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Curado de câncer, Xuxa ensina, voluntariamente, técnicas de slackline na praia.
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Diagnosticado com tumor nos rins aos 25 anos, Kallyfer Nascimento conheceu o sla­ckline durante a recupera­ção. Curou-se e atrai novos praticantes da modalidade.

Após passar por um sério problema de saúde, diag­nosticado com tumor nos rins aos 25 anos, o lagopratense Kallyfer Nascimento, mais co­nhecido por Xuxa, 28 anos, en­controu forças ao dividir o seu co­nhecimento ensinando pessoas de todas as idades a praticarem o slackline.

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Devido ao tratamento da do­ença e por recomendações médi­cas, Kallyfer foi forçado a deixar as práticas esportivas por mais de um ano. Ele praticava capoeira e skate. Porém, mesmo depois de combater e vencer a doença, ele ainda se via desmotivado. O re­encontro com o novo ânimo veio por meio do slackline (esporte de equilíbrio sobre uma fita elástica esticada entre dois pontos fixos), que lhe foi apre­sentado pelo amigo Lucas Guadalupe.

Após intenso tratamento, sessões de quimioterapia e retirada do tumor, ele foi curado da doença em 2013. “Quando tudo es­tava sem sentido na minha vida e andava triste e deprimido, o Lu­cas me apresentou o slackline. Eu só precisava de algo para não enlouquecer. Quando estava em recuperação, meu médico me auto­rizou a praticar slackline e foi aí que minha vida mudou. Hoje te­nho paixão pelo esporte. Foquei nessa atividade e me esqueci dos problemas. Tenho certeza que o slack me ajudou muito, graças a Deus estou curado”, disse Xuxa.

O esportista aprendeu sozi­nho e após seis meses conseguiu realizar as primeiras manobras. “Quanto mais eu errava, mais eu queria tentar. É por isso que ho­je as pessoas costumam dizer que eu as inspiro a arriscar, a tentar seguir adiante. Eu comecei a an­dar na corda na praia, e as pessoas que frequentavam o local, por curiosidade, me abordavam e pediam para tentar andar tam­bém. Dessa forma eu apresentei o esporte para várias pessoas e as convidava a treinar comigo, já que, por eu estar desemprega­do, estava todos os dias lá. E por estar na praia todos os dias, co­nhecia quem frequentava e tive a liberdade de abordar diversos jo­vens e adolescentes, usuários de drogas, incentivando-os a prati­car o esporte. Alguns, tenho cer­teza, mudaram de vida depois do slackline”, lembrou. ­

Vida nova

Com o incentivo de Xuxa, crian­ças, jovens, adultos e até idosos que frequentam a praia já toma­ram gosto pelo slackline. “Co­nheci muitos amigos através do slack, foi por isso que me senti motivado a começar a dar aulas. É uma satisfação enorme dizer que eu apresentei o slackline a tantas pessoas da cidade, tenho certeza que contribuí de alguma forma. Tem alunos que até dizem que o slack lhes proporcionou novas oportunidades”, contou.

Igor Augusto Alvarenga, de 19 anos, foi uma das pessoas que Kallyfer abordou. O jovem reco­nhece que frequentava a praia há um ano para usar drogas. Vendo a situação dele, Xuxa sentiu-se na obrigação de ajudá-lo. Incen­tivou-o a parar com o vício e focar no esporte. Atualmente, Igor trei­na há oito meses com frequên­cia e está sem usar drogas des­de então. Além disso, conseguiu um trabalho. “O Xuxa é bastan­te respeitado na praia e eu o ou­vi quando ele quis me ajudar. Eu estava na pior, mas ele me esti­mulou a praticar slack e hoje ve­jo que o resultado já está apare­cendo. Evoluí bastante no espor­te e o melhor, parei de usar dro­gas e comecei a trabalhar”, come­morou.

Além do garoto, Kallyfer tam­bém apresentou o slackline pa­ra a adolescente Eduarda Rezen­de, de 15 anos, que treina constantemente para se tornar pro­fissional do esporte e participar de campeonatos em nível nacio­nal. “Foi o Xuxa quem me moti­vou quando eu disse que queria levar o esporte a sério. Hoje, eu treino com frequência e estou fo­cada para alcançar um nível on­de poderei participar de campe­onatos importantes”, destacou.

Depois de alguns anos com aulas voluntárias, Xuxa diz não ter dúvidas: quer continuar com o projeto. Ele tem planos para um campeonato de slack em fe­vereiro, durante o carnaval. Além disso, também pretende iniciar, ainda em 2016, aulas voluntárias de capoeira.

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