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No fim de semana passado, arrumei as malas para celebrar o enlace matrimonial dos amigos Sérgio Preto e Poliana, em Aimorés, cidade mineira localizada no Vale do Rio Doce, a 440 quilômetros de Belo Horizonte. A ida foi pelo Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas e a volta, de ônibus, pela Viação Gontijo. Fiquei hospedado no Villares Hotel, no centro do munícipio que eu desconhecia. E nunca tinha ouvido falar. Antes da viagem li na internet que o local é conhecido como a “Terra do Sol Eterno”, por ser considerado o pedaço mais quente do Estado de Minas. Lá também tem o Instituto Terra, um projeto do fotógrafo Sebastião Salgado e de sua esposa, a diretora artística de fotografia, Lélia Deluiz Wanick, que recupera áreas degradadas com o reflorestamento de plantas nativas da Mata Atlântica.

O casamento estava lindo. A igreja que acolheu o casal foi a de Nossa Senhora da Penha, que fica em Penha do Capim, um distrito rural de Aimorés. Na festa, pratos mineiros, churrasco, doces de figo e de abóbora, bombons de todos os gostos, a felicidade da família, dos noivos, a reunião de amigos. Sorrisos para estampar um belo álbum de fotografias. Memórias marcantes e inesquecíveis, bem como as impressões analíticas que fiz de toda a viagem. O matrimônio merece outra crônica, pois neste texto vou falar de outros casórios que deveriam acontecer para melhorar a vida do nosso povo, do turismo, da economia do Brasil.

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Viajar de trem é espetacular. Sem trocadilhos, vale cada real da passagem. Poltrona agradável, atendimento da equipe de bordo, lanches, uma paisagem riquíssima das montanhas das Gerais. E não tem o perigo das estradas. A alegria para aí, já que minha indignação é maior com as escolhas políticas que definem o nosso ir e vir. Como pode um país continental como o Brasil não ter um sistema ferroviário? Por que permitiram o fim das estradas férreas na época do início da industrialização? Trem leva gente, cargas. Carrega o que cabe nos vagões. Movimentaria o turismo, o dinheiro, haveria mais empregos e menos trânsito. Antigamente, onde a Maria Fumaça estava, chegava o progresso. “Enquanto o minério viaja com segurança, motoristas e passageiros morrem nas péssimas condições das estradas”, enfatizou Guto durante um papo após a festa. E os grãos que se perdem nas burocracias e nos buracos do asfalto? E o frete alto para enriquecer o valor dos produtos?

A estrada foi outro problema que me causou vômitos. O medo já tomava conta desde o momento em que subi no péssimo ônibus da Gontijo, que saiu de Aimorés às 22h, de sábado, com previsão de chegada à capital oito horas depois. Veículo velho, sujo, fedorento. Ar-condicionado empoeirado. As cortinas estavam rasgadas, o banco não reclinava direito, não havia suspensão. Senti-me dentro de um liquidificador, pois cheguei em casa, literalmente, moído. O preço pelo “bom atendimento”: R$ 158,00. Mas o pior foi a imprudência do motorista em excesso de velocidade na BR 381, fazendo curvas fechadas como se estivesse brincando de videogame. Vi minha mãe pela greta doze vezes. E estava certo que morreria naquela noite. Cheguei em casa com vida, em atraso, já que a viagem durou dez horas.

Outro casamento ideal é o que todos os hotéis devem oferecer aos seus hóspedes indiferentemente do preço e das estrelas que os classificam. Se o colchão for confortável, a toalha for limpa e a água do chuveiro agradável, o resto é lucro. Contudo, avalio alguns itens que marcam, mesmo que eu não os use: secador de cabelos no banheiro, ar-condicionado e ventilador, tapete na porta do quarto e no banheiro, água no frigobar, papel higiênico muito bom e janela por onde possa passar os raios solares. Faltou quase tudo onde dormi de 24 para 25 de março de 2017. Vida de turista é assim: cada canto, um conto. E dicas para dias melhores.


Juliano Azevedo

Jornalista, Professor Universitário, Escritor.

Blog: www.julianoazevedo.blogspot.com.br

Twitter e Facebook: @julianoazevedo

E-mail: [email protected]

Instagram: @julianoazevedo / @ondeeobanheiro

 

               

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