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Veja o vídeo da entrevista:

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Nesses três primeiros anos na sua primeira legislatura, qual é o benefício para o cidadão que foi resultado direto de seu trabalho?

Alguns benefícios são concretos e outros mais subjetivos. Como benefício direto posso dizer que a proximidade com o deputado Newton Cardoso Júnior, que trouxe para Lagoa da Prata emendas entregando caminhão e máquinas agrícolas. No início do ano também existe uma emenda que irá possibilitar a entrega de caminhão, patrola e retroescavadeira. A Fundação São Carlos também recebeu um valor de 400 mil reais e outras coisas que estão engatilhadas para o próximo ano. Mas, ao meu ver, o benefício maior foi do que pude contribuir em debates sérios e maiores que a Câmara viveu nessa legislatura. Por exemplo, mesmo sendo da classe empresarial e presidente da CDL, quando se foi votar a ampliação das classificações para a contribuição de ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) do Município, adequando-as à do Governo Federal, era de se esperar que o presidente da CDL fosse contra essa situação, e seria muito fácil, pois este é um projeto que quem estava no poder antes do Paulinho queria muito que fosse aprovado e os vereadores daquela legislatura não queriam. Esse ano, quando o Paulinho entrou com esse projeto na Câmara poderia ser feita a mesma coisa, e a gente sabe muito bem que alguns projetos atrapalham a disputa de poder. Fui um líder lá dentro, onde em uma discussão tentamos tirar o partidarismo e conseguimos.  Resolvemos este problema que precisava ser resolvido há muito tempo. Além disso, posso falar de vários projetos de discussão de alto nível em que dei a minha contribuição.

O IPTU em Lagoa da Prata está defasado e precisa ser corrigido. Em 2013 a Prefeitura enviou para a Câmara um projeto tentando reajustar o imposto, porém, os valores estavam muito fora da realidade. Você foi o único vereador que se propôs a debater seriamente e buscar alternativas. Uma vez que seus colegas sequer propuseram alternativas e nem discutiram as propostas que você apresentou, qual a sensação que ficou, levando em consideração que essa é uma pauta importante para o Município e os vereadores foram omissos ao fugirem do debate da questão?

Talvez tenha sido a primeira grande decepção da minha vida política. Quando entrei como vereador eu tinha um sentimento mais romântico, acreditando que agora seriam nove vereadores, um prefeito e secretários que fariam de tudo para ter uma cidade melhor. E ali eu comecei a ver as coisas não eram bem assim. Quando o projeto chegou ele tinha vários erros e valores completamente fora de questão. Tinha valores de IPTU que iriam subir 25 vezes, não tinha cabimento. Fui até à prefeitura, trouxe as informações e fiz uma projeção de quanto cada proprietário teria que pagar de cada um dos imóveis. Quando fiz isso, cheguei com uma alegria muito grande para tentar reunir os vereadores e mostrar o fruto daquele trabalho. Ali eu vi que poderíamos corrigir algumas distorções, onde casas no Sol Nascente pagam muito e casas em bairros nobres pagam pouco. Eu tive uma grande decepção, pois quase nenhum vereador fez questão de sequer ouvir. O simples fato de aumentar o IPTU faz com que “manche o nome dos vereadores”, e isso eles não queriam. Fiquei extremamente decepcionado. Até meia hora antes da votação a gente tinha seis votos para poder regularizar um monte de injustiça e melhorar a arrecadação e ajustar o valor do IPTU daquelas casas que deveriam pagar mais.

Você vem da área privada, onde as decisões são feitas com base em critérios objetivos para oferecer a máxima resolutividade nas situações que são pontuadas, e na política de modo geral as coisas não acontecem assim. E na Câmara, quase sempre, ao invés dos vereadores discutirem os projetos de uma forma objetiva, politicagem, tomando o tempo de transmissão e ocupando o espaço em que poderiam ser discutidas coisas mais sérias de forma mais objetiva. Qual a sua opinião sobre essa perda de tempo?

