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Nasceu Antonio Alberto Mendes. Por causa da embriaguez constante, sempre entendemos Antonio Bento Meni, o que, pela semelhança com o nome de um hospital para necessidades mentais em Divinópolis, acabou por tornar-se seu apelido. Para poucas pessoas é verdade.

Indagado o porquê de sua ficha policial, um homicídio, passou a contar-nos a sua única passagem pela justiça local e pela cadeia na cidade de Luz, onde permaneceu por 5 anos, segundo ele mesmo, cumprindo pena de 15 anos por ter matado com uma peixeirada, um baiano, de nome incerto, há muitos anos na cidade de Luz, em uma fazenda.

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Contou-me que vivia feliz em uma fazenda com sua esposa Rosinha e quatro filhos: Sérgio Reis, Edvaldo, Iranilda e o último não consegui entender o nome, mesmo ele tendo repetido por mais de 4 vezes e eu não conseguir registrar na mente. Algo em torno de Everaldo, Reginaldo, só sei que tinha aldo no final.

Apareceu na fazenda para trabalhar um rapaz cujo apelido era Baiano. Disse Antonio que ele era um tanto folgado, tendo o encontrado por várias vezes dormindo na varanda da cozinha de sua casa, esparramado numa rede onde a esposa fazia as crianças dormir.

Como o Baiano sempre aparecia lá em sua casa sem a sua presença, tratou logo de proibi-lo de ir ali, caso não estivesse. Talvez ciúmes de Rosinha, talvez por ser “sistemático” mesmo.

Tanto foi que um dia acordou com Rosinha cutucando-lhe a lateral do corpo para que visse de onde vinha o barulho que acordou a todos da casa. Antonio então se deparou com o Baiano no interior da cozinha de sua casa. Foi a gota d’água. Brigou com Baiano, tendo ele lhe desferido um golpe na cabeça que quase o desacordou.

Como o dono da fazenda nada fez, desgostou-se, indo para outra fazenda nas proximidades de Bambuí, pr’os lados da Serra, meio caminho a São Gotardo.

Certa vez, terminando de bater o café que estava a secar num terreiro bem a frente de sua residência, olha por detrás da casa de ferramentas e vê o Baiano se aproximando. Era tardinha e o sol já ia se pondo. Como não havia energia elétrica, Antonio sabia que não podia demorar-se a enxotar dali o Baiano, cuja presença detestava.

O Baiano se aproximou e contou a Antonio uma história que ele não entendeu direito. Talvez algo acerca do filho mais novo. Baiano falou com Antonio que queria falar com Rosinha. Antonio não permitiu. Baiano disse então que iria levar o filho mais novo de Antonio.

Antonio, vendo então a escuridão tomar conta do terreiro de café, derramou um litro de pinga “capa preta” no chão, no que Baiano correu em direção ao filho que estava a caminho da porteira, chegando das bandas da fazenda grande do patrão onde cuidava dos cavalos de raça dele.

No caminho, viu uma peixeira colocada sob as telhas da casa de ferramentas, indo em direção a Baiano, e quando este estendeu os braços para pegar o filho mais novo de Antonio, golpeou-o nas costas, talvez na nuca, talvez mais embaixo na altura das “pás dos ombros”, no que o Baiano caiu, esvaindo em sangue. Rosinha pegou os filhos trancando-se dentro de casa. Antonio foi até a fazenda grande buscar ajuda.

Colocaram o homem sobre o lombo de um cavalo levando até a cidade de Luz, onde o Baiano chegou ao doutor sem vida. Antonio então se apresentou ao delegado, contando-lhe o que havia acontecido.

O delegado então, ante a história de Antonio, sabedor de que Baiano estava desarmado, prendeu Antonio, indo a julgamento, sendo condenado.

Nem bem Antonio saíra da cadeia, a esposa Rosinha veio a falecer. O filho mais novo sumiu no mundo e ele nunca mais o viu.

Apesar de lamentar a má sorte em ter perdido a liberdade, a esposa e um dos filhos num curto espaço de tempo, disse que de nada se arrepende

Histórias que o povo conta…

Isaías Santos é Policial Militar e Escritor
Isaías Santos é Policial Militar e Escritor

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