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Juliano Azevedo é Jornalista, Professor Universitário, Escritor. Blog: www.julianoazevedo.blogspot.com.br Twitter: @julianoazevedo E-mail: [email protected] Instagram: @julianoazevedo
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Imagine um cabo de metal esticado por cem metros de comprimento, amarrado em duas fortes pilastras que não oferecem nenhum risco de serem arrancadas da terra que as prendem. Esse mesmo fio está suspenso uns vinte e três metros de altura, passando por cima de um rio caudaloso com ondas intensas provocadas por uma recente enchente. Você teria coragem de atravessá-lo pé ante pé, de ponta a ponta, equilibrando-se com a ajuda de uma sombrinha? E se a estrutura desse cabo fosse um arame farpado, aquele cheio de farpas pontiagudas como espinhos que apontam em quatro direções? O que motivaria o desafio? Você encararia percorrer o caminho descalço? Certamente, haveria um prêmio no fim do percurso. Topa?

Enquanto pensa na resposta, propõe-se outras indagações: o que te leva a seguir em frente quando você é provocado a tomar outra direção na vida por alguma razão qualquer? Qual a dificuldade que você mesmo se coloca quando é instigado a responder à pergunta anterior ou quando deve ter uma atitude diferente, ousada, louca, que possa beneficiar ou transformar os rumos do seu destino? O que te motiva a sair do comodismo, da monotonia, da angústia, da rotina, do tédio, do ócio sem produtividade? Não está na hora de sair dos atalhos para pegar a estrada?

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Ao fazer tais questionamentos, recorda-se da analogia de uma história muito utilizada em dinâmicas de motivação que diz o seguinte: você foi convidado para participar de uma corrida com cinco milhões de corredores. Somente um desses terá a vitória e todos os outros competidores vão morrer assim que o vitorioso alcançar a linha de chegada. Você aceitaria entrar na disputa? Haverá um prêmio no final, mas também alguns ônus, alguns bônus, porém se vencer, você não poderá carregar a culpa da morte de 4.999.999 coleguinhas. Anima?

Se está lendo este texto, não há dúvidas que você não hesitou em se inscrever no campeonato citado acima, sem saber a enrascada que estaria entrando. Pois bem: essa disputa se chama vida e a competição é a fecundação do óvulo de sua mãe com o atleta conhecido como espermatozoide, vindo do seu pai, ou na modernidade, de uma fertilização in vitro. Já parou para pensar que você venceu a maior prova de atletismo da humanidade sem treinar, sem ter músculos, sem ter técnico nem patrocínio de grandes empresas? E o melhor de tudo: ganhou a tão sonhada medalha e foi chorar de emoção somente nove meses depois.

Está na hora de pensar menos e agir mais. Sair das reflexões para enfrentar a beleza do mundo, deixar a hibernação do casulo para ter asas e voos mais altos, afinal você enfrentou rabo a rabo inúmeros adversários e saiu vitorioso, com alta performance, de uma das corridas mais difíceis que se tem notícia.

O bom da vida é que se pode optar em fazer uma travessia utilizando distintos meios e cada um carrega um significado, caso seja necessário dar sentido a eles. Faça suas próprias metáforas em relação a estes percursos e entenderá. Você pode escolher qual é a melhor maneira para se ligar a outros projetos, outros desejos, outros sonhos e viagens. Seria uma ponte, um túnel, uma pinguela, uma ferrovia, uma trilha, um viaduto, uma passarela? Não importa a maneira como irá, o importante é seguir desde que haja algo para ultrapassar. Não dá para ficar parado esperando a chegada do bonde nem o príncipe no cavalo branco. Mude.

E agora responda se aceita o desafio do arame farpado. A solução para percorrê-lo é sua. Tranquilamente, sabe-se que algumas farpas já foram pisadas e arrancadas. Que tal?

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