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Flávia de Castro Silva – CRP 04/45856 Psicóloga e atende no Espaço Crescer/ Maria Bruna Mota Pereira – CRP 04/45107 Psicóloga e atende na Clínica Reabilitar e ASAP.
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Pois bem, hoje iremos falar de um assunto muito importante na psicoterapia: a importância de dar continuidade nesse processo. A psicoterapia é um processo no qual o sujeito busca um tratamento com o psicólogo para as questões psicológicas e emocionais e o profissional da psicologia utiliza intervenções para que o paciente entenda a origem dos problemas, elabore essas questões e aprenda a lidar de forma mais adaptada com as situações decorrentes da vida.

Para isso, é necessário que esse processo seja contínuo, normalmente ocorre uma vez por semana. No entanto, acontecem várias situações de abandono do tratamento ou de um paciente que não frequenta as sessões da maneira como foi combinado com o psicólogo.

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Diante desse fato, podemos pensar qual a importância de frequentar com assiduidade a psicoterapia. A eficácia do tratamento se dá pela continuidade, pois sem esse fator é difícil criar um vínculo para que as intervenções sejam melhor abordadas. E a partir do vínculo, das intervenções que o psicólogo realiza, é que a criança ou o adulto irão sentir os ganhos e vantagens que uma psicoterapia pode proporcionar.

Quando a frequência não é de acordo com o combinado pode até ser que o paciente observe alguma melhora nos sintomas que apresentava, mas podemos comparar essa melhora a uma infecção mal curada, pois foi tratada de forma muito superficial. Se o antibiótico não for tomado conforme a receita, a infecção pode voltar ainda pior. Dessa forma, o que diz respeito aos cuidados com a saúde e o bem-estar, cada caso deverá ser tratado forma singular, pois cada paciente é único, mesmo quando se trata da mesma patologia. Além disso, é importante considerar a diferença e o objetivo de diferentes especialidades, como a medicina e a psicologia.

É muito comum as pessoas procurarem o psicólogo achando que na primeira sessão já serão “curados”, ou que o profissional irá lhe dizer o que fazer para resolver seus problemas. Esse tipo de crença se aproxima muito do pensamento mágico, de um mito de que o psicólogo é vidente e que lê mentes. Mas não é bem por aí!

Provavelmente, esse pensamento ainda é devido a Psicologia ser uma ciência recente em comparação com a Medicina, por exemplo. No Brasil, a profissão foi regulamentada em 27 de agosto de 1962, data em que é comemorado o dia do Psicólogo.

Questões culturais também estão atreladas a esse modo de pensar, como a ideia de que quem vai ao psicólogo é “louco”, levando a um preconceito generalizado.

Bem, o fato é que psicólogos e psicanalistas não são videntes, nem mágicos que têm a fórmula mágica da resolução de todos os problemas. Ninguém tem, na verdade! Não é a toa que a média de formação profissional de um psicólogo é de 5 anos (graduação), fora os incontáveis cursos, especializações e leituras que se fazem ao longo da jornada profissional.

Assim, o trabalho do psicólogo irá de encontro à escuta clínica do sujeito, de sua subjetividade, personalidade, medos, angústias, tristezas, alegrias, promovendo o desenvolvimento de suas potencialidades, habilidades e uma melhor forma de lidar com suas questões, de acordo com seu próprio jeito de ser.

Para que o sujeito se desenvolva, é preciso que leve em conta a responsabilidade consigo mesmo. O profissional psi não tem a função de resolver os problemas do sujeito, mas ajudá-lo a encontrar um meio de acesso ao seu desejo. Se o paciente falta às sessões de psicoterapia ou análise, e não dá sequência ao seu tratamento, não é possível intervir.

Outro ponto a se considerar, mencionado no início desse artigo, é o fato de se achar que algumas sessões bastam para resolver a situação. Investigar aspectos emotivos e inconscientes não é uma tarefa simples.

Muitos complexos e resistências estão envolvidos. Por isso que, geralmente, não é possível resumir o tratamento a uma consulta. Cada caso é único, pois cada paciente também é único. Assim, um sujeito pode necessitar de acompanhamento psicológico por 6 meses, enquanto outro pode precisar por anos. E não há nada de errado com isso… É preciso respeitar o próprio tempo.

Até tratamentos médicos, dependendo do caso, podem demorar anos, ou a vida toda. Não se pode tratar uma gripe da mesma forma, e no mesmo tempo, que um tumor. Alguns processos patológicos carecem de tratamentos curtos, outros prolongados. Imagine pessoas com hipertensão, diabetes, problema de coração, são tratamentos médicos que muitas vezes são para a vida inteira. Então qual o problema de uma psicoterapia prolongada, se for necessário? Se o corpo adoece, a mente também pode adoecer, ou apenas necessitar de uma escuta para melhor conhecimento.

Então, se você vai ao dentista cuidar da saúde bucal, faz exames para avaliar questões físicas e orgânicas, consulta um médico, deveria ser perfeitamente normal ir ao psicólogo e cuidar da sua saúde mental para a promoção do autoconhecimento, bem-estar e qualidade de vida.

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