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Carlos Lúcio Gontijo é Poeta, escritor e jornalista | www.carlosluciogontijo.jor.br
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A imensa maioria de nossos políticos, a começar pelos chefes de Executivo Municipal, opta por escolher auxiliares de perfil a que chamam de doutrinável, figuras que caminham entre a bajulação e a transmissão de fofocas, que alimentam o arremedo de “serviço de (des) inteligência” do mandatário.

Não temos, portanto, uma estrutura pública profissional, pois a cada mudança de governo o ganhador preenche o leque de cargos de confiança com centenas de catequizáveis dispostos a seguir ordens ainda que explicitamente errôneas ou até mesmo a ser cooptados por terceiros, segundo o espírito de “Macunaíma” que os habita.

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Quanto menor o município maior é o movimento dos cidadãos em torno do poder público municipal, que geralmente é o maior empregador da comunidade, gerando o exercício de um desregrado jogo de influência,  que nada de produtivo traz à área administrativa da cidade, transformando-se até em mau exemplo, pois nota-se a presença de pessoas que ocupam cargo comissionado exatamente pela capacidade de fazer futricas, recheadas de apimentado destempero, ao falar da vida alheia, colocando temor nas acuadas autoridades, que com elas não bolem nem mesmo nos casos de necessidade de cortes na despesa com os servidores.

É bastante comum o prefeito eleito promover uma série de contratações logo no início de seu mandato, para pouco tempo depois, a fim de atender à lei de responsabilidade fiscal, ter que demitir, semeando inimigos e, ao mesmo tempo, escancarando à sociedade o pavor das tais línguas soltas, que são usadas desabridamente por seus proprietários (os donos da boca e da bocada remunerada) como instrumento
de manutenção de emprego, ainda que nada produzam em matéria de benefício para a população.

Em ambiente assim perverso, apenas algumas áreas conseguem ser contempladas com investimento e dentre elas não está a sempre abandonada cultura. Daí a fácil comprovação da existência de tanta gente com diploma, pompa e circunstância, mas completamente desprovida de sensibilidade e qualquer preparo para lidar com o público. No vazio cultural, temos um contingente de profissionais que indicam tratamento médico equivocado, que conduzem mal as ações judiciais, que engenham casas com estranhas e inadequadas divisões, que governam como se não estivem à disposição dos anseios coletivos ou como se o ser humano fosse um simples detalhe.

Fechamos este artigo com frases que andamos criando, espontaneamente, diante de panorama social tão propício à prosperidade tanto do mal quanto da desonestidade, em pronunciamentos no mês de novembro, entre a Pré-bienal do livro de Divinópolis (2/11/2014) e outros eventos:

1) Tem gente que ao falar de CULTURA fica com a colheita da mandioca.
2) Sociedade que não cuida de sua cultura toma o aspecto árido de lavoura de eucalipto: cresce viçosa, atinge alturas, mas jamais gera um fruto sequer.
3) Há pessoas que só não falam mal das montanhas que as cercam porque elas não lhes viram as costas.

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