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Por: G1
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O São Francisco está empobrecendo. Não produz mais peixe, nem irriga, nem produz eletricidade como antes. A capacidade de geração de energia, por exemplo, caiu quase 40% desde 2002.

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Já disseram que o São Francisco é um presente de Minas para o Nordeste brasileiro, mas hoje, fica até difícil apontar a principal entre tantas causas da degradação do rio.

O São Francisco já foi sinônimo de peixe. Para ver como está a situação agora, pesquisadores ligados à UFMG mergulharam em suas águas de ponta a ponta. Do Alto São Francisco, registraram a ocorrência de bagres, lambaris, tamaranas, traíras, piaus, cascudos, sendo de corimbas os cardumes mais frequentes. Na criteriosa investigação, no entanto, não lograram encontrar espécies que antes povoavam também uma parte do rio, como contam os pescadores antigos.

O São Francisco desce das nascentes da Canastra trazendo as marcas do garimpo de diamantes, das voçorocas e da poluição dos esgotos. Depois da serra, ele pega uma longa planície e na altura do município de Lagoa da Prata, ele sofre uma verdadeira amputação.

Depois das turbulências da descida, o rio se dava remanso, um momento para acalmar as águas. Serpenteava por sete curvas, porém no início dos anos 80, seu curso foi retificado com a abertura de um canal. Um percurso de 7,5 quilômetros foi encurtado para 350 metros e as consequências disso é a formação de corredeiras, que cortam como lâmina a planície e ‘comem’ dezenas de metros das margens.

Vários crimes foram cometidos nessas décadas, o rio não dava voltas à toa, tinha a função ecológica fundamental de alimentar uma grande quantidade de lagoas marginais.

De acordo com Antônio Félix Domingues, da Agência Nacional das Águas, em Lagoa da Prata o rio demorava horas e até um dia para percorrer os 7,5 Km, e sem dúvida alguma, o desvio do rio foi um crime. “Sem dúvida alguma foi cometido um crime”, afirmou.

Segundo o ambientalista e pescador Saulo de Castro, o local era berçário de muitas espécies de peixes. “Durante a piracema as espécies sobem o rio. Houve uma diminuição muito grande de peixes no rio São Francisco  e isso em função da drenagem das áreas de recrutamento”, destacou.

Só na região de Lagoa da Prata havia 38 lagoas, e hoje, apenas uma lagoa é abastecida. “Essa lagoa foi defendida na bala. Quando os maquinários da empresa chegaram aqui para abrir o canal de drenagem o antigo proprietário juntou o tropa de jagunços dele e não deixaram que drenassem a lagoa. Foi defendida na carabina mesmo”, disse Saulo.

É na lagoa marginal que o alevino tem chance de escapar dos predadores e se desenvolver para, na cheia, passar a viver no rio. As lagoas foram drenadas, trechos da borda bem na margem do rio foram arrebentados, comportas foram instaladas e no assoalho delas, valos foram abertos para um contínuo esvaziamento, já que esses fundos são coalhados de olhos d’água. Nascentes agora são impactadas pelo pisoteio do gado.

Para o Promotor de Justiça, Eduardo Almeida, por princípio de direito ambiental o que se quer no primeiro momento é o retorno do rio no leito original e que as lagoas sejam recuperadas. “Nós temos duas casas gabaritadas que divergem”.

Pela lei o leito do rio São Francisco é da competência da Agência Nacional das Águas, o que aconteceu nas margens é da competência do IBAMA, o problema das lagoas marginais já é da jurisdição estadual. “É bastante difícil fazer um prognóstico sobre o que vai acontecer”, destacou Almeida.

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