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Obra parada, ponte caída e morosidade causam prejuízos a empresas e produtores rurais; moradores improvisam “gambiarra” para atravessar o rio São Francisco

 

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lProdutores rurais, empresários, moradores e agentes políticos de Lagoa da Prata, Esteios e Luz reuniram- se no dia 2 de fevereiro para discutir sobre a situação da ponte Olegário Maciel, que corta o rio São Francisco e caiu em dezembro após a colisão de uma carreta, a serviço da Cowan, ao tentar passar pelo local. A empresa construiu o asfalto ligando os dois municípios, mas deixou inacabada a construção da nova ponte. Quem precisa se deslocar de uma cidade à outra tem duas opções. Ou utilizar a BR-262, que aumenta o trajeto em 30 quilômetros, ou fazer uma baldeação na MG-176 no trecho mais curto, com 34 quilômetros, sendo necessário subir e descer os destroços da ponte caída utilizando cordas e uma escada improvisada.

Uma solução paliativa seria a construção da ponte de madeira na região dos Coqueiros. “O problema é muito mais sério e urgente. Muita gente está sofrendo, não somente os produtores rurais, mas as pessoas que precisam ir ao médico. Neste momento há um desencontro de informação em relação à autorização para mexer na ponte de ferro que está danificada e a construção da ponte do Coqueiro, que a usina constrói para a época de safra, mas agora que estão querendo antecipar se esbarram em um problema do Ministério Público de Luz. Já estamos tentando agendar uma reunião com o Governo do Estado para levarmos as dificuldades e a urgência do término desta ponte de concreto
que está sendo construída. Me parece que faltam faltam de 5% a 10% para terminar
a obra”, afirmou o prefeito Paulo César Teodoro.

Para o presidente do Sindicato Rural de Lagoa da Prata, Carlos Henrique Lacerda, o transtorno para quem está do outro lado da ponte é muito grande. “Tem pessoas de idade que precisam vir até Lagoa da Prata e tem que usar o asfalto e dá uma volta grande, ou seja, para resolver algo simples a pessoa tem que percorrer 130 quilômetros.
As pessoas estão indignadas, pois o promotor de Luz embargou a obra e saiu de férias”, destacou.

Segundo o Promotor de Justiça de Lagoa da Prata, Eduardo Almeida, a ponte dos Coqueiros já deve ser construída nos próximos dias ou semanas. “O caso nos foi passado e a Promotoria não tem nada contra a montagem da ponte dos Coqueiros, até porque a usina já faz isto há anos. Já em relação à obra da Cowan, estamos em busca de informações para saber o motivo da paralisação e quando esta obra será retomada, uma vez que já foram gastos mais de R$ 29 milhões e ela está inacabada. Caso seja necessário, faremos uma propositura junto ao Estado para que as obras sejam retomadas. Em relação à ponte de ferro ali existente, deverá ser recuperada como manda a Promotoria de Patrimônio histórico, porém, inacessível para trânsito, ou seja, não será permitido o tráfego de veículos no local”, afirmou.

ACIDENTE

Em virtude da obra inacabada, um funcionário da empresa Cowan se acidentou ao cair de sete metros de altura no dia 30 de janeiro.
De acordo com a irmã da vítima, Kely Garcia, o irmão pegou a chave do caminhão em que trabalha para tirá-lo do local onde estava estacionado do outro lado da ponte quando se acidentou. “Para atravessar ele tinha que usar uma ‘escada’ que fizeram provisoriamente, só que esta estava solta de um lado. Quando ele foi atravessar a escada girou e ele caiu de uma altura de mais ou menos sete metros. Ele desmaiou e quando acordou estava cheio de gente ao redor dele, ele até tentou sentar, mas devido às dores não conseguiu. Chamaram a ambulância e levaram- no para fazer exames mais detalhados em Arcos, onde foram constatadas
fraturas na bacia”, afirmou.

Kely ainda relatou que a Cowan não prestou nenhum auxílio ao seu irmão após o acidente. “Ninguém foi lá perguntar se ele precisava de alguma coisa, e foi acidente de trabalho”, destacou.

No dia 2 de fevereiro a reportagem do Jornal Cidade entrou em contato com a Cowan, que é a responsável pela obra, mas não havia ninguém no local que pudesse se posicionar sobre o assunto.

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