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Corria a década de 30. O Pântano era apenas uma currutela. Era distrito de Santo Antonio do Monte. Parada obrigatória para tropeiros e muares ante a travessia do Rio São Francisco em um dos seus pontos mais famosos.

Existia venda e os tropeiros podiam reabastecer por preços módicos os seus víveres. Enchiam os seus cantis e baldes, além de beber água fresca debaixo de frondosas árvores. Por essas bandas aportaram a viúva de José dos Onças juntamente com os filhos, fugindo de disputa de terras das bandas do sul de Minas, terras de Nelson Cortês, visto terem morrido na contenda além do Sr. Cortês, seu marido, João Borges.

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O filho mais velho, chamado de Borginho, conduzia os demais filhos, criados de casa, alguns amigos que trabalhavam nas terras do pai e que por amizade, simpatia, acompanharam a dona Mercês. Vieram todos de casa, nascidos ou não, bem como gado, cabras, ovelhas, carros de boi e cavalos. As galinhas, perus, avestruzes, coelhos, codornizes e até um casal de emas vieram nos carros de boi… todos juntos…

Conta-se que Dona Mercês, por problemas de saúde já antigos e ante a perda do marido, companheiro de longa data, sentiu-se mal justo aqui no Pântano, tendo que deter-se por meses nestas paragens. Chamaram médicos de Pitangui e Itapecerica (Tamanduá).

Ninguém soube precisar ao certo as aflições de dona Mercês e ela acabou falecendo por aqui mesmo, sendo sepultada aqui. Os filhos e demais da casa, juntamente com as criações levantaram novamente viagem e tomaram rumo a Goiás. Depois de alguns meses, retorna o “Borginho” juntamente com quatro ou cinco companheiros de casa, visando retomar uma joia que talvez por esquecimento, haviam deixado nas vestes de dona Mercês ou em suas coisas, na casa onde estivera acamada por força de doença aguda e mortal.

A dona da casa (ninguém lembrou do nome da senhora ou filhos) abriu as portas a fim de que procurassem a tal joia. Borginho de nada deu conta acerca da tal joia para não levantar cobiça. Certo é que vizinhos e conhecidos puseram-se a auxiliar nas buscas. Até mesmo a noite. Alguns pela visão de algum ganho. Outros por pura diversão. Outros mesmo, diante da possibilidade de encontrar tal peça em ouro, coisa de milhares de réis na época, o que poderia alçar à condição de ‘rico’ da noite para o dia.

O Pântano conheceu um sobressalto de pessoas que até mesmo por curiosidade, detinham-se aqui em busca da tal joia. Porém, Borginho e os companheiros depois de três ou quatro dias partiram sem se despedir de ninguém numa sexta-feira, sem a bênção do padre nem reza de Siana. Nada.

Partiram. Alguns entenderam que eles haviam encontrado a tal joia. Outros, por sua vez, concluíram que diante da impossibilidade, decidiram partir sem a joia mesmo.

Corre o boato de que na abertura do bairro novo nas imediações da Fazenda do Chico Cadeado, um funcionário haveria encontrado uma peça em ouro enrolado em pedaços de pano desgastados pelo tempo, envolto em peças grossas de tecido e couro. Pediu contas num dia e partiu no outro. Não voltou nem para buscar o acerto.

Histórias que o povo conta…

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