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Maria Adélia, Theresa, Maria da Glória e Abílio de Barros
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O livro reúne textos publicados no Jornal Correio do Estado

 

 

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Todas as terças-feiras, um cronista assina um texto publicado na página 7 do caderno Correio B, no jornal Correio do Estado. Memórias, observações, críticas e reflexões. Cada um dos quatro autores, que se revezam semanalmente, tem estilo próprio e liberdade para a escolha dos temas. Desse modo, o livro “A Crônica dos Quatro”, que será lançado hoje, às 19h, no Museu de Arte Contemporânea (Marco), representa um mosaico criado a partir dos olhares poéticos de Abílio Leite de Barros, Maria Adélia Menegazzo, Maria da Glória Sá Rosa e Theresa Hilcar. A obra conta com incentivo do Fundo de Investimentos Culturais (FIC).  Para os autores, definir o que fazem não é fácil. Cada um oferece sua visão sobre o ofício de escrever crônicas, mas todos concordam que o cotidiano – seja ele presente ou passado – é a matéria-prima do que fazem. “É difícil para o autor definir o que faz, sem dúvida. Eu tenho essa coisa mais coloquial, voltada para o dia a dia”, descreve Theresa.

É narradora perspicaz do cotidiano. Parece que já nasceu cronista. Deve ser água que se toma em Minas Gerais

Graças à apresentação, escrita pelo editor do Correio B, Oscar Rocha, torna-se mais fácil entender o universo de cada escritor. De Theresa, ele explica: “É narradora perspicaz do cotidiano. Parece que já nasceu cronista. Deve ser água que se toma em Minas Gerais”, escreve. Sobre Maria da Glória Sá Rosa, a professora Glorinha, a inegável influência de Marcel Proust é percebida nos resgastes feitos pela cronista a partir de pequenos detalhes, como uma fotografia, uma cena ou uma música. “Maria Adélia coloca à disposição do cotidiano o olhar de acadêmica”, explica sobre a cronista, mas também pontua que lugares-comuns, como a sisudez ou o esnobismo, passam longe daquilo que é assinado pela professora e pesquisadora. “Seus textos são exercícios de bom humor, informação e observação”.

É difícil para o autor definir o que faz, sem dúvida. Eu tenho essa coisa mais coloquial, voltada para o dia a dia

Sobre Abílio de Barros, Oscar ressalta duas características: “O memorialista detalhista, bem-humorado, e o defensor de sua classe social”. Entre a primeira e a segunda, o cronista vai dos momentos sublimes aos polêmicos. O próprio Abílio afirma que escreve dois tipos de crônica: “Existem aquelas de caráter ameno, nas quais tive muita dificuldade em me adaptar. Estou acostumado a falar de política e xingá-los”, brinca. Nas amenidades, o autor prefere falar do cotidiano. “A boa crônica é aquela que tem conteúdo e é bem escrita. Não importa sobre o que se fala, desde que se fale de uma maneira agradável”, pontua.

Escolhas

Nas 250 páginas de “A Crônica dos Quatro”, o leitor encontrará 62 textos, divididos por autor. Theresa é a primeira. O texto que abre a seleção de 15 crônicas é “Nunca mais, outra vez”. O relato nasce de uma misteriosa palavra ouvida na esquina de casa, palavra essa que nunca mais poderá ser proferida pela autora mineira de Lagoa da Prata, jornalista há 30 anos.

A próxima seleção é a de crônicas de Maria da Glória Sá Rosa, nascida em Mombaça, Ceará, professora de Literatura aposentada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Sua primeira crônica relata a amizade com a filha de Carlos Drummond de Andrade, sob o título de “Meu envolvimento com Maria Julieta”. “Era uma moça estranha, mas fui bastante próxima dela. A crônica também serve para rememorar”, comenta. Maria Adélia Menegazzo tem a primeira crônica de sua seleção publicada entre as páginas 139 e 142. “Quando o tempo é reencontrado” tem tom memorialista e relata um dia cotidiano, às vésperas de um casamento. Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada, a professora aposentada pela UFMS também passeia por inúmeros outros temas em suas crônicas.

O único nascido na porção territorial que viria a ser chamada de Mato Grosso do Sul, Abílio Leite de Barros, é o último dos cronistas a aparecer. O corumbaense que também lecionou em cursos universitários abre sua seleção com “Ano novo, velhos conceitos”. A crônica pontua a importância do futuro e a necessidade de olhar para o passado, a partir de críticas ao “mensalão”. Antes do início de suas crônicas, um pequeno aviso pontua: “As crônicas de Abílio Leite de Barros remetem a lembranças e pontuam acontecimentos entre os anos de 2012 e 2014, período em que foram publicadas”.

Reunidas em livro, as crônicas deixam a efemeridade das páginas do jornal e adentram um espaço em que se conservarão por mais que um dia. “É vantajoso para o leitor, que pode percorrer inúmeros relatos”, explica Theresa. A cronista também acredita que, com o livro, o público adolescente poderá ter contato com os autores regionais. “Ele poderá ser usado em escolas. Percebo, na minha experiência, que o público jovem é grande fã das crônicas. Ela é importante para iniciar o aluno no mundo literário”.

 

Fonte: Jornal Correio do Estado

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