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Quando eu era menino meu pai Zé Nestor trabalhou cerca de vinte anos na fazenda do saudoso Tõe Cabral, da rede Cabral de Supermercados. A fazenda ficava entre Santo Antônio do Monte e Lagoa da Prata, e depois da escola eu ia pra essa fazenda ajudar a limpar o curral e auxilia a dona Fina, saudosa mãe do Tõe Cabral. Eu varria terreiro, ajudava a dona Fina a fornear aqueles “biscoitão” , e naquela época o Zé Ronaldo (Supermercado São Lucas), conhecido na época por Zé Capeta, mas hoje chamamos ele de Zé de Deus,  Chiquinho do mercado Cabral (Centro) e o Toninho (irmão do Chiquinho) que hoje mexe com açougue, ficávamos por ali.

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Na fazenda trabalhavam muitos peões e era a dona Fina que cozinhava para eles e eu ajudava ela, pois era muito obediente. Lá trabalhava no curral o Belchior (Tõe Ribeiro), Tõe do Odorico era o motorista, o Tomé do Churrasquinho também era motorista, e outros que não lembro o nome.

Na fazenda também tinha uma granja de frangos, e eu também trabalhava lá nas horas vagas colhendo ovos. Lá havia muitos pintinhos e quando eles são assim novinhos costumam bicar na traseira uns dos outros, deixando o local vermelho de sangue, e todos os frangos que viam aquilo ali queriam bicar também. E Tõe Cabral pediu para que eu ficasse de olho em mais ou menos vinte e mil frangos, e ali eu fiquei atento. Quando um franguinho ficava machucado eu passava negovon com diesel queimado, que era muito usado na época para cicatrizar; e assim eu fui fazendo… bicava um, bicava outro, eu ia curando e curando. Mas era muito frango e pouco negovon com diesel para passar, foi então que o Tõe Cabral resolveu ir pescar e me deixar por conta da granja, e quando o granjeiro chegava sempre dizia que eu tava bom de serviço porque os franguinhos estavam bonitinhos. Só que os franguinhos já estavam ficando branco e preto de tanto que eles estavam bicando uns nos outros, e eu já não estava dando conta da bicação deles. Então eu cheguei um dia no primeiro box da granja e fui pegando um por um e pintava eles todinho de preto, porque eu já sabia eles seriam bicados mesmo . Daí o problema acabou, nenhum franguinho bicava mais o outro porque o óleo queimado e o negovon cheiravam forte.

Quando o Tõe Cabral chegou na granja e viu a quantidade de franguinho preto, ele me chamou para dizer que eu havia transformado a granja de frango em uma granja de urubu. E o Tõe ficou preocupado porque logo ele tinha que mandar os frangos para o Ceasa, só que eu dei uma danada de uma sorte porque os franguinhos eram novinhos e acabaram trocando as penas e ficando branquinhos novamente, mas os danadinhos ainda foram acinzentados.

E a moral é que eu ainda fui mandado embora do serviço, porque transformei a granja de frango em granja de urubu. Mas uma coisa ficou certa, os franguinhos nunca mais bicaram uns nos outros.

José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM E- mail: bandeirantes@isimples.com.br
José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM
E- mail: [email protected]

 

 

 

 

 

 

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