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Juliano Azevedo é um mineiro de muita fé! Jornalista, Escritor, Chefe de Redação da TV Alterosa/SBT Minas, Mestrando em Estudos Culturais Contemporâneos pela Universidade FUMEC, Professor de Redação Publicitária na Faculdade INAP e Palestrante. Blogueiro no www.julianoazevedo.blogspot. com, twitteiro no perfil @julianoazevedo, fotógrafo no Instagram @julianoazevedo.
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Dezoito horas. Na vizinha, ouve-se a intensidade de uma música instrumental, reconhecida até por aqueles afastados dos dogmas religiosos, mas que certamente já ouviram a canção em apresentações orquestradas. Tradicionalmente, é a hora da Ave Maria em qualquer lugar dos pedaços do planeta. Olho para os lados e vejo o gesto do sinal da cruz sendo repetido. Emociono-me. Relembro de momentos históricos, do passado recente, quando morava no interior de Minas. Sempre sinto saudade das minhas raízes assim que ouço qualquer versão da melodia que enaltece a mãe de Jesus.

Fechei as pálpebras. Começou o filme das lembranças…

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Estamos na semana pós-carnaval, período das recordações da infância, época em que a preocupação era apenas encapar os cadernos para a volta às aulas. Elas já haviam iniciado, porém as tarefas só existiam após a Quarta-feira de Cinzas. A lição no quadro verde, mas que chamavam de negro, era a mesma em qualquer escola: todos os alunos deveriam fazer uma redação para contar as aventuras das férias.

Geralmente, com meus pais e irmãos, íamos para Itaoca ou Guarapari, no Espírito Santo, ou íamos numa excursão para Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Gostava dos dias em que ficava na fazenda da tia Ritinha, em Luz, ou visitava meus primos em Lagoa da Prata para brincarmos com o famoso boto. Tempo bom…

Com a mente acelerada, no ritmo da Ave Maria, que ainda embalava os pensamentos, vieram as imagens da adolescência. Sábado à noite, ensaiávamos a serenata que seria surpresa para algum aniversariante durante o mês, mas antes fazíamos a reunião no grupo de jovens da igreja.

Dominado pelas notas altas da cantora, inebriado pelas palavras sacras, também divaguei nas atitudes rebeldes da minha adolescência. Acredito que Nossa Senhora das Graças me protegeu quando fugi de casa, por uma semana, para descansar de alguns problemas juvenis.

Outra vez, peguei a estrada rumo a Divinópolis para “passar um dia diferente”, dizendo que iria estudar com colegas na biblioteca. Isso com uns 13 anos, sem conhecer nenhuma rua da Cidade do Divino. Nesse instante, recordei- me da ocasião em que só vestia roupas pretas, até com o sol mais imponente, só para contestar
a obrigatoriedade do uniforme escolar composto de blusa branca e calça jeans. Contudo, no balanço das confusões, não dei muito
trabalho para a Virgem Maria.

O mundo girou alguns anos, deixando a nostalgia. Agora, com a trilha sonora marcante da fé mariana, tenho histórias para recordar. E para escrever. Amém.

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