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Tânia Márcia Campos Fernandes é Superintendente Agroindustrial da unidade da Biosev em Lagoa da Prata.
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As mulheres estão conquistando pelos próprios méritos o seu espaço no mercado de trabalho. Além de exercerem os papéis de mães e esposas, e ainda enfrentarem a desigualdade de oportunidades e salários entre gêneros, elas precisam ser eficientes – às vezes, até mais que os homens – para conquistar um posto na atividade profissional. Aquele antigo clichê de que mulheres são vistas como figura frágil que não se encaixam no contexto masculino de alta competitividade está em desuso. E para tonar mais evidente, o Jornal Cidade traz o perfil de três mulheres que se destacam em áreas profissionais predominantemente masculinas. Elas são funcionárias da unidade Biosev em Lagoa da Prata. Confira.

Tânia Márcia Campos Fernandes, 42, natural de Belo Horizonte, é Superintendente Agroindustrial da unidade da Biosev em Lagoa da Prata. Graduada em Engenharia Química pela UFMG, ela possui larga experiência profissional em grandes empresas, como a Votorantim, Novelis, Alcoa, entre outras.

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Qual foi o maior desafio que encontrou ao assumir a Biosev em Lagoa da Prata?

Tânia: Aqui é uma unidade maravilhosa, pois tem todos os tipos de desafio que se possa imaginar. O primeiro deles foi uma mudança cultural. Essa unidade precisa ter mais referências e precisamos formar uma equipe com visão de colaboração. Pelo fato de terem passado muitas supervisões e gerências sem um efetivo envolvimento com a cultura local, eu acho que não foi possível desenvolver este trabalho. As trocas de gestão aconteceram muito rapidamente e o trabalho de mudança de cultura não foi consolidado.

Como é ser a primeira mulher a ocupar um cargo de superintendência nesta unidade da Biosev?

Tânia: Sou pragmática neste assunto. Profissional não tem sexo. Profissional é profissional.  Se você tem as competências necessárias para estar sentado naquela cadeira, se você é empenhado, tem habilidade e se tem atitudes que são requisitos para aquela função, a questão do gênero é secundária. Eu acredito na diversidade. As pessoas trabalham melhor se houver homens e mulheres no mesmo ambiente. Ao longo da minha carreira eu tive vários exemplos disso e a Biosev tem essa cultura, tanto que temos 7% de mulheres nas áreas operacionais e administrativa, e esse número tem crescido ano a ano. Inclusive, temos o compromisso com os nossos acionistas em crescer a diversidade.

A sua trajetória profissional pode servir de exemplo para outras mulheres?  

Tânia: Claro. No Dia Internacional da Mulher fizemos um evento e todas as nossas 50 colaboradoras compareceram. Tivemos também a presença de mulheres que são prestadoras de serviço para a Biosev. Contei a minha história para elas e falei da importância de se ter um foco, pois tudo que a gente trabalha para conseguir a gente consegue, seja na vida profissional ou pessoal. O desafio da mulher é bem maior do que dos homens, nós somos multitarefas e desempenhamos vários papéis, mas é plenamente possível. É uma questão de se preparar.

Recentemente, a empresa tentou colocar na agenda política da cidade uma discussão sobre a aplicação dos defensivos agrícolas por via aérea, mas a proposta não foi adiante. A empresa, ao adquirir a unidade em 2001, herdou um passivo dos antigos proprietários no que se refere a crimes ambientais, entre outros. Como vocês pretendem se relacionar com a comunidade e mostrar que a Biosev tem compromisso com a comunidade?

Tânia: Precisamos levar mais informação. E informação de qualidade para essas pessoas, pois o que eu percebo é que existem muitos mitos em relação à empresa. São mitos de várias naturezas, como os próprios defensivos agrícolas (já faz dois anos que não fazemos a pulverização, mas existe uma segurança psicológica implantada, e isso, para mim, é claramente uma falta de informação e de fiscalização também, pois nós queremos ser fiscalizados para mostrar que queremos o certo). As pessoas também dizem que Lagoa da Prata é quente por causa da cana-de-açúcar e isso não tem nenhum fundamento.

Foi veiculado na imprensa que se o projeto da pulverização aérea não fosse aprovado, a empresa poderia encerrar as atividades em Lagoa da Prata. Até que ponto isso é verdade?

