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Por: Isaías Santos

As duas meninas se encontrava em casa, com camisolas brancas e descalças. A pele morena se destacava ante a brancura das roupas. A casa era simples, mas muito limpa.

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Os pais, impossibilitados de voltarem para casa por causa da enchente pediram ajuda a vizinhos que ora se encontravam do outro lado do rio, aos gritos. Era a cheia do São Francisco e a ponte havia caído. A mais próxima, apenas junto ao rio São Miguel ou então em Moema. Ninguém se atrevia a passar a nado ou mesmo em canoas pois a chuva era muito forte.

A vizinha e comadre foi até a casa onde as duas meninas ora se encontravam e ficou atônita ante o que via. Uma delas se encontrava junto a um altar de madeira e não conseguia se levantar do banquinho que defronte ali estava. A outra menina estava deitada e parecia que seu corpo estava em chamas. A comadre podia jurar que via mesmo uma labareda de fogo junto ao corpo.

As duas tremiam e gritavam por ajuda, por socorro. Ela saiu correndo e foi em direção à capela. Por sorte um dos charreteiros ali se encontrava e foi direto ao padre para busca-lo. Não era a primeira vez que estes sinais ali se manifestavam. O pai mesmo já contara muitas histórias de sua mãe que era benzedeira e morreu de forma inexplicável. O padre, cerca de 40 ou 50 minutos depois chegou, com uma Bíblia numa mão, uma cruz, um rosário e o frasco de benzição na outra mão. Foi até o oratório no qual a primeira menina se encontrava. Parecia que as suas mãos ali estavam pregadas.

O padre notou que a santa que estava sobre o oratório tinha, em cima do olho esquerdo, um outro olho, no espaço entre o par de olhos e o manto que cobria a sua fronte. E a santa parecia sorrir. O padre passou por ela e foi em direção à outra menina que, aos gritos, pedia socorro, como se seu corpo estivesse mesmo em chamas. O padre passou a mão no rosário e começou as rezas. E as chamas ficaram latentes aos olhos de todos. O padre então, vendo a situação ficar fora de controle, abriu o frasco de benzição e entornou todo o seu conteúdo sobre o corpo da menina que, de um salto levantou-se da cama, abraçando o padre e dizendo que um homem de capa negra havia a colocado ali e prendido as suas mãos e pés na cama e então despejado um líquido verde sobre o seu corpo. E saiu em disparada para um cômodo no qual passou a tomar banho.

O padre saiu em direção a outra menina e, postando se atrás dela, passou a rezar e clamar por libertação. Talvez por impulso, decidiu então tomar a Bíblia e usá-la de forma nunca visto antes: deu na santa que se encontrava em cima do oratório um safanão. Quando esta santa caiu no chão, espatifando-se em vários pedaços, um som ensurdecedor, como de trovão soou por toda a casa. A menina, desprendendo suas mãos do oratório caiu aos pés do padrinho, agradecendo-o pela intervenção.

As pessoas começaram a se aglomerar ao redor da residência e o padre, juntamente com a comadre, vizinha do lugar, passaram todos a rezar em frente a casa. A família dali se mudou e nunca mais foi vista nas redondezas. E o caso ficou esquecido no passado ante o silêncio da padre e da comadre que nunca mais tocaram no assunto. Certo que é que a foto de um coronel dono de fábrica na cidade estava debaixo desta santa. Quando o padre derrubou a estátua, a foto foi descoberta.

Ele lançou a foto no meio da Bíblia e ao chegar à paróquia guardou a foto numa gaveta de um dos criados da casa paroquial. Sabia que aquela foto continha um trabalho espiritual de pessoas com parte com o demônio. Passados dois ou três dias, a foto havia sumido.

O padre se mudou para outra paróquia e há apenas alguns anos atrás revelou que tal foto pode estar nos pertences de alguma pessoa em Lagoa da Prata: a foto do coronel com uma mulher nua no meio do canavial. Só que no local onde deveria estar o rosto da mulher que o acompanhava estava o rosto de uma santa. A mesma santa que o padre derrubou…

Histórias que o povo conta…

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