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A demolição do casarão, que um dia foi o Hotel Baia, levantou várias interrogações e exclamações, tanto de pessoas ligadas diretamente à cultura quanto daquelas que defendem o modernismo. A simples decisão de tombar um imóvel é vista por vários ângulos e eis aí a interrogação maior: Você, se proprietário fosse, concordaria? Mas não é essa minha pauta neste texto.
Assistindo as imagens, feitas pelo jornalista Juliano Rossi, da demolição do casarão, foi inevitável não me lembrar da polêmica história do nosso “Museu”, que nunca o foi. Tenho comigo que o descaso levou ao túmulo aquele casarão, ou seriam os espíritos aflitos dos antigos escravos? Já que o assunto de hoje é edificações históricas de Lagoa da Prata, gostaria de compartilhar com vocês a triste história da residência do fundador da cidade. Recordemos que o museu, que fica localizado na Praça Dona Alexandrina, pertenceu ao fundador do município, Coronel Carlos Bernardes Sobrinho e foi construído em 1875.
Os últimos moradores do casarão foram os herdeiros do Coronel, em 1970, a família dos senhores Ângelo Perilo e Ildeu Perilo. Neste ano o casarão foi tombado e passado aos cuidados da Prefeitura Municipal de Lagoa da Prata, porém, ficou abandonado até 1977, quando o prefeito da época, senhor Pedro Paulo Rezende o vendeu para o doutor Antônio Luciano Pereira Filho, dono da antiga Usina Luciânia. Lamentavelmente todas as peças e móveis de maior valor, que pertenciam à família do Coronel Carlos Bernardes, foram levadas do casarão e ninguém mais viu tais objetos.
Em 1978 o prefeito Rui Amorim e seu secretário Doutor Ciro dos Santos, em um ato histórico e único, readquiriram o casarão e dele fizeram o Museu Municipal Dona Alexandrina, apesar de não haver mais nada lá dentro que pudesse contar a história por si própria. No período de 1985 a 1992 o casarão quase teve seu fim, pois a estrutura já estava muito comprometida e nenhuma obra de restauração foi realizada para salvá-lo. A Fundação de Cultura e Turismo (FUTURA) foi criada em 1999 pelo então prefeito Lucas Rezende. A criação da fundação tinha como principal objetivo salvar o museu quase 100 anos depois de ter sido construído, mas na prática não foi isso que aconteceu.
O museu foi fechado e literalmente abandonado. Neste mesmo ano a arquiteta Maria Carmem Perilo desenvolveu um projeto para restaurar o museu, de maneira que toda a fachada tivesse o mesmo aspecto que tinha no século XIX e este seria utilizado como Centro Cultural de Lagoa da Prata. O projeto foi enviado para o governo do Estado, mas o museu já estava completamente em ruinas. Em 2004, durante as obras de restauração, o casarão não resistiu e caiu. Por três anos a imagem “fantasma” do terreno permaneceu naquela praça e somente em 2007 e 2008 suas paredes foram novamente erguidas. Cinco anos se passaram e a obra continua do mesmo jeito, inacabada e sem nenhuma utilização, digna de ser modelo da bela canção de Vinícius de Moraes.
Seria um pecado não mencionar a Estação Ferroviária. Lentamente começa a tomar cara de Estação Ferroviária… Lentamente. Mas deixemos essa história para uma próxima história.
Adriano Santos

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