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Gilberto Silva viajou o mundo, conheceu diversas culturas, mas, como um bom mineiro, sempre encontrou um jeitinho de matar saudades de casa. A comida caseira, a música regional e as lembranças da infância, em Lagoa da Prata, e da adolescência, já em Belo Horizonte, estiveram sempre presentes nos nove anos em que passou na Europa, entre 2002 e 2011.

De volta à casa e ao Atlético-MG, time que o projetou ao mundo, o pentacampeão mundial com a Seleção tem aproveitado para curtir de outras formas a capital do estado, como em seu retorno ao renovado Mineirão. E foi sobre a vida na cidade, turismo, gastronomia, cultura e, claro, futebol, que o volante de 36 anos conversou com o FIFA.com, abrindo a série de entrevistas para apresentar as cidades-sedes da Copa das Confederações e da Copa do Mundo da FIFA.

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Já conseguiu matar a saudade de Minas Gerais nesse retorno? Aliás, do que mais teve saudade no período em que ficou longe?
É bom estar aqui. A saudade que mais tinha era da família, dos amigos e de pessoas próximas, com as quais sempre convivi e havia perdido contato. É essa a maior dificuldade de morar fora; no resto você se adapta se este for seu objetivo. Já a saudade da família não é tão simples de se resolver.

E da comida, não tinha saudade? Isso é algo importante para o mineiro, não?
Tinha sim, mas sempre foi tranquilo. Quando me mudei para Londres foi mais complicado, porque não falava inglês e morava em um hotel. A comida era controlada, não tinha muito tempero nem gosto, mas às vezes eu conseguia falar com um garçom espanhol ou português e pedia um arroz com bife e ovo (risos). Depois que mudei para minha casa passei a cozinhar mais, e também tinha uma cozinheira. Prefiro a comida caseira a sair toda hora para restaurantes. O gosto é diferente. E eu sou muito caseiro, acho que é por isso também.

E qual seu prato preferido da culinária mineira?
Nossa, tem um monte (risos). Adoro feijão tropeiro. Aos domingos, se pudesse, comeria sempre um frango com quiabo e polenta. Isso é bem mineiro e eu recomendo a todo mundo.

Para aquele torcedor que irá a Belo Horizonte ver jogos da Copa das Confederações da FIFA ou da Copa do Mundo da FIFA, qual programa de um dia você recomendaria?
Se for em dia de jogo, até por estar próximo do Mineirão, vale conhecer a região da Pampulha: tem a Lagoa, a Igreja – que é uma obra do Oscar Niemeyer – e é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.

Depois de ter viajado pelo mundo, está satisfeito com a qualidade de vida de Belo Horizonte?
Sim, ela é muito boa. Não sou exatamente daqui, mas conheço bem e gosto muito. Claro, o trânsito talvez seja um problema, mas ainda assim é um lugar tranquilo para viver. Eu, por ser caseiro, tenho aproveitado isso em casa com a família, tocando violão e curtindo meus filhos, mas aqui há muitos restaurantes; a vida noturna é excelente, assim como a parte cultural, com cinemas, teatros e casas de show. A agenda aqui é muito interessante.

Se você toca violão, deve curtir música mineira. Quais artistas daí você recomendaria?
Sem dúvida, adoro a música e os artistas mineiros. Tem muita gente boa que, aos poucos, fui conhecendo melhor e curtindo. Os bons exemplos são o Clube da Esquina, Toninho Horta, Lô Borges, Flávio Venturini, uma turma bacana. E têm os artistas mais novos também, como Jota Quest, Skank, Wilson Sideral…

Em relação ao estado de Minas Gerais, que tem uma história muito rica, quais outros passeios você indicaria?
A região das cidades históricas – como Ouro Preto, Tiradentes, São João del-Rei – é muito interessante. Todas fazem parte da história mineira, graças ao ouro. Para o turista que tem esse interesse em conhecer igrejas barrocas, é um prato cheio. Eu não tive tempo de conhecer tudo, até pelo tempo que passei fora do Brasil e de Minas, mas certamente ainda vou ver.

Passando ao futebol, como vê a paixão do mineiro em relação a outros torcedores do Brasil e do mundo?
Ela é bem grande. Temos três grandes equipes – Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG –, sendo que os dois primeiros dividem as atenções, por serem times de massa e por jogarem as melhores competições do país. A rivalidade é muito forte, com um torcedor apaixonado, principalmente o atleticano, que faz de tudo para acompanhar o time. É uma paixão que chega a impressionar. E a gente sente isso nas ruas, em dia de jogo ou mesmo em outras situações.

Quais suas lembranças de infância do Mineirão? Algum jogo ou momento ficaram na memória?
Infelizmente não tive muitas oportunidades de ir ao Mineirão quando era criança, porque morava no interior, mas guardo boas lembranças, como do jogo entre Atlético-MG e Flamengo, de 1987, pela semifinal da Copa União. Era garotinho e lembro que o Zico fez um gol de falta, e o Atlético-MG foi eliminado. Essa é a imagem principal do Mineirão que me vem à cabeça.

E você se lembra da primeira vez que jogou no Mineirão?
Foi em 1996, quando ainda jogava pelo time juvenil do América-MG e chegamos à final do Campeonato Mineiro contra o Cruzeiro. Era o segundo jogo da decisão, que foi colocada como preliminar do clássico. Lembro que perdemos, mas, como tínhamos ganhado o jogo de ida por boa diferença, fomos campeões. Foi algo emocionante, mesmo sendo juvenil, porque tinha um grande público. E ninguém estava acostumado com o Mineirão cheio, com torcida contrária e em maior número.

Já como profissional, qual foi sua principal experiência no Mineirão?
Acho que a final do Campeonato Mineiro de 2000 contra o Cruzeiro, quando o Atlético-MG foi campeão. Teve outro jogo em 2001, pelo Brasileiro, também contra o Cruzeiro. Eles venciam por 2 a 0 e nós empatamos. O Mineirão estava cheio, com mais de 84 mil pessoas. É emocionante ver tanta gente torcendo; e você lá dentro, participando como protagonista do evento.

Você jogou na reabertura do Mineirão. O que pode dizer do estádio agora?
Foi bonito ver como ele estava diferente – e para melhor. A gente torce para que todos os estádios estejam nessas condições, porque o futebol brasileiro precisa. Com a Copa, esperamos que haja uma padronização dos estádios, em termos de gramado e estrutura em geral. Seria bom aproveitar o momento para que todos pudessem receber melhor o torcedor.

Já dá para imaginar o clima de Belo Horizonte quando o Brasil jogar aqui?
O sonho de todo torcedor mineiro é ver o Brasil no Mineirão. Quando se trata de Seleção Brasileira, o torcedor precisa esquecer o time que torce e apoiar. Todos nós sabemos a importância que é ter a torcida a favor, com a pressão para cima do adversário. E aqui, este é o objetivo e é assim que vai ser.

Fonte e foto: http://pt.fifa.com/worldcup/news/newsid=2025776/?intcmp=newsreader_news_box_1

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