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Flávia de Castro Silva – CRP 04/45856 Psicóloga e atende no Espaço Crescer/ Maria Bruna Mota Pereira – CRP 04/45107 Psicóloga e atende na Clínica Reabilitar e ASAP
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Muito se ouve falar de autismo, mas pouco se sabe, no entanto. E talvez, menos ainda se sabe sobre como é a rotina da família que convive com o autista, sobre os desafios que são enfrentados diariamente. Ainda, talvez muito pouco seja feito para esses familiares: pouco apoio, pouca política pública, pouca atenção, pouca valorização.

Frequentes são os relatos, verbais ou em blogs e redes sociais, de mães taxadas como superprotetoras, ansiosas ou preocupadas em excesso. A começar no momento em que percebem que há algo diferente em seu filho, e começam a buscar por opiniões de profissionais de saúde. Os mesmos profissionais que sempre alertam para que os pais observem o desenvolvimento dos seus filhos e busquem consulta caso notem algo diferente, sabendo que o diagnóstico precoce de qualquer transtorno é fundamental para seu prognóstico, são aqueles que dizem que não há nada de errado com a criança, que a preocupação é desnecessária, ou que antes dos três anos de idade é cedo para qualquer diagnóstico. Meio contraditório, não?

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Pois é, mas isso é apenas um recorte do que os pais, cuidadores e demais familiares de um autista enfrentam. Outro exemplo corriqueiro para eles é a discriminação sofrida pelo filho na escola e no meio social, a educação pouco adaptada ou nada inclusiva, mesmo com o crescente discurso da onda da inclusão na escola.

Muitas vezes, para compensar essa falha que não é da família, os familiares do autista deixam de cuidar de si, deixam de lados seus sonhos, desejos, lazer, descanso. Quando uma criança é diagnosticada com autismo toda a rotina da família se modifica em função do filho e o autocuidado se torna extremamente desprezado em prol do melhor cuidado para aquele que necessita de uma atenção diferenciada. Na maioria das vezes, os pais procuram diversos tipos de tratamentos e intervenções para a criança e nenhum para si mesmo. E como esses pais precisam de apoio… e de se cuidarem antes de cuidarem deste outro.

Cuidar de si é antes de tudo buscar forças para lidar com os desafios que a rotina proporciona. A família precisa entender que não necessita passar por todas as dificuldades sozinha e que buscando apoio para falar de suas angústias, de seus medos, elaborando as questões que existem é possível enfrentar os desafios de forma mais amena e também promover o processo de desenvolvimento individual e familiar que, muitas vezes, fica perdido por causa dos cuidados que são dispensados à criança.

Por fim, faz-se necessário compreender que a criança autista necessita sim de cuidados e tratamentos multidisciplinares sempre que possível. Mas não podemos esquecer que por trás dessa criança existe uma família, que é a sua base, que é quem procura sempre o melhor para ela e que, também, precisa de cuidados.

Informação: a Associação Autismo e Possibilidades (ASAP) oferta grupo de pais e cuidadores quinzenalmente. O atendimento é oferecido por psicóloga e é gratuito. Mais informações com a presidente Caroline Carvalho Castro: 037 9.8818-4043.

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