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Como defini-la? Afinal, ela é indecifrável. Enigmática, mutante, múltipla, mas ao mesmo tempo, única. Transparente, sem máscaras. Em muitas situações é plural. Em muitas outras é singular. Uma mistura, pura. Uma mistura, legítima. Uma mistura, de raças. Às vezes, indefinível diante do olhar          que analisa: branca, negra, amarela. Parda, asiática, morena, loira. Oriental nascida no ocidente. Cabocla de pais nipônicos. Mulata nas passarelas ou escondida atrás dos holofotes. Queimada de sol. Vermelha pelo excesso do astro rei. Rosa, de timidez.

Incorpora personagens, veste-se para cumprir papéis sociais. É mãe, de parto. É mãe, de leite. É mãe, de criação. Simplesmente, mamãe. Porém, é tia, irmã, prima, sobrinha, avó. É esposa. Cunhada, comadre, madrinha, nora. Sogra. Protetora, amada. Distante, funcionária, dona de casa. Mantenedora. É acolhedora. Companheira, amiga. Parceira, das boas horas. Presença constante. Presença necessária. Ausente por motivos: óbvios, banais, complicados, distorcidos. O destino. Entretanto, lembrada, celebrada. Premiada pelos dons que possui.

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Na identidade é casada, solteira, divorciada, viúva. Em outras classificações, gostosa, recatada, do lar. Para casar. Não tem problema em ser safada, piriguete, funkeira ou barraqueira. Pode até receber condecorações por ser escoteira. Lésbica, trans, drag queen, bi, hétero. Sempre será a musa de algum coração. Ou tema de alguma canção. Inspiração do poeta, razão de existir dos romances. Por isso, recebe títulos nobiliárquicos ou rótulos politicamente incorretos. Assim se torna diversa, diversificada, “camaleoa”. Intangível, incompreensível, fácil.

Para que uma coroa, se nas metáforas ela é rainha, princesa, marquesa, viscondessa, duquesa, condessa e baronesa? Membro da realeza ou plebeia. No seu reino particular, é deusa, louca, feiticeira, bruxa, macumbeira. Dona de tudo. Santa, pura e casta. Iluminada. Uma matriarca. Abençoada, guerreira. Batalhadora, ativa, coadjuvante. Gata, Cinderela, borralheira. Fada. Contudo, também é tempestade e poesia – de Troia aos confins de Judas e bem depois de onde ele perdeu as botas.

Palhaça, artista, otimista. Protagonista das caixinhas de surpresas. Feminista. Ativista. “Diferentona”.  Inesquecível. Doida? Talvez o melhor seria dizer autêntica.  Ou intensa. Ou sonhadora. Ou paciente. Ou apaixonante. Ou ridícula. Ou bailarina, já que “dança conforme a música diante de cada situação da vida; que se entrega de alma a cada emoção com tons e notas da melodia diária; que sente a brisa a cada movimento lembrando que está viva… E que sempre, no fim de tudo, de todo espetáculo, mostra e se curva à gratidão”.

É romântica, sensível, forte, inteligente. É linda, instigante, intrigante, cativante. Empolgante. São tantas em tão pouco espaço, mesmo que esse seja um infinito particular. É sentimento: amor, afeto, carinho, colo, alegria, felicidade. Entrega. Que dá saudade, que fica na memória. Que é inesquecível. Que é ela, dela, nossa, minha, sua, vossa. Uma excelência dentre todos os pronomes de tratamento. Magnífica.

É, sobretudo, principalmente, mulher.

A você, todas as reverências!


Juliano Azevedo

Jornalista, Professor Universitário, Escritor.

Blog: www.julianoazevedo.blogspot.com.br

Twitter e Facebook: @julianoazevedo

E-mail: [email protected]

Instagram: @julianoazevedo / @ondeeobanheiro

 

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