Fica o pensamento de que isso não vai mudar. Não vai mudar nem a encenação que se faz lá e muito menos a cidade. Eu desacredito muito e sou muito “desesperançoso” em relação a isso. Neste tempo de Câmara eu pude perceber isso, o que não quer dizer que seja a Câmara, mas sim o cenário político. A Câmara não discute o bem de uma população, esse bem vem em segundo plano. O bem da população é discutido de acordo com que ele pensa do projeto de poder que ele tem. Isso é horripilante. Acontece no Brasil inteiro, não é coisa de Lagoa da Prata. Tenho profundo respeito pelos meus colegas vereadores e com eles aprendi muito e fiz várias amizades lá dentro, mas é isso que penso da política. Na política se mostra as versões e não o fato. O Executivo tem uma versão e ele produz verdades. Qualquer Executivo que tiver a mídia do seu lado produz verdades. Ele faz uma mentira virar verdade. A gente vê projetos loucos que nunca poderiam ser aprovados e o povo conclama a aprovação.

Você pretende tentar a reeleição a vereador ou será um pré-candidato a prefeito?

Isso tem sido uma coisa que está me machucando muito porque eu ouço muita gente pedindo para que eu siga essa carreira, mas a carreira política no Legislativo não é meu perfil. Eu não tenho perfil para ser vereador, o meu perfil é para ser um executivo, mas o momento não é esse. Não estou vivendo o melhor momento onde eu possa disputar uma eleição para prefeito. Será que isso vai acontecer em algum tempo? Sim, em algum tempo eu deva ser candidato a prefeito, mas não agora. A única coisa que posso dizer é que não serei candidato a nada na próxima eleição.

Como você avalia o desempenho do Poder Executivo e do Legislativo em Lagoa da Prata nesses três primeiros anos?

O Poder Executivo está sendo administrado, do lado financeiro e de obras, muito bem. Acho que o prefeito Paulinho tem mostrado a capacidade de fazer obras e de fazer a cidade avançar. A questão da abertura de Lagoa da Prata a novos deputados e representantes foi muito interessante, apesar de não concordar que se feche aos antigos deputados que trabalharam com o Divino, pois eles fazem muito por Lagoa em alguns momentos. Se tivéssemos aceitado algumas ofertas do Fábio Ramalho nossa situação estaria muito melhor. Eu vejo uma Câmara que tenta trabalhar. Eu vejo ali alguns vereadores e vereadoras que são extremamente competentes, que investigam e trabalham, apesar de que tivemos um grande problema nessa Câmara, onde seis candidatos nunca foram vereadores, e por ser a primeira vez deixamos de entender e discutir uma agenda prioritária para trabalhar leis e focar no que a cidade precisa. O que não acho legal é isso, mas no resto eu aprovo o trabalho das duas casas.

Obrigado pela entrevista. O espaço está aberto para as suas considerações finais.

As pessoas precisam entender um pouco mais. Hoje, com o advento da internet, se discute muito sobre alguns projetos, mas a pessoa discute a partir do que ouve falar e não se discute a partir do que realmente é. Por exemplo, o Parque dos Buritis. Para todo mundo precisa acontecer, e precisa, mas da forma como foi colocado e feito, não. Tudo muito errado e a opinião pública inteira quis que se fizesse errado por não saber que estava sendo feito como estava. A produção de verdades, que nem sempre são tão verdades assim, é algo muito normal em Lagoa da Prata. No mais, eu quero agradecer o apoio que nós tivemos nesses três anos, esse foi um ano de muito trabalho e particularmente não vou entrar na disputa política e vou continuar fazendo o meu trabalho de uma maneira muito isenta. Que Lagoa tenha boas pessoas para vir para a Câmara no ano que vem e que o nosso prefeito seja cada vez melhor.

 

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