Tânia: A empresa não se colocou dessa forma. Nosso diretor de operações esteve na Câmara e o que ele colocou foi que no ano passado o nosso resultado foi negativo e tivemos prejuízo. Este ano nós devemos fechar no zero a zero, ou seja, não vamos ter lucro, mas também não vamos dar prejuízo. Nós estamos muito atrás de outras usinas que usam essas práticas e que são legais. Este ano, se tivéssemos feito a aplicação de defensivos teríamos um potencial de ganho na ordem de milhões de reais que nos colocaria em uma posição mais favorável. Se, a longo prazo, nós continuarmos não investindo nas melhores técnicas de manejo agrícola, a empresa não vai conseguir sair da situação que ela está. Então, a longo prazo, ela pode decidir não investir mais aqui. Mas não é essa situação alarmante que foi colocada, como se não for aprovado a empresa irá fechar as portas. A minha vinda pra cá é um exemplo disso. Essa unidade não tinha uma superintendência local, que antes estava em São Paulo. Mas chegaram em um entendimento de que precisavam dar mais foco e colocar alguém que fosse de Minas Gerais para ter um olhar mais aprofundado sobre essas questões que estão  prejudicando o nosso desenvolvimento aqui e intensificar esse relacionamento com a comunidade local.

Obrigado pela entrevista. O espaço está aberto para as suas considerações finais.

Tânia: Eu gostaria de fazer duas considerações, uma como mulher e outra como Biosev.  Como mulher eu vejo que nós temos muitos desafios, alguns maiores do que os dos homens no mercado de trabalho, principalmente considerando a maternidade, mas é plenamente possível sermos felizes tendo os dois papéis . É uma questão de se preparar, estudar para buscar a formação e, com certeza, teremos um resultado desse esforço.

A Biosev de Lagoa da Prata está aberta para contratar mulheres do município. Uma visão que eu tenho é a do desenvolvimento local. Tenho buscado identificar profissionais aqui da região, mas, infelizmente, existe uma carência de qualificação. Estamos com várias vagas em aberto. Então, eu diria para as mulheres se preparem, pois se estiverem preparadas terão o seu lugar. Como Biosev, estamos em um momento de aproximação. A minha gestão aqui será marcada pelo diálogo, tanto com as partes interessadas internamente quanto os sindicatos e comunidade. Nós queremos trazer as pessoas para dentro da empresa para que elas possam ver como as coisas funcionam aqui, pois a Biosev é a segunda empresa que mais emprega na cidade. Hoje temos 1800 funcionários, dos quais 1400 são de Lagoa da Prata. Temos uma área de influência que atinge 5 mil pessoas. Nós podemos ter uma relação muito mais construtiva com essas pessoas do que a gente pôde ter até hoje.

Elas têm a força 

Liliane Aparecida Cardoso, 22, líder de Tratos Culturais.  

DSC_0694“Na safra eu trabalhava com aplicação de calcário e gesso. Acompanho no campo e o lançamento de notas e boletins de calcário e gesso.  No dia 9 de abril eu completarei 3 anos, entrei como auxiliar e hoje sou líder. Trabalhei na área de irrigação e ajudo também no cadastramento de peças. Minha meta é continuar aqui dentro para poder aprender mais. Fiz curso de munck, tenho carteira para dirigir caminhão. O relacionamento de todos da equipe é muito bom, com muito respeito. Aliás, a empresa cria condições para que haja respeito, principalmente com as mulheres.

Iraídes Correia Borges Carvalho, 37, Operadora Industrial de Centrífuga.

DSC_0699“A operação de centrífuga é pesada e tipicamente masculina. Eu sou a primeira mulher em Lagoa da Prata a operar a centrífuga. Quando eu enviei o meu currículo para a Biosev era para a área elétrica, pois eu iria fazer um curso, que acabou não saindo para mim. Eles gostaram do meu currículo e me chamaram. Quando eu cheguei e eles me colocaram na centrífuga todo mundo perguntou o que eu estava fazendo lá. Foi um desafio, mas eu gosto disso. As pessoas acharam que eu não daria conta e estou aqui há 3 anos.  Quando cheguei e vi aquelas máquinas enormes e pensei que não iria dar conta. Mas em uma semana eu já estava trabalhando sozinha. A minha vontade aqui dentro é de continuar e crescer em outras áreas. Eu sou formada em Técnica de Segurança, sou mãe de um moço de 20 anos e uma moça de 19, e avó”.

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