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Tem algumas historinhas que a gente conta, e eu vou contar um acontecido comigo pra vocês.

Quando eu era criança, eu trabalhei na oficina mecânica do Zezico Perturbado, lá era mecânica e lanternagem de aço ao mesmo tempo.  Eu trabalhava lá mais por conta de uma bicicleta de tamanho médio, a freio de pé. Eu ia à extinta casa de peças Souza (do Orlandinho) buscar peças, perto do Posto Foguetão, ebuscava tambémalmoço para um lanterneiro, e esse almoço eu pegava todo dia na casa do Finuquinho, no bairro Dom Bosco.

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Um belo dia, eu peguei o caldeirãozinho do lanterneiro, que não me lembro o nome porque faz muito tempo; e fui pra casa do Finuquinho, seguindo a rua Carlos Bernardes. Já nas proximidades do Bar do Betinho, encontrei com o Romero do Zé grande (o Macuco), e aí falei com ele:

– E aí Macuco, beleza?

– Ele respondeu: Beleza!

– To indo ali na casa do Finuquinho buscar o almoço; monta aí na garupa e vamo ali comigo.

-Aí o macuco respondeu: Vamo então uai.

Macuco fanhoso igual eleera né, montou na bicicletinha;a estrada era de chão né, e andando no sentido da rodoviária, em uma descida forte que passa próximo ao barzinho do Cruzado hoje, (ali na esquina morava o Gino e a Petrolina). E era uma pururuca danada,um cascaienrolado, mas mesmo assim descemos eu e o Macuco na bicicleta a freio de pé.

E não deu outra, a danada não deu freio e passando perto do bar do Cruzado, as rodinha da bicicleta não tava nem pegando no chão.

– E o macuco me perguntava: que que isso, Zé?

– E eu falava: fréia, fréia com o pé.

E nós atravessamos a primeira esquina, que hoje é a ruaTeodosino Batista dos Santos, mas antes era a rua Mato Grosso, onde aindamora o Tõe Preto e a Maria (o Toê Preto trabalhou muitos anos na Tenda do Alexandrinho, ele era fazedor de foice).

E naquele lugar tinha uma curva, onde a gente virava pra ir na casa do Finuquinho. E na curva não deu outra, nós não conseguimos fazer a curva mesmo, e a porta da casa do Tôe Preto era pra rua, e o que que aconteceu???  Nós entramos com bicicleta e tudo pra dentro da casa do Tôe Preto, e nóis foi parar lá na cozinha, nos pé da Maria do Tôe Preto. E o caldeirãozinho, virou um pastel, a sorte que tava vazio. E o macuco? O macuco escalavrou tudo. E ele falava, eu vou contar tudo pra minha mãe. E eu falava: Não conta não, macuco.  Porque senão vai ficar pior pra nóis.

E eu??? Eu machuquei muito, pra daná.

Moral da história

Eu não tive a coragem de chegar na casa do Finuquinho, porque o caldeirãozinho virou um pastel, uma precata. E eu perdi o serviço e quase que a amizade com o macuco. Quando eu cheguei na oficina com a bicicleta toda arranhada o Zezico Perturbado deu um xingo, cê precisa de ver a labuta que foi. E o pior é que o lanterneiro estava esperando o almoço, mas eu deixei o caldeirãozinho, que virou um pastel, lá mesmo.Nãovoltei nem para receber.

Hoje em dia quando eu e o Macuco nos encontramos, a gente cai na risada lembrando da carona, o dia e a hora errada…

 

José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM E- mail: bandeirantes@isimples.com.br
José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM
E- mail: [email protected]

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