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Foto: Arquivo Pessoal
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No último domingo (5), ele vestiu pela primeira vez a camisa do Octavio Vigo, na Liga Espanhola

Por:Líder Esportes

Nascido em uma família simples, ele tem quatro irmãos. Antes do embarque para Europa, Milton os visitava duas vezes ao ano. Na cidade, o menino virou homem precocemente: aos 12 anos, dividia o tempo entre o trabalho e as atividades de um projeto desenvolvido pelo professor Henrique He-Man. Milton praticava basquete, futsal e vôlei, mas foi o handebol que mexeu com ele. A primeira vez que saiu de Minas Gerais foi em 2009 para fazer um teste no Pinheiros, em São Paulo. “Fui bem, mas não consegui ficar, pois não tinha alojamento”, contou. Em 2011, o mapa de sua vida apontou para o interior paulista.

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EVOLUÇÃO

Aos 17 anos, Milton chegou a Piracicaba e começou a escrever sua história na cidade. “Em Piracicaba, tive grandes conquistas. Eu sempre fui um jogador que quis se destacar, trabalhei muito para isso. Não consegui tudo, mas sei que estou perto de conseguir o que eu quero em relação ao handebol”, disse o atleta. A impulsão no salto e o estilo de jogo logo começaram a chamar a atenção. Em 2013, foi chamado pelo técnico espanhol Jordi Ribera, da seleção brasileira, entre os 21 atletas pré-selecionados para o Mundial da Bósnia. No período que passou em Piracicaba, colecionou títulos individuais e coletivos. Em 2015, defendeu o Londrina-PR na Liga Nacional. Naquela época, começou a alimentar o sonho de deixar o país.

“O handebol europeu é algo que eu ouvia falar desde quando eu era pequeno, em Minas Gerais. O sonho foi se alimentando. Eu recebia elogios, as pessoas falavam para mim que eu tinha potencial. Há dois anos, eu passei a colocar isso como objetivo para mim. Desde 2015, eu coloco vídeos na internet para ver se alguém assite, se alguma oportunidade aparece. Surgiam algumas situações, mas, nada de concreto, infelizmente”. Para agravar a situação, a temporada 2017 foi desanimadora, sobretudo do ponto de vista financeiro, devido às mudanças em decorrência do marco regulatório do terceiro setor (Lei Federal 13.019/2014). Resumindo: Milton e seus colegas de ADH 15 de Piracicaba ficaram sem ‘salários’ desde o início do ano.

PERSEVERANÇA

“Não foi fácil. Eu pensei em abandonar tudo, largar o esporte e voltar para casa. Mas, Deus colocou amigos incríveis em meu caminho em Piracicaba, pessoas que acreditam em meu trabalho. Isso me fez continuar. A minha patroa e o pai dela cederam a casa para que eu pudesse morar. Olha, se eu citar as pessoas que me ajudaram, você não acaba o texto. Apesar de todas as dificuldades que a equipe enfrentou, decidimos unir as forças para fazer um boa temporada. Conseguimos o terceiro lugar nos Jogos Regionais e o vice-campeonato da Liga Estadual. Foram conquistas muito importantes”, afirmou Milton. Mas, não foram apenas os amigos que não o deixaram desistir. Não parar era questão de honra.

“Eu já fiz de tudo pelo handebol. Com 12 anos, tive meu primeiro emprego. Eu trabalhava de dia e treinava à noite. Sempre acreditei que conseguiria algo para minha vida com o handebol. Já perdi vários empregos por causa desse esporte (risos). São várias viagens, competições… Tive de abrir mão de muita coisa para continuar jogando. Eu tinha um sonho e cabia a mim decidir largar tudo ou seguir acreditando independente do obstáculo. No fundo, sempre achei que fosse possível. E foi. A oportunidade apareceu num piscar de olhos”, relatou. Do primeiro contato à apresentação no clube espanhol, foi um mês. Tão rápido quanto as ‘pancadas’ com as quais ele costuma castigar os goleiros rivais.

REVIRAVOLTA

“Um diretor do Octavio Vigo entrou em contato comigo pelas redes sociais e nós começamos a conversar. Em um mês, eu estava na Espanha. Tive de deixar amigos, faculdade, namorada… Eu tinha uma vida em Piracicaba. É minha segunda casa. Mas, o sonho sempre falou mais alto para mim. Meu amigo Pedro Hermones, que jogou comigo em Piracicaba, ajudou na negociação. Deu tudo certo, eles acertaram as passagens, resolveram as questões da transferência e estou na Espanha. Não tive tempo quase para me despedir dos amigos. Foi rápido demais. O que estou vivendo é especial”, relatou Milton.

A ideia agora é permanecer na Espanha e ajudar o Octavio Vigo na caminhada pela Primeira Divisão Estatal. A evolução, Milton sabe bem, será degrau a degrau. “Minha vontade é ficar na Europa muito tempo. Me destacar, aprender e evoluir bastante. Vou aproveitar as coisas que o esporte oferece. Para mim, que sou uma pessoa de origem humilde, é tudo novo. Meu sonho agora é a seleção brasileira. Sei que é difícil, mas nada é impossível. O foco é trabalhar, pensar nos objetivos do clube. A evolução é passo a passo, tenho consciência disso. E tenho fé em Deus. Tudo vai dar certo. Basta ter humildade, perseverança e, claro, aquele belo e largo sorriso no rosto (risos)”, finalizou.

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