade. Os problemas não estão conosco o tempo todo, mas vivemos como se estivessem. Aprender a ser leve, ou seja, viver sem o peso do tempo que já passou ou que ainda está por vir, é uma das principais conquistas de quem medita regularmente.

Buda ensinou que a mente humana é como um macaco doido que fica pulando de galho em galho, ou de pensamento em pensamento. Não para. A cada momento está pensando em alguma coisa. A vida mental não cessa de pulsar. O problema é que as sensações do presente, os sentidos que nos conectam ao mundo, ficam em segundo plano. Não prestamos atenção no cheiro das árvores ou nas carícias do vento em nossa pele, por exemplo. Sem controlar o macaco, nos tornamos escravos dele. Focar nas sensações, a regra de ouro da meditação, é valorizar o presente e traçar o caminho para o indivíduo ser feliz consigo mesmo. Para isso, é preciso treinar o macaco.


Rodrigo Tavares Mendonça é psicólogo. Atende no Consultório de Psicologia Unitas. Contatos: (37) 99924-2528, 99828-6290 e [email protected]

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