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Rui Amorim foi prefeito de Lagoa da Prata há alguns anos atrás. Dizem que é um muito perspicaz, muito inteligente e que na política, não perde o trem da história de forma alguma. Mentor de obras que ainda hoje estão aí a servir a população. Exemplo são a rodoviária, a melhoria e o formato da praia municipal e o incremento do turismo na nossa cidade dentre muitas outras obras.

Pois bem; na inauguração de uma obra de sua administração, montaram um palanque no centro da cidade, bem em frente onde hoje funciona o Fórum local. Banda de música, muita gente no centro da cidade, “som de dois andares, meu (…)” como diz meu amigo Mozar Alves, quando a aparelhagem de som é muito grande e de boa qualidade. O cenário perfeito para uma grande festa e, claro, em se tratando de política, grandes discursos.

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Rui Amorim receberia naquela data seu amigo, também político, Francelino Pereira, que havia tornado viável a construção da obra que então se inaugurava. Visto que Francelino estava bastante atrasado devido à dificuldade de trânsito da então estrada que ligava Lagoa da Prata a Belo Horizonte naqueles dias, colocou os vereadores da época para falarem ao público, enquanto Francelino não chegava. Após a fala de dois ou três vereadores, um deles inclusive que o apoiava, começou a ressaltar a importância da obra e, talvez um tanto quanto desinformado, passou a “disparar contra o governo estadual” reclamando da falta de apoio, de recursos financeiros, bem como a insensibilidade quanto às necessidades da comunidade de Lagoa que havia votado no então governador – coisas desse gênero. Neste momento, bem neste momento, chega a comitiva de Francelino, com escolta e tudo, e muitos políticos de Belo Horizonte o acompanhavam naquela visita à nossa Cidade.

Rui, ao observar tudo aquilo, perplexo com a situação vexatória, apesar de muitos dizerem que o que o vereador dissera era realmente verdade, tomou o microfone da mão do vereador que discursava e afirmou que realmente tinha sido muito difícil concluir aquela obra, pois os tempos de inflação eram difíceis para todo mundo e não era diferente para a prefeitura. Além de agradecer seus pares políticos pelo apoio, saiu-se da situação com o seguinte trecho dito ao improviso. Vejamos:

“- Caros lagopratenses. A dificuldade é muito grande. A gente tenta fazer o melhor pra cidade e nós temos conseguido realizá-las. Realmente os tempos são difíceis, mas como todos nós cremos em Deus, na nossa mãe “Santa Maria”, temos confiança no protetor da nossa cidade, “São Carlos Borromeu”, e, na hora sagrada em que nós mais precisamos de amparo, de sustentação, de salvação no momento da angústia, eis que surge o “Cristo” para nos socorrer. E, ele hoje, nos faz esta visita inesperada. Recebamos com alegria o “Salvador da nossa Cidade”, Francelino Pereira.”

Ao que adentra pelo palanque afora, o político amigo de Rui Amorim, ovacionado pelo povo da cidade, amplamente aplaudido, saudado pelos correligionários e amigos políticos, abraçado pelo povo presente, abençoado pela banda de música.

Após o discurso de Francelino, segundo pessoas da época, Rui Amorim deu uma bronca no tal vereador. Disse a ele que não aceitava “abraço de Judas”. Rapidamente desceram-no do palanque.

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