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Fotos: Mattos Fotografia
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O evento aconteceu no dia 4 de novembro, na Praça Capitão José Bahia

Por: Laiana Modesto

Aconteceu no dia 4 de novembro mais uma edição do Festival de Música Autoral Lacustre. No palco, oito bandas revezaram em um baile de ritmos diversos como MPB, rock, blues, maracatu, punk, rap, música alternativa e folk , que embalaram a cidade. “Mistura que, diga-se, fez bem ao público. Em 10 horas de apresentações, a plateia mostrou ter vitalidade e pique para muito mais”, disse a organização.

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Tudo começou pouco depois das 14h, quando músicos da cidade subiram ao palco no “Encontrão Lacustre” para apresentar composições próprias. Maria Júlia abriu o festival conquistando novos fãs. “Precisando de um baixista, tem um aqui”, ofereceu-se um dos músicos que, da plateia, permitia-se mergulhar na musicalidade da moça.

Carol Shineider e Débora Rezende, que mais tarde também se apresentaram pela Bicho Mecânico de Asas, também apresentaram seus trabalhos solo, assim como Helder Clério, membro da banda Pé Vermelho Rock Blues. Em seguida, o músico fez parcerias com Victor Borges, que interrompeu suas atividades na itinerante Barbearia do Venância – a todo vapor desde o início da programação -, para o deleite do público com duas de suas composições. Aliás, conhecidas da maioria e cantadas a plenos pulmões por muitos dos presentes, já que as canções integram o primeiro CD da banda Volta Elétrica.

Na sequência, foi a vez de Thalita Aneda, vitoriosa da primeira edição do Lacustre, quando o festival ainda tinha o formato competitivo, apresentar suas canções. A segunda música que apresentou, fechando o Encontrão, foi justamente a vencedora do festival anterior, a faixa “Desde que o mundo dá voltas”.

De Formiga, a banda Último Copo assumiu o comando do festival a partir de então. Com uma pegada de rock clássico, o ritmo pulsante ganhou o público, que começou a se aproximar mais do palco. Enquanto mais pessoas chegavam, outros já estavam acomodados, aproveitando o espaço para experimentar os chopps artesanais servidos por ali. As crianças, por sua vez, faziam a festa na praça e lotavam o pula pula por lá instalado. O skate, bem, esse foi regra durante todo o evento.

Enquanto o som do grupo formiguense fazia os mais empolgados dançar, mais pessoas se aproximavam. A animação de quem passava por ali, mesmo desavisado, era sensível. Seu Paulo, como se apresentou, vinha do Maranhão. Por acaso esbarrou no festival e por ali ficou. “É a primeira vez que venho a Lagoa da Prata. Ia embora depois do almoço, mas não teve jeito, resolvi ficar mais”, comentou ele no intervalo entre as apresentações. Envolvido na cena da música da cidade, Gustavo Oliveira foi outro a se render aos ritmos e energia emanados das caixas de som. “Está fantástico!”, resumiu, obviamente animado.

Misturando artistas de Lagoa da Prata e Esteios, o Pé Vermelho Rock Blues manteve o pique de seus antecessores, envolvendo toda gente – a essa altura, uma plateia mais expressiva – no universo de blues interiorano e orgulhosamente mineiro. Afora a conexão ancestral de serem estilos advindos de uma mesma matriz, a africana, o blues em nada parecia o rap apresentado na sequência. É verdade, os meninos do Gatilho chegaram de sua cidade de origem, Itaúna, direto para o palco. Subiram e em um fôlego só começaram o show. O estilo impactante deixou muita gente boquiaberta – e sim, isso quer dizer aprovação. “É um som que parece ter algo de Rage Against the Machine com um quê de Planet Hemp”, analisou Alan Russel, apresentador do evento.

Talvez a grande surpresa da tarde, quando o grupo Teto Preto começou a tocar, instantaneamente, movimentos ganharam todos os corpos. Com rua e praça já cheias, a banda de Itapecerica botou todo mundo para dançar ao som de ritmos brasileiros, música folclórica mineira e até maracatu. Os movimentos espontâneos viraram até passos quase ensaiados, improvisados ali, bem em frente ao palco. Enquanto isso, o sol começava a se pôr, oferecendo ainda mais magia ao show. Aliás, a visão era de espetáculo à parte somando a alvorada com as águas da Praia Municipal que, ao fundo, abrilhantou o festival.

Com o intervalo, quem o público aproveitou para fazer um lanche entre os foodtrucks ali instalados ou visitar a exposição de carros antigos que ocupou o gramado a Futura e a de artes plásticas. A estrutura acolhedora montada na praça, entre redes e outros espaços para descanso, aliás, foi muito bem-vinda nessa hora.

Depois do respiro, jogando em casa, a Bicho Mecânico de Asas, BIMA, não economizou na psicodelia de seu som alternativo e difícil de nomear – tanto que até seus integrantes teriam certa dificuldade em enquadrar suas composições em alguma vertente. Tanta liberdade, claro, foi sentida e as danças tão presentes no show do Teto Preto se transformaram em um deslizar pelo ar em movimentos lentos e progressivos. Na sequência, para manter o ritmo de lisergia, as meninas do Miêta bailaram o som alternativo de suas guitarras no cair da noite lagopratense. As belo-horizontinas formam um front feminino dedicado à música. Na cidade, mostraram toda sua desenvoltura e envolveram quem por ali passava.

As cabeleiras, diga-se, continuavam dançando no palco, agora com a apresentação da banda de punk rock Mad Chicken. Com autoridade, os rapazes trouxeram de Arcos um som agressivo – no melhor sentido do termo quando se fala de música. Vindo de uma sequência de apresentações pulsantes, não deixaram a peteca cair – e, na plateia, botaram mais cabeleiras para dançar.

No intervalo, pessoas já trocavam mensagens. Afinal, o próximo show já é queridinho da cidade. De Belo Horizonte, a banda Young Lights conquistou fã clube lagopratense desde sua primeira passagem pela cidade, durante o 3º E-Cult, em abril deste ano. Quando subiram ao palco com seu folk bem resolvido, o retorno foi notadamente celebrado. Vibrante, rua, praça e palco se integraram em um movimento só.

De tudo o que se viveu neste sábado, ficaram flashs sorridentes em fotos e, principalmente, na memória. A cidade se mostrou, mais uma vez, receptiva à música autoral. E a sensação, bem, foi de ver sim a vida muito clara e farta. Sobrou satisfação. O cansaço, é verdade, pode ter abatido uns e outros depois de uma maratona musical energética e pulsante. Mas, olhando para tudo isso, quando respiramos fundo, notamos que tomar esse fôlego foi revigorante.

Agora, vale dizer, Lacustre 2018: esperamos ansiosos por isso.

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