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José Antônio (Rádio Samonte FM) [email protected]
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Eu era menino e trabalhava como entregador de leite no sítio do senhor José Honorato , que ficava próximo ao Córrego dos Ferreiras. Eu ia no pasto buscar um burrinho castanho pra por a carroça e colocar as latas de leite pra levar pra cidade.

Um dia pedi para o senhor Zé aumentar o meu salário porque estava pouco, e ele me disse que só aumentaria se a água aumentasse também. E eu fiquei o dia todo com aquilo na cabeça, logo, vi que tinha uma solução. No outro dia cedo quando estava levando o leite para a cidade passei perto de um “corguinho”  e resolvi colocar bastante água no leite,  e desse modo levei para as clientes. E assim fiz por alguns dias, pois o senhor Zé disse que se aumentasse a água também aumentaria o meu salário, mas nada do dinheiro aumentar.

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Quando foi um dia os cliente tudo se reuniram e foram dizer ao senhor Zé que estava chegando só água para eles  e que leite mesmo não estava tendo nada.  O senhor Zé ficou indignado, e dizia o tempo todo que não era possível estar acontecendo isso.

Depois disso, o senhor Zé Honorato me chamou na regulagem e perguntou se eu estava colocando água no leite. E eu disse que estava porque ele falou que assim que as águas aumentassem ele aumentaria também o meu salário, então eu mesmo resolvi aumentar essa água. Só que ele estava se referindo as água da chuva, pois com ela aumentaria o pasto e os gados dariam mais leite, com isso eu ganharia mais. Daí eu parei de colocar a água no leite, mas o salário também não subiu.

Quando foi um dia eu estava subindo em uma das ruas perto da Santa Casa quando o burrinho castanho resolver dar pra trás, e foi afastando pra cima de um carro novo, que época era o maverick. E o dono do carro viu que o carro ia ser amassado pelo danado do burrinho, e o pior é que eu não dava conta de controlar aquela carroça. Juntou um tanto de gente e carregou a carroça, as latas de leite, eu e o burro e colocou tudo na outra rua perto da venda do Pedro Silvano. E assim acabei de subir, eu entregava leite na casa do Tõe do Zé Honorato, Zé Maria do Zé Honorato,  Otaviano do Zé Honorato,  Caneco,  Edna e na  Nestlé. Voltando eu passava na casa da esposa do senhor Zé para pegar almoço e descia para o sítio.

O senhor Zé era muito religioso, e só para começar a trabalhar eu tinha que rezar quase uma missa com ele . Naquela época além de eu entregar o leite fazia alguns serviços na horta e de servente também.

Um dia o senhor Zé resolveu levantar uma parede onde ficavam os bezerros, assim ele mandou eu preparar a massa só que ele não tinha comprado cimento. Fui perguntar pra ele cadê o cimento e ele me disse que naquela “caristia” o cimento seria o estrume das vacas. Bem assim eu fazia, pegava a estrume, terra amarela e água para fazer o nosso concreto e colocar os tijolos. Nós gastamos trinta e cinco dias pra poder levantar uma parede,  e sabe o motivo? A gente levantava meia parede, e antes de ir embora colocávamos os bezerros no bezerreiro e os danados derrubavam a “paredinha”. E assim fizemos várias vezes , até a gente descobrir  que tinha que colocar os bezerros em outro curral, mas como ele era o patrão, eu só obedecia.

E assim era nossa vida e nosso servicinho…era uma peleja danada!

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