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Empresas de Santo Antônio do Monte ficaram 45 dias sem produzir por ordem do Exército Brasileiro

Por Gabriela Pedroso – Diário do Comércio

A interrupção no funcionamento de nove fábricas de fogos de artifício em Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas Gerais, deve gerar um prejuízo em torno de 10% do faturamento anual para as empresas envolvidas. Após 45 dias de paralisação das atividades por ordem do Exército Brasileiro, que teria encontrado irregularidades nas indústrias, as unidades fabris voltaram a operar no início deste mês.

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De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de Minas Gerais (Sindiemg), Jorge Filho Lacerda, sem eventos significativos previstos para 2017, como Eleições e Copa do Mundo, as empresas cujas atividades foram suspensas dificilmente conseguirão recuperar a receita perdida até o fim do ano. O dirigente explica que a tarefa fica ainda mais complicada já que o segmento vem de um grave quadro de crise financeira. Em 2016, com a queda na procura em todo o País, o polo da região reduziu em 50% a fabricação de fogos de artifício.

“Não há como recompor as perdas, porque as indústrias estão desaceleradas. O que poderia compensar neste ano seria um aumento da demanda, o que, no entanto, não deve ocorrer. Em 2017, não há eventos nacionais de expressão e, portanto, provavelmente teremos de assumir esse prejuízo”, destaca Lacerda.

A cada três anos, o Exército Brasileiro realiza vistorias nas fábricas de fogos de artifício com o intuito de renovar os títulos de registros para o regular funcionamento das empresas. Em 2016, porém, em uma das visitas, o Exército identificou que a capina geral em volta dos terrenos onde se localizam as nove indústrias estava em discordância com a legislação vigente. Em fevereiro deste ano, as companhias acabaram tendo as operações suspensas.

Lacerda explica que as empresas se adequaram rapidamente às exigências, mas a retomada das atividades demorou um pouco mais em função da necessidade da autorização do Exército. Com isso, em torno de 700 funcionários foram obrigados a tirar férias coletivas e, em alguns casos, houve demissões. Segundo dados do Sindiemg, cerca de 40 trabalhadores foram desligados no período.

“Durante o checklist feito nas fábricas, nos deparamos com um dos requisitos de vistoria que era a realização da capina geral em torno dos pavilhões dos depósitos. Por outro lado, tínhamos um problema de caráter ambiental. Logo, enquanto a legislação federal exigia a retirada do mato, havia a questão da vegetação nativa na região, que não poderia ser retirada. E ficou esse impasse”, justificou o presidente do Sindiemg.

Impacto

O polo de fogos de artifício de Santo Antônio do Monte representa 70% de toda a economia do município e região. A interrupção no funcionamento das nove fábricas, portanto, foi avaliada pelo Sindiemg como bastante negativa. Além de paralisar a mão de obra local, o sindicato ressalta que a circulação de dinheiro também foi comprometida.

Para 2017, ao contrário da previsão de melhora divulgada em janeiro, a entidade agora aposta em uma estabilidade do segmento para este ano. Lacerda acredita que a produção deve se manter nos mesmos níveis de 2016.

Produção de fogos já caiu pela metade no polo mineiro/Rodrigo Soldon/Flickr

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